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Questões Oportunas

OS HOMENS-RATO
14-02-2020 - Manuel Damas

Considero o rato um animal nojento. Mas mais repelente e abjeto é o homem-rato. Que pela frente bajula e adula e, por trás, critica e insulta.

E é conhecida a vox populi... ”Os ratos são os primeiros a abandonar o navio que se afunda”...

”Os ratos são os primeiros a abandonar o navio que se afunda”.

Refiro-me à procissão de homens-rato que hoje se dedicam a, na Praça Pública, apedrejar Isabel dos Santos por quem “ontem” babavam, publicamente, chamando-a “Princesa Africana”...

É inquestionável que Isabel dos Santos é uma criminosa! Duplamente, até. Porque dizendo-se uma mulher de esquerda roubou o Povo, que ela dizia defender. Ao roubar milhares de milhões de Angola é a Educação que é roubada, a Saúde, a Justiça, o Saneamento, entre outros sectores da Sociedade. É o futuro da População que está a ser roubado. Por quem a jurou proteger.

Mas este texto refere-se a toda a hipocrisia que, no decurso de todo este caso ignóbil, explodiu.

Os Homens-rato. Foi o jornal “Expresso” que, em Portugal, à boleia de um consórcio internacional de jornalistas, deflagrou a bomba.

O mesmo jornal que, tempos antes, fazia com pompa Isabel dos Santos capa da sua “Revista”.

Não deverá ter sido pela guerra que o Grupo Impresa, detentor do “Expresso”, trava em Angola envolvendo os direitos de transmissão e distribuição da SIC...

Nem tampouco deverá ser pela cada vez maior influência que o BE (Bloco de Esquerda), através de Louçã, Daniel Oliveira e alguns outros deputados menores, têm vindo a conquistar no “Expresso”...

Não foi Louçã e mais dois bloquistas que há tempos lançaram na Bertrand o livro “Os Donos Angolanos de Portugal”?...

Os tais Homens-rato...

Até o minúsculo Mendes veio, histriónico, defender que “As autoridades portuguesas deviam estar a pressionar Isabel dos Santos para vender a sua posição no Eurobic”...

Só não percebo quem falou...se foi o Luisinho, eterno candidato a substituto de Marcelo ou se foi o Presidente da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos... Angola.

Os tais Homens-rato.

E a hipocrisia continua, cavalgante...

Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças, de José Sócrates e atual Presidente do EuroBic, veio anunciar o fim das relações comerciais do banco com Isabel dos Santos. A mesma que é sócia maioritária do Banco e que votou a nomeação de...Teixeira dos Santos para presidente do Banco.

Homens-rato.

E a postura patética do Banco de Portugal?...

As regras das transferências bancárias não foram recentemente alteradas passando a ser obrigatório reportar ao BdP transferências superiores a 10.000 euros? E Isabel dos Santos não transferiu milhões?...

E as transferências bancárias internacionais não demoram vinte e quatro horas, pelo que podem ser bloqueadas a qualquer momento? Ou por serem milhões a transferência passa a ser imediata?...

E, certamente, não terá sido nenhum funcionário menor a tratar de tal transferência... pelo que grita a pergunta... quem autorizou? Quem assinou por baixo?...

“Ad latere”, não deixa de ser “interessante” que em agosto de 2012, a Revista Forbes, nomeou Isabel dos Santos como uma das pessoas mais ricas de África e a mulher mais rica do continente africano.

Pouco depois foi anunciado que uma edição bimensal da Forbes em português passaria a ser editada em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. A parceria foi assinada entre a Forbes e a ZAP, empresa em que a filha do presidente de Angola, Isabel dos Santos, tem uma participação de 70%... “Tu, quoque”, Forbes?...

Em simultâneo, em Portugal ninguém “reparou” que vários membros do governo angolano estavam a comprar apartamentos de luxo em Portugal? E em “quantidade”?...

Foi no empreendimento de luxo "Estoril Sol Residence" na região de Lisboa, a preços entre um e onze milhões de euros.

Um dos nomes referenciados é o de António Domingos Pitra Costa Neto, ministro da Administração Pública e o outro é o de Fátima Geovetty, esposa do ministro do Estado e chefe da Casa Militar, general Hélder Vieira Dias, conhecido como “Kopelipa”. Pitra Neto comprou cinco apartamentos na Torre Baía. Cinco apartamentos de luxo... O General “Kopelipa” comprou dois. Assim como o ex-ministro das Finanças de Angola comprou quatro apartamentos. Repito... quatro apartamentos... No empreendimento onde Isabel dos Santos comprou uma “penthouse” por 11 milhões de euros... Mas, “ninguém” viu nada...

Assim como quando a imprensa portuguesa cita as empresas portuguesas que podem ser “contagiadas” por todo este mega escândalo de corrupção financeira luso-angolana, é notório o esforço em fazer esquecer a SONAE.

Mas Isabel Santos juntou-se à Sonae para tornar-se, em setembro de 2013, sua parceira na NOS, a herdeira da operadora de cabo ZON, empresa que resultou de uma cisão do grupo PT. E a fusão da ZON com a Optimus operadora do Grupo SONAE. A parceria na NOS fez-se através da ZOPT SGPS, que detém 52,15% da NOS. A ZOPT é detida em partes iguais por Isabel dos Santos e empresas a si associadas e a Sonae SGPS e holding da família Azevedo, a Efanor.

E são notórias as “coincidências” na imagem da cadeia de hipermercados “Candando” de Isabel dos Santos e da cadeia de hipermercados Continente...

Um sinal da “indepedência” da imprensa lusa...

Entretanto a PricewaterhouseCoopers anunciou que cessou todos os contratos de serviços a empresas controladas por Isabel dos Santos. Mas não era a PwC que fazia as auditorias às empresas de Isabel dos Santos?

Não era a PwC que, após as auditorias que “realizava” lhes garantia a chancela de qualidade e de legalidade?...Não foi por isso que se demitiu o responsável pela PwC em Portugal?

Não foi o Governo português que autorizou Isabel dos Santos a entrar no capital do BCP?... O acordo não foi dado pelo próprio primeiro-ministro, António Costa, numa reunião pessoal com a empresária angolana?...

Pelo caminho ficam os elogios sibilinos de Marcelo Rebelo de Sousa quando a imprensa brasileira dizia...

“Há um fenômeno em Angola: o surgimento de grupos econômicos fortes. Nos últimos oito anos, por iniciativa do presidente José Eduardo dos Santos houve a redistribuição do poder econômico aos antigos generais ou às figuras de relevo da política"...

Bem escrevia, na “Cantata da Paz”, Sofia de Mello Breyner:

“Vemos, ouvimos e lemos

Não podemos ignorar”.

Título, Imagens e Texto: Manuel Damas, Londres, 21-1-2020

 

 

 

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