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Questões Oportunas

Costa não tem 600 milhões por ano para honrar o compromisso com professores
15-06-2018 - Jorge Bateira

Costa não tem 600 milhões por ano para honrar o compromisso assumido com o descongelamento das carreiras dos professores e a respectiva contagem.
De facto, para   permitir que o Orçamento se encaminhe rapidamente para saldos positivos, será certamente verdade. Portanto, aquilo que temos de discutir - mas, nem os sindicatos, nem os partidos da esquerda discutiram - é a razoabilidade da política orçamental que nos é imposta pelas regras da zona euro.

Convém lembrar que a economia e o orçamento estão intimamente ligados. Uma despesa pública adicional de 600 milhões, no fim do ano, não corresponde a um agravamento no saldo orçamental no mesmo valor. Recorde-se o que sucedeu com a reposição de salários na função pública (aumento da despesa) e a normalização do IRS (redução da receita): registou-se um efeito multiplicador sobre o Produto da economia (PIB) o que, em termos percentuais (Défice/PIB), fez baixar o défice. Porque é que António Costa fala agora dos 600 milhões e omite o efeito multiplicador que tal despesa teria na economia? Aliás, porque é que preferiu usar o acréscimo de receita, obtido com o crescimento acima do orçamentado no ano anterior, para abater à dívida em vez de o investir, fazendo crescer a economia e, dessa forma, baixar a percentagem da dívida através do aumento do PIB?

A resposta a estas perguntas - repito, ausentes do debate parlamentar - pode ser esta: conquistar a confiança dos mercados financeiros para ver se a crise da dívida pública italiana (e por conseguinte a retoma da crise do euro) não atinge a dívida pública portuguesa. Se assim for, António Costa está redondamente enganado. Nos últimos dias os mercados financeiros já nos estavam a associar à dívida italiana, devagar mas persistentemente. E será isso que farão no futuro por uma razão bem simples mas de que nunca se fala nos media: um Estado que se endivida em moeda estrangeira (€) não pode garantir o pagamento da sua dívida. Só os Estados que têm um banco central é que estão livres da especulação dos mercados financeiros contra a sua dívida soberana. Por isso é que agora se pretende criar um Fundo Monetário Europeu (FME) destinado a comprar a dívida aos países sob especulação. Como o BCE não pode ser um banco central como os outros, o dinheiro do novo FME terá de vir, no essencial, do orçamento dos Estados. E os mercados financeiros sabem perfeitamente que o governo alemão não vai torrar o dinheiro dos seus cidadãos na Itália. Não haverá FME que chegue para resgatar a Itália e, portanto, para salvar o euro. Só mesmo Draghi o pode fazer porque os computadores criam dinheiro sem limite. Mas, nesse hipotético caso de rebeldia contra o ordoliberalismo alemão, seria a Alemanha a propor o desmantelamento do euro. De qualquer forma, o euro tem os dias contados.

Nota final para os meus amigos do BE e outros críticos envergonhados do euro. Por favor não me venham dizer que o povo não está preparado para esta crítica que aqui deixo. É que, em momentos cruciais como o deste debate, nunca o BE fez a pedagogia que se impunha. Parece que o BE não quer mesmo preparar o povo. Provavelmente porque ainda não sabe bem o que quer.

Jorge Bateira

 

 

 

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