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Questões Oportunas

Francisco Louçã: “Cenário de dissolução do euro é perigoso para Portugal”
26-01-2018 - Jorge Bateira

Este cenário do título da notícia é o de uma dissolução caótica. Produziria um abalo na economia mundial e, naturalmente, não seria bom para as nossas exportaçõ es. Mas, de facto, não é imaginável que a Alemanha, confrontada com a saída de um país como a Itália, preferisse o caos. É mais que certo que, confrontada com tal situação, convocaria um conselho europeu de emergência e, para além de um anúncio tranquilizador sobre negociações quanto ao futuro da zona euro, daria instruções ao BCE para bloquear os movimentos de capitais especulativos em cooperação com a Reserva Federal dos EUA, o Banco do Japão e a China.

Em suma, após dez anos de crise e com uma forte oposição ao euro no interior da própria Alemanha, o cenário do caos tornou-se pouco provável.

Outra coisa é o cenário de "recomposição do euro", em que Francisco Louçã admite uma zona euro restrita à Alemanha e países satélites, enquanto os países da periferia poderiam recuperar as respectivas moedas. Este é o cenário que prefere (quem não prefere?): "É isso que é e vai ser, sacrificando-nos enquanto lá estivermos."  

Não sei se é esta a posição oficial do BE, mas é uma atitude política resignada, cabisbaixa, à espera que outros tenham a coragem de fazer o que tem de ser feito para, então, irmos à boleia e colhermos os benefícios.

Precisamente porque o BE até hoje nada fez para informar os portugueses sobre os benefícios do fim do euro, nem sobre as medidas que podemos tomar para minimizar os custos (transitórios) da saída, exigir-se-ia que, pelo menos, o seu líder histórico fosse mais assertivo e fizesse pedagogia sobre um assunto crucial para o futuro do país. Falta-nos investimento na saúde, investimento em lares de idosos e em infantários, investimento em escolas e universidades, investimento em investigação aplicada e em equipamentos e actividades culturais, uma política de reindustrialização do país e de desenvolvimento do interior ... e o que Francisco Louçã tem para nos dizer é que nos sacrifiquemos enquanto lá estivermos.

Será que o BE já desistiu de ser alternativa e se prepara para, na próxima legislatura, integrar o segundo governo de António Costa? Esta frase de Francisco Louçã é todo um programa político.

Jorge Bateira

 

 

 

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