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Viver na Selva

05-10-2018 - Henrique Pratas

Eu nasci em Lisboa, embora os meus pais tenham nascido no Arripiado e na Carregueira.

Eu nos últimos tempos últimos tenho passado muitos fins-de-semana no Arripiado terra natal de minha mãe e experimentei também em Almeirim ir às Finanças como vos escrevi e comecei a sentir que a qualidade de vida é outra, que as pessoas são outras, pese embora algumas tenham alterado a sua maneira de ser e de estar, porque isto das novas tecnologias dê-lhes volta à cabeça, assim como as promessas não cumpridas dos políticos que por este burgo abundam, contribuíram para que estas se tornassem mais desconfiadas e muito pouco crentes.

Em Lisboa, isto é uma autêntica “selva”, temos tudo ao pé de nós e não temos nada, quero eu dizer, temos cinemas, teatros, locais onde podemos ir ouvir música, jardins para os avós passearem os netos, porque os filhos não podem porque tem que trabalhar, mas há uma coisa que não temos é tempo, porque andamos a correr de um lado para o outro e se perguntar-mos às pessoas porque é que andam a correr, elas não são capazes de responder.

No que concerne ao funcionamento dos serviços de saúde ou finanças poucos ou são raros aqueles que funcionam convenientemente e o cidadão para se tratar ou ter médico das duas uma ou se levanta às 5 horas da manhã e vai para fila para arranjar médico, arriscando-se mesmo assim a não conseguir uma consulta, se acha que deve ir a um Hospital para o verem, remetem-no para o centro de saúde da sua área de residência e as pessoas andam nisto até aguentarem. Quando conseguem arranjar uma consulta e o utente vai todo contente porque finalmente conseguiu um médico, muitas das vezes tem a surpresa do médico não comparecer na consulta por diferentes motivos, estar doente, estar num congresso, outro tipo de desculpa esfarrapada e lá volta tudo à primeira forma.

Nas Finanças são poucos os contribuintes que há primeira vez resolvem a sua situação a maior parte das vezes têm que lá ir 3 e 4 vezes para resolver uma situação idêntica à que tratei nos vossos Serviços de Finanças, o contribuinte anda de um lado para o outro, perdendo a paciência, muitas das vezes, pois como costumamos afirmar que não há cú que aguente.

Enfim a vida em Lisboa, ou na “selva” tornou-se um inferno, nos transportes que são escassos e que chegam atrasados. Quem gosta de ir ao futebol está praticamente impedido de o fazer porque, nos jogos mais importantes ou se sujeitam a ir dentro de uma caixa de segurança devidamente balizada e acompanhada por agentes policiais o que é uma grande chatice ou não vai para não estar “preso” dentro de uma caixa que às vezes de segurança pouco tem, porque há sempre uns energúmenos que arranjam forma de prevaricar ou de atingir quem vai dentro dessa caixa dita de segurança.

É isto que designam por qualidade de vida, já foi já nos meus tempos de menino e moço até aos meus 24 anos podia-se ir ao futebol ou a qualquer tipo de espetáculo que nunca havia confusão, podia-se passear na rua a altas horas da noite sem ser incomodado, porque existia o lema “quem vai, vai” e ninguém se metia com ninguém até nas zonas mais problemáticas de Lisboa, hoje todas as zonas são problemáticas, foi este o resultado da evolução civilizacional que se gerou na sociedade portuguesa se foi este eu dispenso.

Eu vejo isto tudo e mais coisas que agora não vêm ao caso, mas não se pode ir a lado nenhum, eu faço a minha vida completamente em paralelo à sociedade onde estou inserido que é a de Lisboa, mas quando ando de carro tenho que andar fechado por dentro, não frequento à noite determinadas zonas que dão sempre confusão, enfim eu tenho a minha vida condicionada, ou provavelmente eu estou “preso” e condicionado por uma certas práticas que não eram correntes nesta cidade. Enfim tornaram Lisboa numa enorme “SELVA”, onde as pessoas só não se comem umas às outras porque não podem, mas eu tento sobreviver à margem disto tudo e escrevo-vos que não é fácil, porque há sempre um dia por mais que nós não queiramos somos confrontados com a realidade que não queremos ver e aí vai-nos saltar a tampa.

Nos fins de semana que tenho passado no Arripiado tenho feito aquilo que mais adoro e que recordo com saudade do se fazia lá e cá que era estar à conversa até às tantas falando de coisas da vida de cada um de nós, sem que ninguém se intrometa ou se atire para fora de pé.

Provavelmente terão filhos, netos ou familiares que vivem cá pela capital do Império e que já lhe devem ter contado estas peripécias que vos acabo de escrever, isto não está nada fácil por cá assim como não está por aí onde vivem, mas não me levem a mal por aí está um bocadinho melhor do que por aqui, isto aqui está a tomar caminhos do insuportável e pensando em algumas medidas anunciadas por este Governo em exercício de funções e pelo Presidente do Município, porque se fossem outros a situação seria a mesma, as coisas vão piorar e as pessoas vão ter que se ir adaptando até não sei quando para conseguirem sobreviver. Descaracterizaram a cidade de Lisboa, ela perdeu a sua identidade e vai ser muito difícil recuperá-la.

Lisboa tornou-se numa cidade estranha, onde a solidariedade entre as pessoas que habitavam os diferentes bairros desapareceu por completo, assim como as regras, do respeito, da camaradagem, da entreajuda e da complementaridade desapareceram.

Henrique Pratas

 

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