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Crise no Mar Vermelho ameaça têxtil e automóvel mas pode ser oportunidade para calçado

02-02-2024 - Lusa

Diretor-geral da APED descarta problemas de escassez de produtos no retalho alimentar e especializado, apesar de haver um atraso médio de duas semanas nas entregas em algumas categorias de produtos.

As tensões no Mar Vermelho estão a atrasar as entregas em áreas como a eletrónica informática, têxtil e automóvel e a encarecer os custos do transporte para Portugal, mas setores como o calçado encaram esta crise como uma oportunidade.

Em declarações à agência Lusa, o diretor-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) descarta, nesta altura, problemas de escassez de produtos, quer no retalho alimentar, quer especializado.

Gonçalo Lobo Xavier reporta, contudo, um atraso médio de duas semanas nas entregas em algumas categorias de produtos e componentes, “essencialmente ligados à eletrónica de consumo e informática e têxtil/moda”.

No setor alimentar, refere atrasos na chegada de “algum peixe congelado”, mas diz que “já está a ser substituído, na maioria dos casos, por outros fornecedores e com outras rotas”.

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Já sentido por “toda a cadeia de valor” é, segundo o diretor-geral da APED, o aumento dos custos dos fretes de transporte e o encarecimento em “cerca de 20 a 30%” dos contentores a nível mundial. Adicionalmente, também os custos dos seguros de transporte que passam naquela rota “estão a aumentar significativamente”.

“Tem havido uma procura por rotas alternativas, mais lentas e mais caras, que terão necessariamente impacto nos preços dos produtos”, afirma Gonçalo Lobo Xavier, prevendo que “este impacto, se a situação se mantiver, irá sentir-se mais, seguramente, dentro de três/quatro semanas”.

A sofrer os efeitos dos constrangimentos logísticos no Mar Vermelho estão também setores como o automóvel e o têxtil/vestuário, com o primeiro a apontar uma diminuição das encomendas dos construtores internacionais, nomeadamente na Alemanha, e o segundo a reportar atrasos nas entregas de “matérias-primas essenciais à produção” (como fios, linhas, telas, malhas, substâncias químicas e acessórios), pondo “em causa o tempo de resposta” daquela indústria.

“A informação que temos dos nossos clientes — que são construtores ou produtores de primeira linha para os construtores — é que há um processo de diminuição da atividade para gerir os fluxos de logística e, nalguns casos, sabemos que poderá haver já planos para diminuir a atividade, com a supressão de um turno, o que terá um efeito na indústria portuguesa”, afirmou à Lusa o presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA).

Segundo José Couto, “na Alemanha houve alguns construtores [automóveis] que abrandaram, muito mesmo, e houve algumas fábricas que tiveram paragens estratégicas”.

“Em Portugal, pelo menos os nossos associados ainda não sentiram a necessidade de parar completamente, mas diminuíram bastante a atividade“, disse, salientando que a rota do Mar Vermelho “é muito importante para o setor automóvel” europeu, que “não tem o hábito de fazer grandes ‘stocks’, tudo o que produz é entregue na linha do cliente um dia ou dois depois”.

Já a diretora executiva da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) destaca que, “numa indústria tão competitiva e global” quanto a deste setor, “aumentos de preços têm sempre impacto negativo e perda de competitividade”.

E se,”para já, os aumentos de preços estão sobretudo relacionados com o aumento do custo dos transportes nestas rotas”, Ana Dinis antecipa que “a escassez na oferta de algumas matérias-primas no mercado (derivada dos atrasos nas entregas) naturalmente fará o preço destes artigos subir ainda mais — mesmo procurando encontrar fornecedores alternativos ou matérias-primas alternativas”.

“A verdade é que existem muitas dependências, como vimos no passado recente, que não fáceis de substituir rapidamente”, admite, referindo que “as empresas têm estado a tentar gerir a situação, atrasando encomendas e gerindo as entregas de encomendas mais urgentes, mas, a continuar o problema, as consequências poderão ser mais danosas”.

Em contraciclo parece estar a indústria portuguesa do calçado, que, colhendo os louros da lógica de “cluster” que assume como um dos seus “grandes argumentos competitivos”, continua a conseguir “responder rapidamente às solicitações de mercado”.

“A crise do Mar Vermelho pode até ser uma oportunidade para os produtores europeus como Portugal“, afirmou à agência Lusa o diretor de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), enfatizando que “existem em Portugal fornecedores muito capazes de solas, de outros componentes e de curtumes e isso permite que os clientes internacionais olhem para Portugal como um parceiro de negócios privilegiado”.

Apontando a quota “próxima dos 90%” da Ásia na produção mundial de calçado, Paulo Gonçalves considera que “alguns episódios como este no Mar Vermelho, ainda que infelizes na sua essência, podem contribuir para uma nova ordem mundial e para que os clientes percebam que devem diversificar a sua gama de fornecedores”.

 

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