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HISTÓRIAS – XXXVIII

20-12-2019 - Henrique Pratas

Há uns anos atrás quando o atual Secretário-Geral da ONU era Primeiro-Ministro em Portugal, assessorei-o numa reunião com empresários portugueses.

Podemos gostar ou não da “personagem ”mas intelectualmente” ele era estruturalmente honesto, só que tinha uma particularidade, era uma cabeça pensante mas não podia por nada em prática porque as coisas não resultavam, é apenas uma pessoa que serve para pensar, conceber, mas concretizar tem que deixar isso a alguém com competências para o efeito.

Estivemos reunidos com os empresários deste País e eu sentado ao seu lado, depois de os ouvir dizerem tantas baboseiras já não sabia como estar sentado, mas quando nos propomos a acompanhar alguém num objetivo, há que aguentar e cara alegre.

Se a situação hoje é aquela que conhecem na altura era muito pior, mas com isto não quero dizer que os empresários evoluíram não antes pelo contrário, pela força do aparecimento e a expetativa gerada por diferentes partidos políticos tornaram-se mais arrogantes, agressivos e desrespeitadores da legislação laboral existente.

Já nesse tempo as licenças parentais levantavam muitas adversidades a generalidade dos empresários não convivia bem com a aplicação desta Lei e muitos deles, nem sequer a cumpriam e faziam a vida “negra” a muitas das mulheres que eram mães. Pode-vos parecer estranho mas as mentalidades eram e são assim, alguns ainda não perceberam que a nossa pirâmide etária está invertida, isto étemos população com uma idade mais elevada e as faixas etárias com menor idade estão perfeitamente desprovidas.

Como sabem isto está tudo ao contrário, mas nenhuma grávida, salvo honrosas exceções utilizam o tempo que lhes está consagrado na Lei, isto para pura e simplesmente não serem despedidas, porque muitos dos empresários utilizam a figura dos contratos a termo certo e assim que uma das trabalhadoras engravida é praticamente certo que será despedida no termo do contrato.

Independentemente de existirem organismos públicos para mandarem fazer cumprir e sancionar quem não respeita esta Lei, ninguém atua e os despedimentos continuam a ser prática comum nas mulheres que engravidam.

A mim este tipo de atuação afigura-se-me como anormal, a não ser que os empresários queiram desta forma por termo há mão-de-obra oriunda da restante população e a queira guardar apenas para os seus descendentes, mas também não vejo que estes queiram fazer certos trabalhos que mais ninguém quer fazer, enfim uma contradição do sistema ou o resultado da qualidade dos empresários que temos.

Mas voltando há maldita reunião, que foi medonha, cansativa e inconclusiva, falaram-se de muitos temas entre os quais o que abordei neste texto, mas todos acenaram com a cabeça em sinal positivo, mas na prática fizeram o contrário.

Escrevi-vos tudo isto para partilhar convosco uma ideia que o antigo Primeiro-Ministro expressou agarrando-me pelo braço e falando-me ao ouvido já há saída da referida reunião, “ Oh, Dr., com empresários destes como é que o País vai a algum lado, eles são mesmo muito maus”, eu sorri e respondi-lhe de imediato eu pensava que eram maus mas assim tanto é que não e depois falámos como é que se podia dar a volta a esta situação e rapidamente chegámos há conclusão que não havia forma de o fazer.

Este texto pretende apenas demonstrar que pessoas bem intencionadas e que querem fazer alguma coisa pelo País podem desinteressar-se quando a qualidade dos interlocutores que têm.

Mas uma questão pode-se sempre colocar, não pode um Governo implementar as medidas que entende serem melhores para o País, a resposta é não a não ser que se mudem de forma abrupta os “atores” e a forma de atoar dos empresários e gestores na nossa economia, mas isto tem um preço muito elevado que muitos não estão dispostos a pagar e assim vamos continuar sempre na mesma como a lesma que se arrasta lentamente, esperando que não seja atropelada ou pisada por alguém.

Henrique Pratas

 

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