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Incêndios na Califórnia: qualidade do ar degrada-se abaixo do patamar de segurança e número de mortos aumenta
Autor: Jessica Corbett

30-11-2018

"Se esse tipo de qualidade do ar, por causa dos incêndios, não preocupar as pessoas, eu não sei o que pensar". Enquanto o número de mortos subiu para 80 e cerca de 1.000 pessoas continuam desaparecidas na Califórnia e os bombeiros continuam a batalhar contra chamas destrutivas, experts alertam sobre o perigo da qualidade do ar precária e a ameaça que representa para a saúde pública.  

“O ar da Califórnia excedeu os padrões mundiais de saúde em 60 vezes na semana passada”, notou a Bloomberg na segunda-feira. “Partículas do ar chegaram a 150 microgramas por metro cúbico. O limite estabelecido pela Organização Mundial de Saúde é 25. Níveis mais baixos na segunda-feira ainda assim excederam o marco.”

Resumindo as condições criadas pelos incêndios – que podem causar irritações nos olhos, nariz e pulmões, especialmente entre as pessoas com problemas respiratórios – Rebecca Buchholz, que estuda a poluição advinda de incêndios no Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica em Boulder, Colorado, disse à Bloomberg: “É uma loucura...é incrível como os níveis dessas partículas finas estão altos.”

“Na sexta, residentes do norte da Califórnia, estado sufocado pela fumaça, acordaram para ver os níveis de poluição excederem os de cidades na China e na Índia que, regularmente, se destacam por isso ao redor do mundo”, de acordo com o New York Times. “Nas comunidades mais próximas do incêndio Paradise, uma fumaça apocalíptica cobriu as estradas, os evacuados vagavam com máscaras brancas e oficiais disseram que hospitalizações respiratórias aumentaram.”

Mesmo previsões indicando alívio – SFGate reporta que “deve chegar na terça a noite com ventos empurrando a fumaça e conduzindo à primeira das duas tempestades” – Buchholz explicou que a qualidade do ar precária permanecerá mesmo quando sumir o fogo, e a combustão lenta vai manter a fumaça próxima do solo.

Enquanto o presidente Donald Trump, repetidamente, já colocou a culpa pelos incêndios atuais em uma gerência precária da floresta e ignorou o fato de que cientistas dizem “que a conexão entre a mudança climática e os incêndios maiores é inextricável”, as chamas contínuas incitaram demandas por “uma ação real para manter os combustíveis fósseis no subsolo e por uma transição 100% renovável para todos”.

No entanto, dada a tendência da administração Trump de priorizar a indústria de combustíveis fosseis ao invés da saúde pública, mesmo com os cientistas alertando que a crise climática global – entre outras coisas – continuará a piorar os incêndios florestais, representantes de saúde pública estão ficando cada vez mais preocupados com os impactos sanitários de curto e longo prazo.

Como salientou o Times:

Pesquisas sobre os efeitos sanitários de longo prazo dos grandes incêndios florestais ainda são novas. Mas órgãos científicos mostram como a inalação de minúsculas partículas dos incêndios podem se aninhar no tecido do pulmão e prejudicar o sistema de imunidade do ser humano.

O corpo cria repostas zelosas ao que ele vê como uma presença estranha, e esses efeitos podem perdurar por anos levando o corpo a ter uma reação exagerada quando encontra uma irritação pulmonar subseqüente, disse o  Dr. Kari Nadeau, especialista em alergia e asma pediátrica de Stanford.

Em resumo, pesquisadores como o Dr. Nadeau acreditam que a exposição curta de uma pessoa à um incêndio florestal pode estimular uma vida inteira de asma, alergia e respiração limitada.

“Se esse tipo de qualidade do ar, por causa dos incêndios, não preocupar as pessoas, eu não sei o que irá”, concluiu o Dr. John Balmes, pulmonologista da Universidade da Califórnia em São Francisco.

Enquanto os afetados pela espessa fumaça tiveram que usar a criatividade devido a falta de máscaras recomendadas pelas autoridades – desde a iniciativa de uma vaquinha para comprar respiradores aos que não podem pagá-los até a invenção de purificadores de ar no estilo faça você mesmo – os bombeiros ainda estão trabalhando para conter os incêndios.

O incêndio Camp no Condado de Butte – o incêndio mais mortal do estado, que tomou ao menos 77 vidas – queimou cerca de 151.000 acres, está somente 66% contido, e não é esperado que seja apagado até 30 de novembro, de acordo com uma atualização da CalFire. O incêndio Woolsey nos Condados de Los Angeles e Ventura, que matou ao menos três pessoas e queimou cerca de 97.000 acres, está 94% contido e deve ser extinto até quinta-feira.

*Publicado originalmente no Common Dreams  | Tradução de Isabela Palhares

 

 

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