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CINCO MIL CAMAS PARA A COVID-19

10-04-2020 - Rafael Marques de Morais

O Ministério da Saúde deverá criar, nas próximas semanas, um total de cinco mil camas, em todo o país, para tratamento de casos da covid-19, segundo informação prestada ao Maka Angola pelo secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda.

Como parte das medidas, de preparação de unidades hospitalares para responder à pandemia, o Hospital do Prenda, especializado em clínica cirúrgica, será desactivado e adaptado para a covid-19.

Um médico contactado por este portal refere que “o hospital do Prenda, tem um conceito mais para o foro de ortotraumatologia.  Por estar inserido num grande aglomerado populacional, em termos de biossegurança, não é apropriado”.

“Assim, o Hospital Sanatório seria o ideal, pois dispõe de espaços suficientes e a sua vocação clínica é do foro respiratório ou pneumológico. Também temos o Hospital Américo Boavida, que tem uma área para doenças infecto-contagiosas, cuja capacidade pode ser ampliada”, refere o especialista, que prefere o anonimato.

Segundo o mesmo interlocutor , “a prática mundial é aumentar as capacidades de assistência e não desarticular um hospital em funcionamento, porque existe, sim, a covid-19, mas há outras doenças e necessidades clínicas que  seguem o seu curso”.

Para si, “é um absurdo desactivar uma unidade como o Hospital do Prenda”. Como alternativa, o médico sugere o aproveitamento de espaços ociosos no Centro de Medicina Física, na Rua da Samba.

No quadro da mobilização dos pacientes, a direcção da empresa Organizações RCA & DLA Lda. recebeu esta manhã um telefonema do secretário de Estado para a Área Hospital, Leonardo Inocêncio.

“O secretário de Estado ligou-nos para nos informar de que devemos arranjar soluções imediatas para retirar os 78 pacientes que fazem a hemodiálise no Hospital do Prenda, porque o mesmo será transformado em estado-maior da campanha contra a covid-19”, revela um membro da direcção, que prefere não ser identificado.

“Esta tarde houve um encontro com todos os directores dos hospitais, para ver como serão transferidos todos os pacientes do Prenda”, refere a direcção da empresa. Segundo a RCA & DLA, esta evacuação requer tempo, incluindo para a desactivação, mudança e instalação dos equipamentos de hemodiálise.

“O Ministério da Saúde não paga a nossa dívida de 2013 a 2017, e o director do seu GEPE [Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística], António Costa, reduziu-nos as verbas mensais de 55 milhões de kwanzas para 19 milhões de kwanzas”, refere o mesmo membro da direcção.

“Como vamos de repente fazer essas mudanças todas sem fundos quando, na verdade, estamos a solicitar, com urgência, pagamentos para adquirirmos material descartável, luvas, álcool gel, máscaras para profissionais e pacientes?”, questiona a direcção. A empresa alerta para os riscos sérios de contaminação de pacientes com insuficiência renal crónica e aguda e do corpo clínico, por falta de material de protecção.

Por sua vez, o secretário de Estado Franco Mufinda garante que “estamos a transferir paulatinamente todos os pacientes. É um processo e cada paciente será agregado a uma unidade”.

Mufinda minimiza os riscos de bio-segurança decorrentes da adaptação do Hospital do Prenda para servir de unidade de referência no tratamento da covid-19. “É um mundo teórico. São sinais que estamos a prever. O Prenda é um cenário extremo. Em alguns países até estádios estão a ser usados para tratamento de casos da covid-19”, enfatiza. “Estamos a analisar todos os cenários e a preparar as pessoas e os meios”, diz.

Franco Mufinda sublinha que o Ministério da Saúde terá, em Luanda, centros de tratamento da pandemia no Américo Boavida, no Hospital da Barra do Kwanza (onde estão a ser tratados alguns pacientes), e uma unidade no Hospital Pediátrico de Luanda para atendimento dos infantes.

“Prevêem-se cinco mil camas em todo o país. É a nossa previsão”, remata.

Oficialmente, Angola registou até ao momento oito casos de covid-19. Dois destes pacientes morreram e um já recuperou.

Fonte: Maka Angola

 

 

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