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AS CICLOVIAS FAZEM AVANÇAR TODA A GENTE
Autor: Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra

14-02-2020

O cruzamento da Avenida Leste Oeste com a Avenida Pasteur na cidade brasileira de Fortaleza foi sempre complicado de atravessar de bicicleta, especialmente para quem se dirigia no sentido oeste-leste, onde três faixas de automóveis se transformaram em duas. Os dados demonstram que, em todos os 60 minutos da hora de ponta, 360 ciclistas eram obrigados a manobrar em redor e pelo meio de 2700 automóveis, camiões e motocicletas sem quaisquer protecções.

Estas condições não contribuem para a utilização da bicicleta, para não dizer pior. Porém, as bicicletas são muito promissoras, tanto como meio de transporte como modo dos Fortalezenses se dedicarem a uma vida mais activa e resistirem à epidemia de obesidade que varre o Brasil, onde mais de metade da população tem excesso de peso ou é obesa. Com um aumento da obesidade superior a 67% nos últimos 13 anos, pesava sobre a minha administração o ónus de transformar a bicicleta numa escolha mais popular.

O nosso objectivo consistia em tornar Fortaleza – uma maravilhosa cidade costeira, e o quinto maior município do Brasil, com mais de 2,6 milhões de residentes – mais segura e mais saudável. Por isso, começámos a adoptar incentivos que encorajassem o uso da bicicleta, e em especial tomámos medidas para torná-la uma melhor opção de transporte.

O ponto mais óbvio para começar era pelas ciclovias. Quando as estradas não incluem vias dedicadas, os ciclistas têm poucos direitos e pouca segurança. Entre 2010 e 2018, houve 222 acidentes que envolveram bicicletas nas estradas de Fortaleza. Demasiadas famílias foram despedaçadas porque os seus membros mais jovens e saudáveis ficaram incapacitados ou morreram durante as suas deslocações diárias.

No início de 2013, quando assumimos o cargo, a cidade dispunha apenas de 68 quilómetros de ciclovias, e muitos dos nossos passeios encontravam-se degradados ou eram usados como parques de estacionamento, obrigando os peões a deslocar-se por ruas obstruídas com automóveis. Depois de seis anos a renovar a nossa infra-estrutura, porém, os nossos esforços foram reconhecidos internacionalmente, por reclamarem mais de 12 quilómetros quadrados de espaço urbano para os peões e por quase quadruplicarem a extensão total de ciclovias, para os 263 quilómetros.

Hoje, quatro em cada dez Fortalezenses vive a 300 de uma infra-estrutura para bicicletas – o melhor resultado entre as capitais estaduais brasileiras, segundo o Institute for Transportation and Development Policy, sediado em Nova Iorque. Como muitos estudos concluíram que a inclusão de ciclovias tem um impacto económico positivo, especialmente sobre o empresariado local, acreditamos ter feito um bom investimento.

Evidentemente que nem toda a gente sabe andar de bicicleta. Foi por isso que também investimos em faixas dedicadas a transportes públicos. O aumento de 3,2 quilómetros em 2013 para 116 quilómetros em 2019 permitiu que os nossos autocarros passassem da velocidade dos peões para a velocidade das bicicletas. Esperamos que estas melhorias encorajem as pessoas a optar por um modo de transporte mais saudável, mais rápido e mais sustentável do ponto de vista ambiental nas suas deslocações de e para o trabalho.

Um dos maiores obstáculos ao transporte por bicicleta é que poucas pessoas têm bicicleta. O roubo e os custos de compra e reparação das bicicletas são as principais barreiras. A partilha de bicicletas remove estes obstáculos. Em Fortaleza, um novo projecto subsidiado de partilha de bicicletas, chamado Bicicletar Corporativo, proporciona a funcionários municipais o acesso a bicicletas em 16 postos espalhados pela zona do centro. O programa funciona como modelo, que as empresas privadas poderão levar em conta quando encorajarem os seus próprios funcionários a deslocar-se de bicicleta.

Todas estas melhorias, e eventos como o Dia Sem Carros, em Setembro, pretendem tornar a cidade mais segura, não só para os ciclistas, mas para todos os que circulam na estrada. E têm funcionado. Entre 2014 e 2018, as mortes por acidentes na estrada registadas pelas autoridades rodoviárias e de saúde desceram 40%, de 377 para 226.

Hoje, pode montar numa bicicleta e dirigir-se para oeste numa faixa dedicada da Avenida Leste Oeste, que o levará em segurança através do cruzamento com a Avenida Pasteur. Na viagem de regresso, pode utilizar a via que se dirige para leste: os eixos das vias foram recolocados e parte da estrada foi permanentemente reservada às bicicletas. A instalação, no ano passado, de nova sinalização, de marcações de vias e de áreas reservadas para bicicletas em frente aos semáforos são apenas as últimas de uma série de melhorias da segurança rodoviária que estão a ser implementadas pela cidade.

Acompanhar as tendências recentes do transporte pode simultaneamente melhorar a saúde pública e impulsionar o crescimento económico. Em Fortaleza, estamos a adoptar a tendência da utilização da bicicleta porque tem enormes benefícios. A nossa cidade está a mudar para melhor. Mais pessoas estão a andar de bicicleta, e de forma mais segura que nunca, contribuindo para um ar mais puro e para maior bem-estar em cada deslocação. Outras cidades também podem fazer o mesmo. As que mantiverem as suas paisagens urbanas estritamente adaptadas ao tráfego automóvel serão deixadas para trás nas décadas vindouras.

ROBERTO CLÁUDIO RODRIGUES BEZERRA

Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra, prefeito de Fortaleza, Brasil, é membro da Parceria para Cidades Saudáveis, uma rede apoiada pela Organização Mundial de Saúde, Filantropia Bloomberg e Estratégias Vitais.

 

 

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