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Questões Oportunas

A pequena família socialista
22-03-2019 - Graça Franco

O PS começa a ser acusado de nepotismo, não porque Mariana é filha de Vieira da Silva ou Eduardo Cabrita casado com a ministra do Mar, não será também porque a chefe de gabinete do novo-secretário de Estado é casada com o novo ministro Pedro Nuno ou porque …ou porque. O problema está em serem tantos os casos, num único Governo.

“O povo tem o direito de questionar e de querer garantir que os cargos de poder político não são usados para que alguns se sirvam a si e às suas famílias. E é obrigação dos políticos não apenas garantir que essa situação não tem lugar, mas também responder, com verdade, às dúvidas e perplexidades que possam surgir”. A afirmação é do ministro Pedro Nuno Santos sobre a nomeação da respetiva mulher para chefe de gabinete de um novo secretário de Estado, e amigo comum. Concordo.

Porque partilho a tese “Nunista” vejo com a maior preocupação as explicações dadas pelo novo ministro. Ele conta-nos o encontro da política com a simples história de amor de duas pessoas competentes que se encontram nos mesmos meios políticos frequentados por ambos. Mas isto nada nos descansa sobre a dimensão da pequeníssima família socialista em que se tornou o atual Governo. Mesmo sem pensar no que seria um eventual Governo de maioria.

Catarina Gamboa não é, como erradamente pensa o marido-ministro, “mulher dele” e, depois, “uma pessoa muito competente”. O simples facto de a descrever assim deixa-nos uma pulga atrás da orelha. A questão não está em saber se a nova chefe de gabinete do novo secretário de Estado (Duarte Cordeiro, com quem já trabalhava na Câmara de Lisboa) é ou não, uma pessoa capaz para desempenhar aquele cargo que é, além do mais, de pura confiança política.

O facto de um vereador da câmara passar a secretário de Estado, sobretudo quando a relação com o presidente da Câmara não parece a melhor pode ser uma ótima decisão política, mas não implica que a vereação passe, lá por isso, a Secretaria governamental. Ser “capaz”, não significa ser a melhor pessoa para ocupar o lugar. Ora, num Governo, é esse mínimo que se exige!

A confiança política não se restringe a estar habituado a trabalhar com alguém ou ser amigo de.

O PS começa a ser acusado de nepotismo, não porque Mariana é filha de Vieira da Silva ou Eduardo Cabrita casado com a ministra do Mar, não será também porque a chefe de gabinete do novo-secretário de Estado é casada com o novo ministro Pedro Nuno ou porque …ou porque. O problema está em serem tantos os casos, num único Governo. Apenas isso. Porque dá demasiado a aparência de que os eleitos são afinal uma pequena elite, que já se juntava para jogar às cartas e nesta legislatura passou a reunir-se no Conselho de Ministros.

O país é pequeno. Sabia-se. Os primos são uma instituição nacional. Nada de novo. Admitamos, também, que a elite portuguesa sempre foi pequena e a mobilidade social nunca foi grande (Ernâni Lopes não se cansou de o teorizar…). Por isso, a probabilidade de todos na classe mais letrada se conhecerem e se irem casando com os filhos uns dos outros é grande. Não por acaso é frequente músicos políticos e políticos músicos, filhos de ministros da oposição casados com filhas de gente do Governo. É a vida.

Mesmo sem falar nas conexões familiares entre o poder executivo, legislativo, judicial, e económico, o que torna mais preocupante a composição deste Governo é a ausência de representação de muitíssimas outras famílias socialistas, tornando o Governo Costa quase num Governo de tendência (no caso a tendência para um homem só!).

Não nos digam que não há entre os Soares alguém que possa ser ministro, ou pelo menos um excelente secretário de Estado. Compreende-se que não existam Seguros, mas entre Sampaios da Nóvoa, Sampaios, Guterres, Grilos, Correias de Campos, Rodrigues, Serras, Gamas, Brederodes, Sousa Francos e demais não haverá caras novas? Excluo naturalmente a família socrática porque já está bem posicionada em demasiados campos e, além de muito próximos do executivo, criaram demasiados anticorpos.

Na mesma frágil e escassa elite política os chefes de Governo também poderiam acrescentar alguns apelidos de independentes, ou mesmo da atual oposição (entretanto convertidos ao “socialismo”, quer por oposição aos progenitores quer por opção própria e certa rebeldia!).

Moreiras já temos. Mas no Conselho de Ministros poderiam passar a ter maior participação não apenas Braganças, mas Arriagas, Vitais, Kaúlzas, Sassettis, Soares Carneiros, Pereiras Coutinho, Portas, Anacoretas, ou até Silvas. Isto para já não falar em antecipar, desde já, coligações futuras com Martins, Carvalhas, Sousas e Louçãs. Não seria prova de anti-nepotismo, mas sempre evitaria suspeitas infundadas.

Costa teria prevenido a pior leitura, a de que o seu Governo é cada vez mais e apenas o Governo de António só. Também evitaria aos ministros a maçada de terem de vir explicar em posts, blogs, twites e congéneres, meras coincidências políticas, sempre desagradáveis.

Fonte: RR

 

 

 

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