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ÓLEOS ALIMENTARES

08-09-2017 - Henrique Pratas

Cerca de 35 mil toneladas vão para o esgoto mas podiam encher o depósito do carro. Metade das autarquias não cumpre a legislação que obriga a instalar pontos de recolha. “Há aqui muito a fazer para recuperar este resíduo, que no fundo é um recurso”, afirma a Zero.

Cerca de 60% dos óleos alimentares são despejados nos esgotos domésticos. A associação ambientalista Zero alerta para a reduzida reciclagem, que leva a que todos os anos sejam desperdiçadas 35 mil toneladas, num valor calculado em 28 milhões de euros.

“Há aqui muito a fazer para recuperar este resíduo que, no fundo, é um recurso”, afirma a Zero, lembrando que a culpa é essencialmente das famílias, mas também do sector hoteleiro e da restauração.

Esses óleos, que podiam ser valorizados para biodiesel, criando um volume de negócios de 28 milhões de euros, vão para os coletores de esgotos domésticos, “criando problemas nas estações de tratamento de águas residuais ou prejudicando os ecossistemas marinhos”.

Num comunicado, a associação ambientalista, com base em dados de 2015 fornecidos pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), explica que nesse ano foram colocadas no mercado 77 mil toneladas de óleos alimentares, pelo que descontando as diferentes taxas de perda deveriam ser recicladas 58 mil toneladas.

Ao todo, diz a associação, 15 mil toneladas (44% do total) são colocadas nos esgotos pelos cidadãos e 19 mil toneladas são desperdiçadas pelo sector dos hotéis, cafés e restaurantes. É este sector o que gera a maior percentagem de resíduos de óleos alimentares (69%), com o sector doméstico a gerar mais 25% e a indústria (batatas fritas, por exemplo) apenas 6%.

“Ao recolhermos o óleo estamos a dar-lhe uma nova vida: a sua transformação em biodiesel, um combustível substituto do gasóleo e renovável”, alerta este especialista em resíduos, concluindo que é uma medida “dois em um”. “Assim, evitamos a poluição do ambiente e problemas nas ETARS e ao mesmo tempo estamos gerar para o nosso país – que não é produtor de petróleo – uma fonte de energia renovável. Por isso, faz todo sentido que haja uma aposta do Governo e das autarquias, com a participação dos cidadãos na recolha destes resíduos”.

Sistema de recolha não funciona

Esta não é novidade nenhuma, agora que a maior parte dos Municípios não quer pagar trabalho extraordinário a recolha dos resíduos é deixada para segundo plano e realizada às horas que muito bem entendem, não existindo uniformidade de recolha de município para município.

A taxa de recolha no sector doméstico é de 1,6%. No sector da hotelaria e da restauração, a taxa de 46% parece aceitável mas só revela que a lei não é cumprida, porque a entrega de óleos usados é obrigatória.

De resto, metade das autarquias também não cumpre a legislação que obriga a instalar pontos de recolha em função do número de residentes (com menos de 25.000 habitantes terá de instalar 12 pontos, com mais de 300.000 serão 80).

E assim pelo menos 17 milhões de litros de óleos usados são despejados pelos cidadãos nos esgotos domésticos, diz a associação.

São quase dois mil litros por hora, aumentando os custos de tratamento das águas residuais em 25% e afetando o ambiente.

Problema que podiam ser evitados e ao mesmo tempo gerar recursos, como faz a BRAVAL – sistema multimunicipal que abrange os Municípios de Braga, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Amares, Vila Verde e Terras de Bouro, apontado pela Zero como um bom exemplo.

Exemplos que deviam ser seguidos e que não são, também os temos cá dentro e no caso vertente é um deles. Nem reparamos no que de bom se faz cá dentro, como é que este País pode ir a algum lado, agindo desta forma.

A associação ambientalista recomenda um esforço para melhorar a recolha de informação e de sensibilização da população, e um reforço da fiscalização do cumprimento da lei, além da criação de incentivos para que a recolha possa ser melhorada nos municípios.

É por causa destas e de outras que o nosso sistema ecológico começa a ficar saturado, porque as pessoas não têm cuidado com o lixo que produzem e quando se querem ver livres deles em vez de recorrer aos municípios e outras empresas vocacionadas para esta atividade, os atiram para fora de casa em qualquer lugar que entendem por bem fazê-lo, sem medir a consequência dos seus atos.

Com esta prática não nos estamos a prejudicar só a nós estamos a prejudicar uma sociedade inteira e se quiserem numa perspetiva mais alargada o Mundo inteiro, dado que não vivemos isolados fazemos parte integrante de um Mundo que ser quer de melhor qualidade ambiental e não só.

Henrique Pratas

 

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