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Questões Oportunas

Sobre a Saída do Euro
21-04-2017 - Redacção

Mais esclarecimentos:

Um amigo diz-me que há riscos na saída do euro que não referi. Por exemplo: " a) ataque espectulativo contra a nova moeda; b) pânico das pessoas tentando a todo o custo desfazerem-se da nova moeda e comprarem moedas «reputadas fortes» como o dólar, etc.; c) a monetização da dívida pública pelo Estado, que levará a que os detentores de moeda desse país tenham uma moeda que vale cada vez menos... "

Sobre isto digo o seguinte:

a) o governo de um país que sai do euro não pode fazer como na Grécia, tem de instituir um controlo dos movimentos de capitais como em Chipre, na Islândia, ou na Malásia durante a crise de 1997. Portanto, não haverá qualquer ataque especulativo à nova moeda. Ela será comprada e vendida num mercado de câmbios controlado, como aliás a China desde sempre fez. A taxa de câmbio até pode vir a flutuar livremente, mas apenas para se fixar num valor que equilibre a balança externa. Isto é que importa assegurar para não dependermos do financiamento externo de outros.

b) não haverá pânico com uma corrida aos bancos após a saída do euro porque, ao abrir as portas, os bancos e o MB já não têm moeda em euros para entregar. As notas serão PREVIAMENTE carimbadas e terão de ser usadas como novos escudos, com o mesmo valor facial. Se não for desta forma será por outra a decidir com os especialistas e a experiência histórica adquirida. Por isso é que digo que a saída tem de ser bem planeada. Haverá saídas de dinheiro, por via electrónica, ANTES do governo tomar a decisão, mas essas são inevitáveis e colocam o BCE na obrigação de repor a liquidez - como aliás fez na Grécia até ao braço de ferro do referendo. Por isso, não pode haver referendo sobre a saída do euro. Apenas um mandato eleitoral que deixe essa possibilidade em aberto.

c) a monitorização do défice (não da dívida) é o seu financiamento sem juros pelo Banco de Portugal. Isso não desvaloriza a moeda porque haverá controlo dos movimentos de capitais especulativos, designadamente do dinheiro das grandes empresas e de gente muito rica que não pode movimentar o dinheiro para o exterior e, por isso, não haverá depreciação descontrolada da moeda no mercado de câmbios. Também não haverá hiperinflação porque a economia estará durante alguns anos a melhorar a utilização da capacidade produtiva já existente. É o caso do enorme desemprego que as estatísticas oficiais não mostram. Só quando a economia estiver próxima do pleno emprego é que as tensões inflacionistas crescem. Nessa altura, o governo tem de criar excedentes, em vez de défices, para arrefecer a economia. Não há em Portugal o caos do Zimbabwe e da Venezuela, nem nada que se pareça. Aliás, a hiperinflação só acontece quando há contínua depreciação da moeda e completa anarquia política, o que não será o caso em Portugal.

Por agora é tudo. Leiam com atenção.

Texto do Prof. Jorge Bateira

 

 

 

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