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Foi há 100 anos que este eclipse ajudou a provar a maior teoria de Albert Einstein

31-05-2019 - José Malta

A 29 de Maio do ano de 1919, ocorria um eclipse total do Sol que seria apenas visível no hemisfério sul e cujas observações viriam a complementar uma das mais esbeltas teorias da física moderna, numa altura em que a ciência se encontrava repleta de homens e mulheres com ideias e trabalhos que visavam revolucionar um mundo cada vez mais dependente desta. Com uma duração total de quase 7 minutos, este fora o mais longo eclipse total do Sol alguma vez testemunhado nos últimos 500 anos desde à data, sendo um dos fenómenos mais aguardados na época. Contudo, mais do que um mero eclipse, este fenómeno poderia trazer consigo dados importantes sobre uma teoria que teria abalado o universo científico recentemente.

Os cientistas registaram o eclipse em placas a partir da observação do telescópio

Em 1915, Albert Einstein teria proposto a teoria da relatividade geral, uma teoria que viria a acrescentar toda uma nova dinâmica à física moderna e que necessitaria de dados experimentais para que pudesse ser comprovada, neste caso um teste da deflexão da luz. Um outro físico britânico, especialista em astrofísica, Arthur Eddington, que colaborou com Albert Einstein nos postulados teóricos dessa teoria, foi um dos que viajou para o hemisfério sul com a missão de observar o fenómeno. Segundo a teoria da relatividade geral, uma das estrelas visíveis nas proximidades do Sol deveria aparecer numa posição mais distante do que o que seria suposto pois a luz deveria ser ligeiramente desviada pela atracção gravítica do próprio Sol. Tal efeito apenas poderia ser observado de modo inequívoco durante um eclipse total e esta seria assim uma oportunidade única: a relatividade geral pressupunha um maior desvio da luz daquilo que seria previsto refutando os fundamentos da física clássica que tinha como base a mecânica newtoniana. Cem anos depois, este continua a ser um dos mais incríveis feitos da ciência continuando a ser recordado como se ainda ontem tivesse ocorrido.

Este tratava-se de um eclipse onde seriam observáveis diversas estrelas brilhantes próximas do Sol, algo que não seria expectável observar-se nos anos seguintes e que poderia comprovar a veracidade de uma teoria que dar um contributo essencial à física moderna. Assim, duas equipas de cientistas prepararam de um modo bastante organizado uma expedição ao hemisfério sul. A primeira, chefiada pelo então Arthur Eddington, dirigiu-se para a Ilha do Príncipe, em São Tomé. A segunda, sob a direcção de Andrew Crommelin, colega de Eddington que não colaborava directamente com Einstein, observou o eclipse no Sobral, estado de Ceará no Brasil. Estes locais foram escolhidos pelas equipas, devido às condições que melhor permitiriam uma observação total do fenómeno.

Imagem do eclipse solar de 1919, que Arthur Eddington usou como evidência para a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein

Durante o eclipse, Eddington tirou diversas fotografias das regiões situadas em torno do Sol. Com um total de 19 chapas fotográficas, durante um total de cerca de trezentos segundos que durou o fenómeno. Já no Sobral, as condições climatéricas tornar-se-iam mais favoráveis, permitindo excelentes fotografias do eclipse. Aos analisarem-se os negativos das fotografias, foi possível concluir que as estrelas não ocupavam as posições habituais que se esperaria, encontrando-se ligeiramente deslocadas das suas posições. No caso de Eddington poucas foram as fotografias que apresentaram qualidade devido ao mau tempo. Assim, com a ajuda dos trabalhos de Crommelin, conseguiu-se obter imagens fundamentais para complementar com as fotografias tiradas por Eddington.

A partir destes resultados, as equipas de investigação deduziram que os raios de luz provenientes dessas estrelas sofreram desvios das supostas trajectórias rectilíneas sendo por isso a propagação da luz influenciada pela presença de um campo gravitacional, o do Sol neste caso. As observações alimentaram os alicerces desta teoria que ainda teria enormíssimos desafios para ser desvendada e que, com o contributo de outros cientistas, traria consigo enormes desafios para a ciência em si.

Este foi um dos mais belos fenómenos alguma vez relatados durante toda a história da ciência. As observações astronómicas desta noite conseguiram dar luzes a uma das mais importantes teorias que necessitaria de dados experimentais para que pudesse ser comprovada. A dupla Einstein-Eddington, assim como a inclusão de outros cientistas, foi a prova de como o trabalho entre pessoas da mesma área, mas com especialidades diferentes poderia ter um único fim, como em grande parte dos grandes feitos na ciência. Porém ainda outros mistérios teriam de ser desvendados para que esta os postulados desta teoria fossem totalmente inequívocos.

Em 1974, foram detectadas pela primeira vez estrelas binárias, estrelas resultantes da partilha do centro de massa entre uma estrela de neutrões e um pulsar, algo que a relatividade geral conseguia justificar.

Já em 2016 foram detectadas pela primeira vez ondas gravitacionais, ondas na curvatura do espaço tempo que conseguem propagar-se à velocidade da luz, evidenciando novamente aquilo que Albert Einstein previa. Ainda este ano, foi pela primeira vez observado um Buraco Negro pela NASA, outro feito que conseguiu fascinar o mundo que testemunhava a prova de mais uma evidência da teoria da relatividade geral, onde mais uma vez os pressupostos formulados por Einstein se apresentavam certos. Ainda serão necessários outros esforços para que sejam feitas novas descobertas que possam de modo inequívoco a teoria da relatividade geral pois ainda existem lacunas que ainda necessitam de ser clarificadas de modo a comprovar uma das mais belas teorias de sempre no seu todo.

Há cem anos, olhávamos para o céu e sonhávamos ir mais além, em busca pelo que ainda era desconhecido. Hoje sabemos muito mais sobre esse céu e olhamos com essa mesma vontade e o mesmo espírito ao querer saber respostas a questões que aparentemente não as têm, sabendo que ainda há muito mais por descobrir e mistérios por desvendar. Há cem anos escrevia-se um dos mais belos capítulos da história de uma das mais célebres teorias da física moderna. Com o passar dos anos conseguimos encontrar novos dados e informações que conseguem dar razão às teorias propostas por Albert Einstein, comprovando as suas extraordinárias capacidades enquanto físico, matemático e até mesmo como ser humano, que ainda hoje se estendem movendo outros cientistas na procura de respostas para os mistérios que ainda não apresentam qualquer solução. Mas graças ao esforço dos cientistas e de toda a comunidade é possível chegar mais longe e continuar a olhar para um céu, cujos limites ainda desconhecemos, assim como desconhecemos os limites do sonho que há no ser humano.

Fonte: Comunidade Cultura e Arte

 

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