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Domingo 25 de Agosto de 2019  
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O jazz está de volta à Gulbenkian em Agosto

02-08-2019 - Redacção

O jazz sempre teve na sua raiz a semente da contestação e da mudança, enquanto música movida pelo contexto social à sua volta e capaz de apontar o foco para todo o tipo de arbitrariedades que são frequentemente incómodas e que os olhares preferem tantas vezes ignorar. A música deve carregar consigo um sentido maior, deve ser veículo para a mais profunda expressão de tudo aquilo que nos faz humanos e apontar para uma existência mais digna. O jazz soube, em diversas ocasiões, canalizar e potenciar a contestação e a revolta de uma forma impossível de silenciar.

No seu livro  33 Revolutions per Minute , o jornalista inglês Dorian Lynskey traça uma história da música de protesto e aponta para Strange Fruit, a inesquecível canção de Billie Holiday, como o possível nascimento da contestação sob a forma de uma canção popular – “não era a primeira canção de protesto, de todo, mas era a primeira a carregar uma mensagem política explícita para a arena do entretenimento”. Ao atirar o tema sobre o público do Café Society, em Março de 1939, a voz sofrida de Holiday deixava todos presos a cada palavra e tornava claro que uma canção tinha em si o condão de agitar as águas e promover a transformação.

Jazz em Agosto, anfiteatro / Fotografia de Márcia Lessa

Nesse sentido, também o guitarrista Marc Ribot defende que todos os movimentos impulsionadores de mudanças sociais e de resistência têm a sua banda sonora. E foi por isso que o músico, colaborador habitual de nomes fundamentais da criação do nosso tempo como Tom Waits e John Zorn, arregaçou as suas mangas revolucionárias e reuniu um cancioneiro que batizou como  Songs of Resistance , em resposta ao turbulento contexto social e político vivido atualmente nos Estados Unidos. É a Marc Ribot e ao seu insubmisso projeto que cabe o concerto de abertura do 36.º Jazz em Agosto, dando o mote para uma edição sob o signo da resistência e do grito coletivo clamando por um mundo mais justo.

Marc Ribot / Fotografia de Ebru Yildiz

É a esse mesmo grito que se juntam Heroes Are Gang Leaders, Burning Ghosts, Nicole Mitchell ou Ambrose Akinmusire. Mas a revolução apregoada neste Jazz em Agosto estende-se igualmente para lá da sua dimensão mais política, num ano em que, às noites no Anfiteatro ao Ar Livre, se voltam a juntar os concertos da tarde no Auditório 2, lembrando-nos quão revolucionária é também a vanguarda musical que descobrimos em Ingrid Laubrock e Tom Rainey, Théo Ceccaldi, Julien Desprez, Mary Halvorson, Tomas Fujiwara, Zeena Parkins, Han-earl Park ou no quarteto Toscano, Pinheiro, Mira e Ferrandini.

Locais de venda

Fundação Calouste Gulbenkian
Av. de Berna, 45-A
Dias úteis das 10:00 às 19:00 | Sábados das 10:00 às 18:00
Domingos e Feriados (só em dias de espetáculo) das 13:00 às 19:00
Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna
Rua Dr. Nicolau de Bettencourt
Quarta a segunda das 10:00 às 18:00 e uma hora antes de cada evento
Online
gulbenkian.pt/jazzemagosto/

Preços
Marc Ribot – Songs of Resistance – 20,00 euros

Heroes are Gang Leaders – The Amiri Baraka Sessions
Burning Ghosts
Nicole Mitchell – Mandorla Awakening II: Emerging Worlds
Théo Ceccaldi – Freaks
Tomas Fujiwara – Triple Double
Ambrose Akinmusire – Origami Harvest
Mary Halvorson – Code Girl

(todos a 15,00 euros)

Maja S. K. Ratkje
Ingrid Laubrock & Tom Rainey
Toscano/Pinheiro/Mira/Ferrandini
ABACAXI
Joey Baron & Robin Schulkowski
Zeena Parkins & Bruce Chase
ERIS 136199
(todos a 6,00 euros)

Abdul Moimême – Entrada Gratuita. Mediante levantamento prévio de bilhete no próprio dia, na bilheteira do Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna, a partir de uma hora antes do evento

Passes
Passe Anfiteatro e Grande Auditório – 90,00 euros
(8 concertos às 21:30)

Passe 1º fim-de-semana XL – 50,00 euros
(Dias 1, 2, 3 e 4 às 21:30)

Passe 2º fim-de-semana XL – 45,00 euros
(Dias 8, 9, 10, 11 às 21:30)

Passe Auditório 2 – 20,00 euros
(7 concertos às 18:30)

Descontos
50% — jovens até aos 30 anos
20% — maiores de 65 anos
Descontos não disponíveis online, apenas aplicáveis mediante apresentação de documento comprovativo e não acumuláveis com os passes.

 

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