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A “quinta dimensão” da Santa Casa: demitir para não indemnizar, ameaçar para ficar

10-05-2024 - Nuno Teixeira da Silva

Ana Jorge foi demitida três dias antes de ter direito a indemnização. Mas chegamos a outro nível com uma novidade posterior.

A “novela” Santa Casa ainda continua a dar que falar.

Há uma semana, na segunda-feira, a administração da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foi exonerada “com efeitos imediatos”.

O Governo achou que a administração liderada pela provedora Ana Jorge era “incapaz” de lidar com a situação, nomeadamente com os graves problemas financeiros e operacionais da entidade.

Mas esta demissão ganhou dois episódios que trazem outro “drama” ao guião.

Ana Jorge foi demitida no dia 29 de Abril. Se tivesse sido demitida três dias depois, a 2 de Maio, a ainda provedora teria de receber uma indemnização – porque nesse dia completou um ano no cargo.

Assim, o Governo não paga porque Ana Jorge sai já… ou não.

É que, no dia seguinte à demissão, soube-se que afinal os “efeitos imediatos” não são assim tão imediatos.

O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social acrescentou que Ana Jorge e a restante equipa da Mesa mantêm-se no exercício das funções de gestão corrente até que esteja escolhida nova equipa. Algo que vai acontecer “assim que possível”.

Já na quinta-feira, curiosamente a 2 de Maio, fonte do Ministério do Trabalho confirmou à Lusa a gestão corrente, para garantir uma “transmissão de poderes adequada e salvaguardar o funcionamento das instituições”.

E acrescentou: caso Ana Jorge e a sua equipa saiam antes de haver novos gestores, vão ser acusadas um crime de “abandono de funções públicas”, tal como está previsto no Código Penal.

“Isto já entra num nível da Twilight Zone, isto já é uma quinta dimensão: então o Governo manda a senhora embora porque ela está a ser incompetente, mas ela agora vai continuar incompetentemente no seu cargo até eles decidirem ter alguém para substituir? Só porque não lhe querem pagar uma indemnização?”, perguntou João Miguel Tavares.

O comentador disse na SIC Notícias que este processo entrou num nível de “desonestidade pessoal e política que não vejo como o Governo pode sair bem disto”.

Na rádio Observador, Pedro Benevides também lamentou a situação e o “tom ameaçador” do Governo. “Ficamos a pensar: como o Governo não tem um plano pós-exoneração, foi uma decisão que não foi pensada a tempo”.

“Segunda suposição: iam tirar uma girl do PS e pôr um boy da AD. Ou então: é preciso nomear um gestor profissional, fora do aparelho partidário. Mas preocupam-me estas decisões apressadas, esta comunicação desastrada”, acrescentou.

Luís Marques Mendes prevê uma espécie de “teste do algodão à credibilidade da Ministra e da decisão”. E avisa na SIC que, se o Governo escolher um político ligado ao PSD ou ao CDS, “não se livra da acusação que isto é um saneamento político”.

Fonte: ZAP //

 

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