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Quinta-feira 19 de Outubro de 2017  
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RÍDICULO…….

09-06-2017 - Henrique Pratas

Tenho alguma dificuldade em adjetivar esta notícia mas a primeira palavra que me ocorreu é a que coloquei em título e por esta “notícia”, podemos inferir que a existe uma Justiça para pobres e outra para ricos e já agora nunca se esqueçam que o símbolo da mesma é uma mulher de olhos vendados.

A notícia reza assim, um homem de 42 anos, desempregado, foi detido e mais tarde presente ao tribunal de Espinho por ter furtado morangos avaliados em 2,5 euros. Os proprietários da exploração agrícola onde ocorreu o furto apresentaram queixa, porque tinham sido alvo de inúmeros furtos nos últimos meses.

O furto ocorreu na noite do passado dia 29 depois de o homem conseguir transpor a vedação de rede e arame farpado de uma exploração agrícola em Silvalde.

Cerca das 22 horas, aproveitando a noite, conseguiu entrar nas estufas da exploração, mas foi visto por um familiar do casal que estava no exterior e andava a vigiar o local devido aos recentes episódios de furtos que ali ocorreram.

Quando o ladrão se preparava para sair das estufas, com uma saca plástica na mão onde se encontravam já alguns morangos, avaliados em 2,5 euros, foi surpreendido pela presença do homem que o vira entrar momentos antes e que já o não deixou sair. Não ofereceu resistência a ali permaneceu até à chegada das autoridades.

Como o casal de proprietários fez questão de apresentar queixa, o homem foi levado sob detenção para a esquadra onde foi identificado e notificado para comparecer em tribunal no dia seguinte, o que viria a fazer.

O casal fez questão de apresentar queixa, não pelo valor dos morangos, mas para que esta ação servisse de exemplo a outros indivíduos. Aquela propriedade tem sido alvo de inúmeros furtos que, somados, tem resultado em prejuízos consideráveis.

O detido tem cadastro. Esteve já preso por recetação de materiais furtados e encontra-se desempregado.

Depois de ouvido em tribunal , o processo segue para inquérito e consequente julgamento.

O que escrever sobre isto, de tão ridículo, caricato e desumano que é os rios de dinheiro que se vão gastar por causa de 2,50 € e faço-vos notar uma coisa que a este desfavorecido pela sorte chamam-lhe tudo inclusive ladrão, se contrapusermos esta situação com outra bem recente em que a polícia judiciária investigou escritórios da empresa visada e as casas das pessoas em causa, jamais ouvirão ou viram escrito a palavra ladrão e muito menos que tinham sido ouvidos em Tribunal, recordo-vos o que viram escrito ou ouviram foi que tinham sido constituídos arguidos.

Querem-me dizer qual é a diferença de tratamento será que os milhões são menos importantes que os 2,50 € (dois euros e cinquenta cêntimos), muito sinceramente não entendo a diferença de tratamento de uma situação e de outra, a meu ver a situação a que me refiro é muito mais importante para a economia do País do que a do homem desempregado, que só por ter cadastro e já ter estado preso por recetação de materiais furtados e sabe-se lá por que razão, provavelmente porque não teve dinheiro para contratar um bom advogado ou escritórios de advogados.

Se a Justiça vai por este caminho estamos muito perto de situações como o dos Países da América do Sul.

Já agora onde é que está o princípio da igualdade de oportunidades dos cidadãos perante a Lei, onde é que fica o capítulo dedicado à defesa dos direitos e obrigações dos cidadãos, será que na Constituição da República portuguesa se abriu um subcapítulo onde se destrinçam os cidadãos de primeira e de segunda.

Meus amigos, temo muito pelo caminho que as coisas estão a ser levadas, é um caminho sem regras, ínvio, tortuoso, armadilhado e desigual para os cidadãos, as desigualdades acentuam-se gravemente, as disparidades também, os acessos aos serviços básicos estão vedados à maior parte dos cidadãos, não sei para onde nos querem empurrar, mas as coisas não estão bem, esta coisa a que chamam democracia anda muito afastada do que devia ser pois todos estes processos andam muito afastados do que deveria ser um Estado Democrático.

O espirito do salve-se quem puder, sem olhar a meios, o individualismo, está cada vez mais enraizado na sociedade portuguesa, quem viveu no Estado Novo, lembra-se bem deste modo de vida que todos não gostávamos, mas parece que o revivalismo desses tempos são queridos por alguém.

Por este andar não sei onde vamos parar, mas a avaliar pelas práticas a que vamos assistindo não será famoso, para não escrever indesejável, onde é que está o Portugal que todos desejávamos apenas nas cabeças de alguns “maduros” que continuam a batalhar pelas suas utopias.

Assim não vamos a lado nenhum, se é que é que se pretende chegar a algum lado, mas por favor não façam que regressemos aos tempos da “outra senhora.

Henrique Pratas

 

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