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Sexta-feira 18 de Agosto de 2017  
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A AMIZADE

05-05-2017 - Henrique Pratas

Em termos conceptuais podemos definir a amizade como a relação afetiva entre os indivíduos. É o relacionamento que as pessoas têm de afeto e carinho por outra, que possuem um sentimento de lealdade, proteção etc.

A amizade pode existir entre homens e mulheres, irmãos, namorados, maridos, parentes, pessoas com diferentes vínculos. É um relacionamento social voluntário de intimidade. Algumas bases do sentimento de amizade são a reciprocidade do afeto, ajuda mútua, compreensão e confiança.

A amizade pode ter diversas origens, como o meio em que as pessoas convivem, por exemplo, o trabalho, o colégio, a faculdade, amigos em comum, mas também pode surgir por acaso. Alguns amigos, inclusive, se chamam de melhores amigos, pois se consideram mais que amigos, um irmão de coração.

A amizade não precisa acontecer com pessoas exatamente iguais, com os mesmos gostos e vontades, e em certos casos é exatamente esse o facto que os une. A amizade tem a função de acrescentar ao outro, com suas ideias, momentos de vida, informações, ou é apenas ter alguém para dividir momentos e sentimentos.

Alguns valores, atitudes e comportamentos relacionados com a amizade podem variar de acordo com a sociedade ou com o momento específico da história.

Depois de uma breve e sintética definição de amizade podemos considerá-la como o sentimento mais puro que pode existir entre as pessoas e os nossos melhores amigos serão sempre as nossas mulheres ou os maridos se assim não for não existe nada entre o casal.

À primeira vista parece que é fácil ter amigos, nada mais de errado pensar desta forma os amigos para muitos nós, no sentido puro do termo, podem-se muitas das vezes contar pelos dedos de uma mão. A amizade cultiva-se, rega-se e trata-se como se fosse uma flor ou uma árvore que se deseja que cresça de forma firme e sustentada, com raízes para quando vêm as tempestades esta possa resistir a todas as intempéries, é assim com os amigos, o processo é o mesmo e não queiram que todos as pessoas sejam vossos amigos por é impossível a maior parte serão, por condicionamento dos próprios apenas conhecidos, porque não são capazes de respeitarem os princípios mais elementares que sustentam uma amizade e isto resulta normalmente da educação que cada um de nós tem e contra isso não há nada a fazer as pessoas são assim e temos que admiti-las como tal, a amizade é a expressão mais livre e espontânea que conheço, agora há que cuidar dela.

Uma outra ideia desejo ficar aqui expressa para que tenhamos amigos não é necessariamente obrigatório que estejamos todos os dias juntos, quando existe amizade entre duas pessoas podemos estar muito afastados em termos espaciais mas quando esta é sólida e consistente cada vez que nos encontramos é como se tivesse estado no dia anterior, para cultivarmos a amizade não é obrigatório que estejamos todos os dias juntos.

Exemplificando com um caso real, eu tenho um amigo à séria que já nem precisamos de falar muito, a cumplicidade é tanta que basta um olhar para nos fazermos entender e como o povo diz e com razão é na cadeia e no hospital que nós podemos ver quem de facto é nosso amigo. Mas concretizando aqui há uns anos atrás, não muitos esse meu amigo teve uma AVC (Acidente Vascular Cerebral), não foi forte mas teve e não estava bem como devem imaginar, assim que fui informado sobre o que é que se estava a passar desloquei-me imediatamente para o Hospital onde ele estava internado, encontrei-o no SO (Serviço de Observação), independentemente de a mulher e os filhos estarem presentes eu nestas situações e como se trata, aqui está em causa o amigo e quem está sempre presente às vezes não tem o discernimento necessário para ajudar quem se encontra numa situação debilitada, eu nestas situações reajo muito bem a meu ver. Cheguei ao Hospital dirigi-me ao SO e como sabem normalmente só podem entrar os familiares, só que no caso vertente o meu amigo estava mesmo em frente à porta de entrada que tem duas janelas redondas, embutidas na madeira e assim que me viu acenou-me, toquei à campainha e pedi ao enfermeiro que me abriu a porta se podia ver o meu amigo ele respondeu-me afirmativamente mas com a recomendação de ser apenas por uns instantes, obviamente que concordei, há regras que devem ser respeitadas, aproximei-me e vi nas máquinas que dão o suporte de vida às pessoas que os valores estavam todos alterados e descompensados, aproximei-me lentamente mas firme e disse-lhe então pá aonde é que pretendias ir sem me dizer nada e ele começou a falar comigo e eu escutei-o com toda a atenção, mas estava sempre a controlar o tempo e o comportamento dos valores que monitorizam o nosso estado de saúde e para grande espanto meu, reparo que há medida que ele vai conversando comigo os valores começam a estabilizar, coisa que o enfermeiro também reparou mas não me disse nada, continuei mais uns breves instantes a escutá-lo com toda a atenção, respondendo apenas quando se justificava, estava a fazer o papel de ouvinte e tudo a normalizar, até que eu volto-me para o meu amigo e digo-lhe tenho que me ir embora para não perturbar aqui as normas do serviço, ele concordou, mas o enfermeiro ao ver que me ia embora vem muito depressa junto de mim e diz-me não, agora não se vai embora, ainda lhe respondi com graça, oh, senhor enfermeiro eu posso-me ir embora eu não estou doente, o meu amigo é que não está lá grande coisa mas aí os senhores sabem tratar dele melhor do que ele, responde-me o enfermeiro, não, não se vai embora se não se importa sou eu que lhe peço que fique mais um bocado e foi-me buscar uma cadeira para eu me sentar. Naquele momento pensei, vá lá, ainda existem pessoas que pensam e que não escrupulosos cumpridores de regras implementadas sabe-se lá com que critério. Eu naquele momento tinha sido o tónico mais revigorante para o meu amigo e simultaneamente ajudei quem tem por missão nas Unidades Hospitalares de desempenhar estas funções, mas há uma coisa que eles ou elas a maior parte das vezes não podem dar e que eu considero muito importante nestas situações que é o afeto, a cumplicidade, o à vontade com que os amigos estão porque não fazem parte desse mundo e foi isso que eu lhe transmiti. Passou mais uma hora e eu saí porque o meu amigo já estava estabilizado e no dia a seguir teve alta e foi para casa.

Este é o exemplo acabado do que é uma relação de amizade, resta-me apenas complementar este texto com a informação que quando eu estive hospitalizado para fazer uma cirurgia abdominal, esse meu amigo não deixou de lá ir todos os dias enquanto estive internado, foi o melhor medicamento que me podiam ter dado poder usufruir da amizade dele quando estava numa situação de inferioridade.

Caríssimos leitores a amizade é isto mesmo o que lhes acabo de descrever, mas gostaria que não pensassem que os amigos não se zangam, claro que sim e este processo também faz parte deste sentimento os amigos respeitam-se mas também se zangam, por não concordar com alguma ideia ou comportamento que o nosso amigo possa ter mas o que é importante nestas circunstâncias é que a amizade seja sólida porque se ultrapassa tudo, eu costume dizer que só me zango com os meus amigos, com os outros não vale a pena, porque apenas são conhecidos.

Henrique Pratas

 

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