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Quinta-feira 16 de Agosto de 2018  
Notícias e Opnião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

QUE RAIO DE GENTE É ESTA………

08-06-2018 - Henrique Pratas

Chegámos a um ponto na sociedade portuguesa em que eu tenho muita dificuldade em entender a “gente” que nela coabita, não sei do que é que são feitos, nem entendo a sua forma de estar. Aqui lo que no passado nós chamávamos amigos e que alguns de nós ainda tem o privilégio de ter, não existem mais, foram substituídos por conhecidos, porque a única coisa que lhes interessa é, que se lhe faça um favor, que nos utilizem como trampolim para alcançar algo que desejam, mas meus caros amigos à séria é coisa rara e pouco vista, por isso temos que preservar aqueles que temos.

Eu dou-vos exemplos reais quando alguém está numa posição que é susceptivel de catapultar alguém para um lugar onde deseja o telefone, ou os telefones não param, os convites para almoçar sucedessem-se até alcançarem os seus objetivos, depois disso e enquanto o suposto amigo se mantém em lugar que posa ser útil mantêm a relação em “banho-maria” se o amigo é destituído ou passa para uma outra posição com menos influência, então aí os telefones calam-se, os convites para almoçar desaparecem ou surge aquela conversa mole “ um destes dias eu ligo-te para almoçar-mos ou nos encontrarmos”. Bem podemos esperar sentados.

Os nossos melhores amigos somos nós próprios, ninguém mas ninguém é tão amigo de nós como o próprio. Chegámos a esta fase, irracional, do meu ponto de vista mas é o que vejo e que sinto, amigos de fibra como lhes escrevi são poucos ou praticamente nenhuns.

Como vos escrevi os telefones quando cada um de nós ocupa um lugar de destaque com capacidade de influenciar não param de tocar e temos carradas de “amigos”, mas só vamos conhecer os verdadeiros quando deixarmos de ter o tal lugar de destaque e nessa altura meus amigos os telefones vão parar de tocar com a frequência que tocavam e se tivermos algum problema teremos que ser nós a resolvê-lo porque se olharmos para os lados não encontramos ninguém. As relações entre as pessoas e as próprias tornaram-se descartáveis, se é útil muito bem se não é nem nos conhecem.

Fazem – se tantos programas para criar, emprego, a igualdade de género, apoio e inclusão das pessoas com deficiência, a igualdade de oportunidades e outro tipo de combates para a exclusão social, mas os resultados práticos a meu ver são bem diferentes dos relatórios que são divulgados em pomposos relatórios com a mais ampla difusão.

Eu não entendo aonde é que querem chegar mas volto sempre à mesma será que as velhas práticas de anunciar tantas vezes uma mentira elas passam a um verdade absoluta e aceite por todos, sem sequer pestanejar ou utilizar o que resta da massa encefálica pensante que lhes resta.

É triste o que vos escrevo mas estamos a viver numa sociedade em que apenas os números têm importância e o papel das pessoas qual é? Trabalharem mais horas e em piores condições, trabalharem até mais tarde porque não se podem aposentar porque a idade de reforma estabelecida como limite vai sempre aumentando, será que querem que os trabalhadores passem a morrer ao serviço e sem qualquer tipo de condições de trabalho. Eu ainda sou do tempo em que os trabalhadores se dirigiam para os seus locais de trabalho com alegria e gostavam, uns mais outros menos das empresas/organizações onde prestavam trabalho. Nos dias de hoje, os trabalhadores levantam-se mais cedo para ir trabalhar, fazem-se transportar em meios de transporte que não oferecem condições de segurança, de conforto de qualquer espécie, trabalham 7 ou 8 horas e ao final do dia repetem o que fizeram de manhã e fazem-no isto durante anos e anos. Quando a empresa/organização onde exercem as suas funções é acolhedora e trata bem os seus trabalhadores, menos mal o pior é quando essa entidade apenas vê as pessoas como números e se estiveram estão e se não estiveram não fazem lá falta nenhuma.

É necessário humanizar as organizações, por mais que diga e que escreva, que o que distingue uma organização de outra no mesmo ou diferente ramo de atividade são as PESSOAS que lá trabalham, mas isto é válido em muito pouco ou nenhuma das organizações.

Estamos na era dos números e tudo se mede, mesmo que sejam mal medidos, surgem indicadores para tudo e nós o que é que fazemos, que andamos fartos desta vida para que nos empurraram, queremos lá saber, temos é que contar os cêntimos para ver se conseguimos chegar ao final do mês.

A disparidade entre pobres e ricos aumentou significativamente, os estratagemas, as habilidades, os esquemas esses aumentarem em exponencial e alguns de nós questiona-se vale a pena ser sério nesta sociedade. Outrora como se devem recordar a honestidade moral e intelectual eram valores que tinham um peso significativo na sociedade portuguesa, nos dias de hoje é o salve-se quem poder.

Onde é que esta forma de estar nos vai levar, tenho muitas dúvidas para não escrever que dentro de alguns anos viveremos numa selva onde vale tudo.

Em vez de estamos a viver numa sociedade em progresso, independentemente de em paralelo estar a ocorrer o tão proclamado desenvolvimento tecnológico, que em bom rigor deveria proporcionar melhores condições de vida às pessoas, estamos a regredir a toda a força e tomem-se as medidas que se tomarem gaste-se o dinheiro que se gaste se não possuirmos uma sociedade onde as pessoas se pautem pelos mais elementares valores não vamos a lado nenhum, o que estamos a criar é uma sociedade cada vez mais desumanizada e alienada.

 

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