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“Podes ter uma pistola, nós temos a bazuca”. UE descalça as luvas contra Orbán

02-02-2024 - Adriana Peixoto

Um documento interno da União Europeia revela que o bloco europeu está a ponderar atacar a economia húngara para pressionar Orbán a aprovar o pacote de ajuda à Ucrânia.

As chefias da União Europeia (UE) parecem estar fartas dos conflitos constantes com o primeiro-ministro húngaro e estão a preparar um ultimato — ou o Orbán aprova o pacote de ajuda à Ucrânia ou a UE corta os fundos europeus destinados à Hungria.

De acordo com um documento obtido pelo Financial Times, os responsáveis europeus estão a planear sabotar a economia húngara para colocar pressão sobre Viktor Orbán. O plano inclui atacar os sectores mais frágeis, desvalorizar a moeda húngara e deixar os investidores apreensivos.

Nos últimos meses, Orbán tem causado muitas dores de cabeça em Bruxelas, dada o seu veto ao pacote de 50 mil milhões de euros de apoio à Ucrânia e a sua oposição a uma eventual adesão do país ao bloco europeu.

O documento em causa, escrito por um membro do Conselho Europeu, aponta que caso o “comportamento não construtivo do primeiro-ministro húngaro” se mantenha na cimeira agendada para 1 de Fevereiro, os chefes dos Governos europeus “não conseguem imaginar” que os fundos da UE fossem atribuídos a Budapeste.

Entre as fraquezas apontadas à economia húngara estão a “inflação muito alta”, o “défice público muito alto”, a moeda fraca e o nível mais elevado de encargos de dívida na UE em proporção do PIB. Sem os fundos europeus, “os mercados financeiros e as empresas europeias e internacionais poderão estar menos interessados ​​em investir na Hungria”.

“Isto é a Europa a dizer a Viktor Orbán ‘basta; é hora de entrar na fila. Podes ter uma pistola, mas nós temos a bazuca’”, afirma Mujtaba Rahman, diretor para a Europa da consultora Eurasia Group.

Três diplomatas da UE avançam ao FT que muitos países apoiam o plano. “Os riscos são altos. É chantagem”, afirma um deles.

“A Hungria não cede a chantagem”

János Bóka, Ministro da UE da Hungria, já reagiu à revelação do Financial Times e garante no X que Budapeste “não cede à chantagem”. “O documento, elaborado pelos burocratas de Bruxelas, apenas confirma o que o Governo húngaro diz há muito tempo: o acesso aos fundos da UE é utilizado para chantagem política”, acusa.

“A Hungria não estabelece uma ligação entre o apoio à Ucrânia e o acesso aos fundos da UE e rejeita que outras partes o façam. A Hungria participou e continuará a participar de forma construtiva nas negociações”, avança.

Bóka adianta ainda que a Hungria está disposta a negociar e até enviou uma nova proposta a Bruxelas no sábado, onde sugere usar o orçamento da UE para o pacote da Ucrânia e até mesmo emitir dívida comum para o financiar.

Esta mudança representa um relaxar da posição de Orbán, que já bloqueou uma revisão do orçamento da UE que incluía a ajuda à Ucrânia, levando os líderes europeus a apresentarem um plano B e a convocarem uma cimeira de emergência.

A legalidade de uma ameaça de cortar os fundos à Hungria também não é clara. Zsuzsanna Vegh, investigadora associada do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), explica ao Euractiv que “o financiamento da UE não pode ser suspenso simplesmente porque o Conselho Europeu assim o diz”.

“Não é assim que funciona. Tem de haver algum fundamento jurídico. Vetar uma posição da UE não é um fundamento jurídico para suspender o financiamento. Então, qual seria exatamente a estratégia aí? Não está claro para mim”, declara.

Um responsável da União Europeia também já reagiu à notícia, negando que o bloco esteja a usar coerção contra a Hungria. O documento citado pelo Financial Times era uma nota de fundo que “não descreve nenhum plano específico”.

Adriana Peixoto, ZAP //

 

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