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Sexta-feira 20 de Setembro de 2019  
Notícias e Opnião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

HISTÓRIAS – XIV

25-04-2019 - Henrique Pratas

Recordo-me que quando era criança, não existiam bolas, os se faziam de trapos ou no Arripiado, quando da matança dos porcos se utilizava a bexiga do dito para se encher e podermos dar uns pontapés, até rebentar, não eram tempos fáceis porque a abundância e as opções não eram muitas, tinhas que pôs a funcionar uma coisa que se chama imaginação e que eu entendo que não nos fazia nada mal, porque não íamos uma grande superfície e tínhamos há disposição o que pretendíamos, não as coisas eram completamente diferentes havia que fazer uso da cabeça e do que tínhamos lá dentro. Os tempos da altura divergem dos de hoje porque ao tempo não existia abundância financeira, ou instituições a conceder crédito a torto e a direito, o dinheiro era um bem muito escasso, logo no mercado não abundavam bens que ninguém pudesse comprar, existia o que era acessível, mas muito pouco, o que não acontece nos nossos dias existe muita coisa ao alcance de muitos, com algumas restrições a muito poucos mas lá se vão fazendo uns esforços para se contentarem asa crianças que não fizeram mal a ninguém, nem sequer pediram para cá estar.

Esta é uma grande diferença entre os tempos atuais e os tempos em que eu era criança, mas eu ainda me considero um privilegiado, porque quando eu era menino os rapazes e raparigas da aldeia para não se poderem levantar da mesa tinham um figo atado por um cordel, atado à mesa, que à menor intenção para se levantarem da mesa dava sinal e o corretivo fazia-se sentir na hora, eram duros esses tempos para a maior parte das crianças, acho mesmo que exagerados, contrariamente aos de hoje em que existe um completo desleixo ou falta de respeito tremenda.

Volto a introduzir a velha questão de não termos meio-termo ou é tudo ou nada, talvez, escrevo eu, encontrarmos um equilíbrio entre estas duas posturas, para que a nova geração “transportasse” e incutisse os mesmos valores e princípios às gerações vindouras para que a vida em sociedade fosse mais equilibrada e sem desequilíbrios, faltas de respeito, de carácter, de educação ou o que quer que seja. O acontece nos dias de hoje é perfeitamente lamentável, não quero com isto defender os tempos de antigamente, porque em primeiro lugar não são comparáveis devido aos tempos em que ocorreram, mas entre as duas situações haverá que encontrar um ponto de equilíbrio, ou melhor é desejável que se encontre um ponto de estabilidade e de igualdade de tratamento, compreensão, de aprendizagem entre as diferentes gerações para que o País possa crescer de uma forma sustentável, uniforme e consistente.

As exigências que eram feitas às crianças nos anos 50 – 60 eram na minha opinião muito exageradas, depois do 25 de abril de 1974 o pêndulo esticou, em meu entender e como é normal muito até ao lado contrário, permitindo às crianças fazer tudo ou quase tudo, desautorizando mesmo os pais de pouco poderem fazer. Acresce a este facto de os pais nesta fase para poderem trabalhar terem que “depositar” os filhos em creches ou infantários e consequentemente face às exigências laborais que lhes eram feitas e há correria em que andavam de um lado para o outro, demitiram-se das suas funções de pais, transferindo esta responsabilidade para as creches, infantários ou escolas e no meio deste processo deixaram de acompanharem os filhos, estabeleceu-se uma relação de distanciamento entre pais e filhos que não é desejável, mas que foi uma realidade, salvo honrosas exceções.

O caminho a percorrer tem necessariamente que voltar a uma normalidade e a um equilíbrio, onde pais e filhos desempenham cada um o seu papel e que sejam complementares um do outro.

Henrique Pratas

 

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