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Questões Oportunas

Caso Skripal: a mentira ruiu (com estrondo)
13-04-2018 - Redacção

A acusação do governo britânico segundo a qual Moscovo teria envenenado o ex-espião Skripal e a filha dele está a desmoronar de forma estrondosa. Revelando-se por aquilo que é: uma imensa fake news do Estado, uma espécie de atentado false flag,bastante desajeitado até.

O Director de Porton Down, o principal laboratório militar britânico em tema de armas químicas e biológicas, admitiu: não há nenhuma evidência de que o gás Novichock (supostamente) utilizado contra Skripal seja de origem russa.

O ponto é que o Ministro do Exterior britânico, o fantasmagórico Boris Johnson, num tweet de 22 de Março tinha afirmado de forma categórica que a análise realizada no Laboratório de Ciência e Tecnologia de Porton Down por especialistas "de classe mundial" determinou que o responsável tinha sido o agente nervoso Novichok produzido na Rússia. E a notícia espalhou-se de imediato pelos quatro cantos do planeta.

Resumindo: o governo de Sua Majestade utilizou a palavra dos seus cientistas "de classe mundial" sem antes questioná-los. E não acaba aqui: o espectacular Boris Johnson apagou o tweet em questão e negou ter afirmado a origem russa do gás. tarde demais: o tweet já tinha sido copiado e também está disponível na internet a entrevista de Boris à revista alemã Deutsche Welle, onde afirma "categoricamente" que Porton Down reconheceu o veneno como de produção russa.

O tweet de Boris Johnson: "A análise feita pelos especialistas de nível mundial no Laboratório de Ciência e Tecnologia da Defesa em Porton Down deixa claro que se tratou de um agente nervoso de nível militar Novichok produzido na Rússia. Porton Down é um laboratório credenciado e recomendado pela OPWC [Organização para a Proibição de Armas Químicas, ndt]

Agora, o Chefe do centro de pesquisa de Porton Down, Gary Aitkenhead, anunciou numa entrevista pública que os seus membros nunca determinaram em qual País tinha sido produzido o Novichok.
Eis a notícia publicada pela rede Hispan Tv, que reporta a entrevista de Aitkenhead à SkyNews:

"Boris Johnson tem muitas perguntas às quais terá de responder" afirma Jeremy Corbyn, líder da oposição trabalhista que durante semanas tinha ficado no centro do furacão com ataques e insultos da imprensa britânica ("traidor" e, não podia faltar, "anti-semita") por ter recusado juntar-se ao coro de acusações em provas. Corbyn estava certo enquanto a imprensa, o simpático Boris e sobretudo o governo de Theresa May mentiram.

E os 28 Países ocidentais, incluindo 15 da União Europeia, que aderiram à acusação completamente sem fundamento, expulsando em massa os diplomatas russos? Donald Tusk e Federica Mogherini, da União, que tinham declarado o seu absoluto apoio ao Reino Unido? A Nato que expulsou sete funcionários russos e recusou credenciar novos enviados de Moscovo? Todos aqueles que aderiram a esta demente provação, feita apenas de incivilidade nas relações internacionais, que poderia ter causado problemas bem maiores? Todos os meios de comunicação que, espumando pela boca, seguiram a palavra do dono sem parar para pensar? Tivemos aqui uma prova viva e assustadora da criminosa irresponsabilidade utilizada pelas potências ocidentais, da irracionalidade dos nossos políticos que, em coro, obedecem ao automatismo do qual conhecemos a origem.

O governo chinês tinha condenado de forma explícita esse comportamento incivilizado dos ocidentais. E o Ministro da Defesa, Wei Fenghe, disse sem rodopios:

A China veio informar aos americanos sobre quão próximos estão os laços entre as forças russas e aquelas chinesas.

Uma linguagem sem adoçantes, clara e limpa.

A questão é que, agora, ninguém no Ocidente está a pedir desculpa. A delinquente falsidade foi aceite e espalhada, agora é só assobiar para o lado. Tusk, Mogherini, Macron, Stoltenberg, Merkel: são capazes de admitir publicamente o "erro" (eufemismo...)? Não. Atiraram o Ocidente para um clima que fez lembrar a Crise dos Mísseis de Cuba, algo saído directamente das páginas mais negras da Guerra Fria, para depois eclipsar-se.

Eis quanto custou a brincadeira do governo inglês:

A verdade é que só a firmeza e o sangue frio de Putin e do Ministro Lavrov evitaram consequências bem piores numa história com moldes ainda obscuros. Por enquanto ficam só as perguntas: quem utilizou o gás contra Skripal? Quem deu luz verde à operação? Donde provinha o Novichock? Qual o verdadeiro objectivo? E muito importante também: por qual razão o plano foi orquestrado e conduzido de forma tão infantil?

Muitas as perguntas. Mas tranquilos: os nossos melhores órgãos de comunicação já estão ao trabalho e em breve todas as dúvidas estarão dissipadas. Aliás, os resultados já estão a chegar: é só espreitar os artigos publicados hoje aqui no burgo.

Temos a coragem do Diário de Notícias ("Yulia Skripal faz primeira declaração após envenenamento") ou as pérolas do Expresso:

Este último artigo é extremamente interessante: é o único no qual é admitido que não se conhece a origem do gás utilizado no ataque contra o espião Skripal, mas já repararam no título?

No diário Público, realce para a opinião do deputado PSD Paulo Rangel que critica fortemente o governo português por este não ter aderido à vaga de expulsões.

Eis os trechos mais iluminados:

Portugal devia ter-se juntado, no primeiro momento, aos seus aliados que, concertadamente resolveram expulsar pessoal diplomático das representações russas. Teria sido proporcionado ter expulsado um – e só um – desses funcionários. Ou, ao menos, ter chamado o embaixador em Moscovo em perfeita sintonia com o movimento de expulsões. O Governo andou mal, muito mal. E isso não pode nem deve ser menorizado. Terá de ser corrigido, assim que possível. Quanto mais rapidamente, melhor. [...]

Não intercede aqui nem russofobia nem nenhum preconceito contra a Rússia. [...] Esta disposição não nos pode fazer esquecer que a actual liderança russa tem infringido gravemente princípios elementares da ordem internacional (sanciona o uso de armas químicas na Síria; ocupa ilegalmente território georgiano, ucraniano e moldavo; reprime na Tchechénia) e fomenta activamente a instabilidade nos países ocidentais, em constante ingerência nos assuntos internos de cada qual (financiando os partidos de direita e de esquerda radical; interferindo em actos eleitorais e referendos; apoiando secessionismos). O governo russo tem estado num processo de escalada, parecendo querer, a cada momento, testar e romper novos limites. Esta ofensiva de agressões e de provocações em progressão geométrica tem de ser travada e contida. Foi essa a lição do envenamento de Skripal. [...]

Portugal não ganha nada junto da Rússia e perde muito junto dos seus aliados de sempre.

Admito: com estas poucas linhas Paulo Rangel tornou-se hoje o meu novo guia espiritual, a melhor encarnação do lema "quem rasteja não tropeça". Peço desculpa ao exepcional Boris Johnson, que consegue atingir níveis proibidos aos outros humanos: mas não é nada de pessoal, juro, é só uma mera questão de idioma.

Ipse dixit.

Fontes: Informação Incorrecta

 

 

 

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