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Domingo 21 de Abril de 2024  
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O NOVO NORMAL

29-03-2024 - Ivo Pereira

Há 4 anos, a 18 de Março de 2020, foi decretado o estado de emergência em Portugal, face ao aumento de casos registados de contágio por COVID-19.

Vivíamos então em primeira mão, aquilo que até ao momento apenas tínhamos visto acontecer na televisão, em séries e filmes-catástrofe ao bom estilo de Hollywood.

Assistimos a muito. Desde o açambarcar de papel higiénico e latas de atum até às imagens de drones pelo mundo fora que mostrava como eram as grandes cidades sem tráfego, sem ruído, sem poluição.

De repente, a nossa maneira de viver mudou. Havia uma incerteza perante o desconhecido vírus que ninguém sabia de onde vinha, como se propagava ou que efeitos ao certo tinha e no meio de informação e contra-informação diziam-nos para nos afastarmos uns dos outros. Para nos isolarmos. Estávamos em confinamento.

Experienciámos em massa, o que era trabalhar e estudar remotamente. Outros com menos sorte, conheceram a crueldade do layoff .

Eu nunca tinha dado uma única consulta online. Recordo-me na faculdade, de se falar sobre a importância (inegável) do setting. Ou seja, do espaço, contexto e momento de terapia, que possibilita, graças a um ambiente adequado, o estabelecer da relação terapêutica, onde a pessoa se sente segura o suficiente para iniciar e dar seguimento ao seu processo.

Então, ali, online, o setting passou a ser aquele. Um espaço facilitado por um ecrán que colocava terapeuta e cliente em diálogo.

Diz o ditado (imortalizado por Fernando Pessoa numa icónica campanha publicitária), “ primeiro estranha-se, depois entranha-se ”. E assim foi. No conforto das suas casas, (quando a privacidade assim o permitia), alguns clientes prosseguiram com o seu processo terapêutico e com bastante sucesso. Entre colegas, fomos aprendendo a dar o melhor uso às tecnologias e passámos a usá-las em benefício da prestação de cuidados de saúde mental.

Houve necessidade de com o tempo, aprendendo com os erros, de se criar regras de afinação, desde ter uma boa conectividade de internet até usar auscultadores, passando por ter uma base fixa para o telemóvel ou tablet (para que seja possível ao terapeuta continuar a ter acesso ao máximo de linguagem não-verbal possível).

Especialmente para quem sofria com o isolamento e afastamento forçados, esta solução foi uma dádiva preciosa.

Não foi assim em todos os casos, claro. Houve quem não tivesse conforto para usar as tecnologias; houve quem não tivesse privacidade. Houve pessoas cujas defesas internas foram alimentadas pela distância física e foi imperativo regressar ao presencial logo que se reuniram condições para tal.

Ainda assim, houve sucesso na adaptação à nova realidade. Hoje em dia, eu e todos os meus colegas conhecidos, damos parte das nossas consultas online pelos mais diversos motivos como: maior flexibilidade de horários; sem custos acrescidos com a deslocação; continuidade de acesso aos cuidados apesar da distância física (seja dentro ou fora do país) ou até pela possibilidade de adaptabilidade, ou seja, um cliente que seja regularmente atendido presencialmente, caso esteja em casa doente ou tenha ficado retido na empresa até mais tarde, não necessita de prescindir daquela hora e a mesma pode ser feita online.

Hoje em dia, damos por pessoas a pedir ajuda através de consultas online, que até então nunca haviam tido coragem de o fazer presencialmente, pela obrigatoriedade de terem se deslocar a um consultório de psicologia.

Este é um Novo Normal cuja tendência veio para ficar. E ainda bem.

Pela sua saúde mental.

Ivo Pereira

Psicólogo Clínico

 

 

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