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HISTÓRIAS – XLI

31-01-2020 - Henrique Pratas

Era Verão eu era muito miúdo, teria 4 ou 5 anos, os meus pais eram amigos da estação de caminho-de-ferro de Santarém decidimos ir visitá-los.

Saímos de Lisboa cedo para aproveitar bem o dia, não havia trânsito como existe hoje e chegados lá estava nas minhas sete quintas pois tinha composições à minha disposição com fartura era só escolher, tinha composições que me preenchiam o dia todo.

Não fiz nenhuma escolha, nem o chefe da estação nestas podes brincar e nestas não, atirei-me há primeira que encontrei e vá de entrar lá para dentro, só que não sabia que aquela composição tinha transportado melaço e ainda não tinha sido limpa, estão a imaginar, o menino que levava um fatinho que faziam para as crianças com casaco e calções, camisa branca e lacinho, passados uns instantes estava cheio de melaço por tudo quanto era sítio e quando me aproximei da porta de saída tinha os meus pais e o chefe da estação à minha espera para verem o lindo estado em que eu regressava. Foi a risada geral e eu fiquei pior do que estragado, pois não gostava que se rissem há muita custa, mas também não gostava de perguntar a opinião sobre o que devia e não devia fazer, sofri muitas vezes as consequências disso e esta foi mais uma delas.

Quando saí da composição estava completamente sujo, coisa que só se resolvia com um belo banho o que aconteceu, mas em certas partes do corpo foi difícil tirar o melaço pois estava completamente agarrado ao corpo, nomeadamente nos cabelos, apesar de ter gritado que nem um desalmado lá conseguiram tirar-me todo aquele melaço que estava agarrado ao meu corpo.

O pior veio a seguir, porque me começaram a dizer que tinha que vir nu para Lisboa, porque não tinham levado roupa para me mudar, isto não era nada agradável para mim nem concordava com a situação, mas fizeram isto para me provocar, pois a minha mãe que me conhecia bem e sabendo que era eu era traquinas levava sempre uma muda de roupa sem eu saber, para uma eventualidade como esta, porque ao longo da minha vida tive muitos episódios como este, nomeadamente o de ir andar de bicicleta e rasgar a roupa que levava vestida, o de ir jogar á bola e como não gostava de perder atirava-me para o chão para defender bolas que eram golos certeiros só que nesta ação rasgava as calças nos joelhos e a minha mãe com paciência eterna lá me foi aparando estes “golpes”.

Vivi uma infância muito feliz tanto na aldeia dos meus avós, Arripiado como aqui em Lisboa, coisa que hoje não consigo ser com a frequência que era e por mais voltas que dê há minha cabeça não consigo entender esta alteração a não ser pela qualidade das pessoas da altura o que entra em contradição com o que nos querem fazer crer que vivemos numa sociedade mais evoluída, o que eu muito sinceramente não acredito.

Henrique Pratas

 

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