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DOS SANTOS FOGE DA CAMPANHA ELEITORAL

04-08-2017 - Rafael Marques de Morais

O presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, está ausente da campanha eleitoral do seu partido. Com as várias cortinas de fumo que a propaganda eleitoral vai criando, alguns aspectos essenciais do momento político actual vão sendo ignorados, quando deveriam ser centrais ao debate eleitoral. Um desses aspectos essenciais é justamente o papel do presidente Dos Santos.

Para já, a ausência de Dos Santos suscita três leituras.

Em primeiro lugar, reforça a teoria de que a doença cancerígena de JES está num estado avançado, restando-lhe apenas energia para as viagens frequentes a Barcelona, para ser submetido a tratamento. O vaivém constante, com escalas em Luanda, parece servir somente para assinar decretos que garantam o poder futuro da sua família e de alguns dos seus poderosos colaboradores, como os generais Kopelipa, Leopoldino Fragoso do Nascimento e Carlos Feijó, o artífice das suas manipulações político-jurídicas.

Em segundo lugar, a ausência deixa transparecer o desprezo pessoal de José Eduardo dos Santos ao sucessor que foi escolhido, João Lourenço. A verdade é que JES não lhe reconhece peso ou importância suficientes para merecer uma inequívoca mensagem sua, num comício, de apoio ao candidato do MPLA.

Finalmente, aos olhos da sociedade, JES está muito sujo, pela forma predatória como tem saqueado o país para o seu próprio enriquecimento desmesurado e ilícito, e para o enriquecimento da sua família e dos seus colaboradores. Devido à imagem pública de Dos Santos, nem João Lourenço nem o MPLA o desejam na sua campanha.

Em circunstâncias normais, o presidente deveria no mínimo ter usado a oportunidade das eleições para viajar pelo país, numa jornada de agradecimento aos militantes do MPLA que o mantiveram no poder durante 38 anos. JES poderia até ignorar o povo angolano, a quem tem causado indiscritível sofrimento e tem rebaixado à condição sub-humana, com as suas políticas de exclusão – mas não os militantes do seu partido.

Parece haver uma grande contradição no facto de o MPLA estar a exigir mais uma vez o sacrifício dos seus militantes mais pobres. Nem mesmo José Eduardo dos Santos, o principal beneficiário do poder do partido, das riquezas de Angola e da divisão dos angolanos, se quer expor.

Milhares de militantes do MPLA e funcionários públicos têm estado a ser transportados – sob coacção – em camiões, como se fossem gado, de uma província para outra, para encherem os comícios. E neste aspecto vê-se logo qual é a estirpe de João Lourenço: também só quer gado no lugar do povo.

Este é o mesmo MPLA que se gaba sempre de ser o único partido com quadros para governar Angola. Que tipo de quadros são esses, tão competentes no empobrecimento da maioria dos angolanos? Há dias, a minha mãe acompanhou o funeral de um vizinho a quem o hospital administrou o soro errado, dada a sua condição de diabético. O hospital tirou a vida de um jovem por pura negligência, como se nada fosse. Até um bom kimbanda, sem instrução académica, teria feito primeiro o diagnóstico do paciente antes de lhe ter administrado qualquer mixórdia. Que quadros são esses que nos dão esse tipo de saúde mortífera? Nem vale a pena falar das escolas. Basta lembrar as palavras recentes de um grande quadro e membro do Comité Central do MPLA, o “Dr.” António Luvualu de Carvalho, que nos garante que o oxigénio que respiramos “é um ganho intangível da paz” que o camarada presidente nos ofereceu tão generosamente em 2002. Que quadros são esses que garantem regularmente a demolição de casas de cidadãos na busca arbitrária de terrenos para os poderosos, sem compensação?

O MPLA tem quadros tão bons, que foge como o diabo da cruz ao debate público com os “fracos” da oposição. Sabemos todos que João Lourenço não tem capacidade nem verbo para debater com Isaías Samakuva ou com Abel Chivukuvuku; contudo, enquanto quadro do MPLA, ganha com a propaganda que o agiganta, ou seja, com ar quente. Então, se assim é, que se proponham debates temáticos sobre a economia, a política e outros assuntos relevantes entre quadros escolhidos pelo MPLA e os partidos da oposição. O povo deve poder estar na plateia, e deve ter direito a fazer perguntas. Sabemos no entanto que os quadros do MPLA não aceitariam o desafio. Basta-lhes os títulos e a arrogância do poder.

Parece então que do que precisamos não é dos quadros do MPLA, mas sim de angolanos com sentimentos humanizantes, com humildade, conhecimentos e patriotismo para servirem o povo. Só mesmo o MPLA precisa dos seus quadros, para continuarem a enganar e a colonizar o povo angolano.

Camarada Dos Santos, apareça pelo menos num só comício e agradeça ao povo por tê-lo deixado, e à sua família e amigos, roubarem e maltratarem os angolanos à vontade. Pelo menos isso.

Fonte: Maka Angola

 

 

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