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‘O Labirinto da Saudade’, documentário sobre Eduardo Lourenço, estreia na RTP1

25-05-2018 - Redacção

O Labirinto da Saudade”, adaptação da obra homónima, é um ensaio documental narrado pelo próprio Eduardo Lourenço que percorre os espaços da sua memória e da própria história e identidade portuguesa, em busca da resposta do que é, afinal, isto de se ser português.

“No princípio, por ser baseado no livro, pensei que não haveria qualquer referência à Annie, a minha mulher. Mas está lá tudo, o que devia estar, o amor e uma ausência sem solução. E com ela estão os meus amigos que partilharam estes pensamentos e foram de uma generosidade talvez excessiva, pra mim, e que me é muito difícil de suportar.”, disse Eduardo Lourenço depois de ver numa sessão privada do filme durante a fase de montagem em casa de Pilar Del Rio.

Um grupo de amigos do professor Eduardo Lourenço que têm tido o privilégio de lhe estarem próximos, onde se destacam os nomes de António Ramalho Eanes, José Carlos de Vasconcelos, Luís Sequeira, Pilar Del Rio, entre outros, decidiram celebrar a sua vida e obra através da realização de um documentário cinematográfico que se constituísse como uma herança para as gerações vindouras.

Eduardo Lourenço é uma figura ímpar da cultura europeia e tornou-se uma referência obrigatória do pensamento filosófico português. A divulgação da sua obra é uma responsabilidade social e deve ser feita de forma a torná-la acessível a todos os públicos. Fazê-lo através da imagem cinematográfica, com a sua própria participação, foi um desafio aliciante que nos deu a conhecer o escritor, o filósofo, o pensador e, por detrás de todos, o Homem simples que se apresenta como cada um de nós.

A produtora Longshot desde o início encarou este desafio como a oportunidade de apresentar Eduardo Lourenço na sua forma original e multifacetada, em que sobressaem os valores de toda uma vida dedicada ao conhecimento, ao sentido humano e à atenção permanente do evoluir da história, onde se cruza com figuras como Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Sophia de Mello Breyner, Agostinho da Silva, José Saramago, entre outros.

A produtora, face à qualidade pretendida para o filme, convidou o realizador Miguel Gonçalves Mendes para dirigir uma equipa de exigência cinematográfica que, num ambiente de extraordinária beleza (Bussaco) pudesse captar a essência do extraordinário pensamento do “actor de si próprio”, Eduardo Lourenço.

Miguel Gonçalves Mendes, o mesmo que realizou “José e Pilar”, adapta assim ao cinema uma das obras mais lúcidas da cultura portuguesa – “O Labirinto da Saudade” de Eduardo Lourenço – numa viagem única pelo interior de uma mente brilhante. Aos 94 anos, o escritor e filósofo Eduardo Lourenço projecta pelos espaços da sua memória as perguntas que até hoje nele perduram. Que traumas nos definiram enquanto povo? Quem somos? O que fizemos? Que atrocidades cometemos? Quais os caminhos que podemos seguir? Estas questões são o ponto de partida para “O Labirinto da Saudade”, um filme sobre uma “nação condenada desde a sua origem a esgotar-se em sonhos maiores do que ela própria”, mas também a celebração da vida e obra de um dos maiores autores da cultura Portuguesa.

Narrado e protagonizado pelo próprio Eduardo Lourenço, o documentário percorre os corredores da sua memória e da história de Portugal. Pelo caminho, cruza-se com fantasmas do nosso passado e amigos do seu presente – figuras marcantes da cultura lusófona como Álvaro Siza Vieira, José Carlos Vasconcelos, Diogo Dória, Gonçalo M. Tavares, Lídia Jorge, Ricardo Araújo Pereira e Gregório Duvivier, que assumem o papel de interlocutores e condutores das reflexões escritas no livro.

“Nunca imaginei na minha vida ser actor de mim próprio. Obrigado Miguel. Isto foi uma das grandes surpresas da minha vida, tudo isto. Que não sei bem o que é: uma espécie de ficção – uma ficção encantatória -, diria, para me dar algum relevo antes de me ir embora. É uma espécie de requiem.” disse Eduardo Lourenço após visualizar o filme e acrescentou ainda: “É uma imagem interessante porque uma das coisas que mais me impressionou na vida foi o primeiro filme que eu vi sobre Dom João, rodeado de musas. Há demasiadas musas neste filme. E tenho a sorte de ter tido bons amigos na vida, como este cineasta.”

“O Labirinto da Saudade” estreia na RTP1 no próximo dia 23 de Maio, quarta-feira, pelas 20h54, e depois no dia 24 de Maio estreia nos seguintes cinemas:

NOS Cinemas Amoreiras (Lisboa)

NOS Cinemas Alamdeda Shop & Spot (Porto)

NOS Cinemas Alma Shopping (Coimbra)

UCI Cinemas El Corte Inglés (Lisboa)

UCI Cinemas Arrábida Shopping (Gaia)

Fonte: Comunidade Cultura e Arte

 

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