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Domingo 25 de Junho de 2017  
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Livro “Os donos angolanos de Portugal”
Jorge Costa, Francisco Louçã e João Teixeira Lopes
Editora Bertrand

Jorge Costa, Francisco Louçã e João Teixeira Lopes são os autores de um estudo aprofundado do poder do regime angolano em Portugal e das ligações entre interesses económicos nos dois países. O livro foi apresentado pelo jornalista Nicolau Santos na passada terça-feira, pelas 18h30, na FNAC Chiado.

"Os Donos Angolanos de Portugal" inclui uma série de gráficos que apresentam as participações acionistas de figuras do regime angolano em empresas portuguesas ou em associação com grupos económicos portugueses. Na imagem, o caso da filha do presidente angolano, Isabel dos Santos.

O livro analisa o processo de acumulação primitiva em Angola e faz o inventário dos grandes articuladores do investimento em Portugal: Isabel dos Santos, Manuel Vicente, António Mosquito, José Leitão, o general Kopelipa. Em cada caso, são apresentados os seus principais parceiros e investimentos. É ainda contada a história especial do grupo Espírito Santo, dos seus contactos chineses e russos e da sua turbulenta aliança com o regime de José Eduardo dos Santos.

Os Donos Angolanos de Portugal nasceu de uma investigação mais vasta, dos mesmo autores, sobre a formação da burguesia portuguesa, realizada na preparação de um outro livro, Os Burgueses, que será publicado depois deste. "Enquanto investigávamos e escrevíamos sobre a história, as formas de acumulação de capital e de organização do poder social em Portugal, fomos registando os indícios de uma transformação que, nos últimos anos, acentua as ligações internacionais, a cooperação e aliança entre capitais nacionais e particularmente capitais angolanos, brasileiros e chineses, além dos tradicionais parceiros europeus. De todas estas ligações, a angolana é a mais destacada. É também a mais desconhecida", lê-se na introdução ao livro.

"Há dois motivos para essa centralidade e para esse desconhecimento da relação angolana. Em primeiro lugar, do lado de Portugal, os capitais angolanos providenciam o financiamento de necessidades imediatas, recapitalizando bancos e empresas, participando em privatizações ou multiplicando formas de cooperação bilateral, de que são exemplo as alianças de Isabel dos Santos com Américo Amorim ou, depois, com Belmiro de Azevedo. Em segundo lugar, do lado angolano, Portugal garante uma porta aberta para investimentos e aplicações financeiras com regras e facilidades que nenhum outro país da União Europeia permitiria, nomeadamente através da compra de partes significativas da imprensa, da banca e de outros setores decisivos. Por isso, apesar dos elementos de conflito latente ou expresso em choques comunicacionais, sustentamos que a ligação aos capitais angolanos não só foi a maior transformação na burguesia portuguesa nos últimos anos, como vai manter-se porque é estrategicamente indispensável para o próprio processo de acumulação de riqueza em Angola".

A controvérsia recentemente suscitada por declarações do ministro Rui Machete à Rádio Nacional de Angola são comentadas na própria contra-capa do livro, pela voz do ex-primeiro ministro angolano Marcolino Moco (1992-1996), crítico do regime: "Empresários, diplomatas e até intelectuais, pedem ‘de joelhos’ (e alguns até de forma injustificadamente arrogante!) que os jornais portugueses não toquem nos probleminhas dos dignitários angolanos, como por exemplo, os crónicos e mundialmente falados problemas do general Bento Kangamba. (...) É o que se deveria esperar das “compras” descomunais e estratégicas que vinham sendo, e continuam a ser feitas, pela família presidencial de Angola: tornar um país de democracia avançada na Europa, numa coutada de vassalos de um ‘reinado absolutista africano’".

 


 
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