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Zelensky pede retirada do poder de veto da Rússia na ONU

22-09-2023 - DN/AFP/Lusa

No Conselho de Segurança das Nações Unidas, o presidente da Ucrânia falou na "agressão criminosa e não provocada da Rússia".

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse, esta quarta-feira, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que a invasão do seu país pela Rússia era "criminosa" e que Moscovo deveria ser destituído do seu poder de veto neste órgão da ONU.

"A maior parte do mundo reconhece a verdade sobre esta guerra", disse Zelensky enquanto o embaixador russo na ONU se sentava diante dele. "É uma agressão criminosa e não provocada da Rússia contra a nossa nação, com o objetivo de tomar o território e os recursos da Ucrânia."

Zelensky disse que o lugar que a Rússia ocupa "ilegalmente" no Conselho de Segurança da ONU foi ocupado por "mentirosos, cujo trabalho é encobrir a agressão e o genocídio" .

"Hoje em dia, na assembleia geral, ouvimos com demasiada frequência a desigualdade mundial. A desigualdade é mencionada por diferentes nações, tanto maiores como menores. É precisamente essa desigualdade que torna a ONU ineficaz", afirmou Zelensky.

O chefe de Estado ucraniano propôs ao Conselho de Segurança das Nações Unidas diversas medidas que visam limitar o poder da Rússia como membro permanente do órgão e com direito de veto.

Dada a dificuldade de reformar a estrutura dos próprios órgãos da ONU, o presidente ucraniano propôs que o direito de veto passe a ser contornado dando à Assembleia Geral poder para anular, por maioria qualificada, um veto dos cinco membros permanentes (Rússia, Estados Unidos, China, França e Reino Unido).

Além disso, propôs que quando um destes países "recorrer à agressão contra outra nação, em violação da carta fundadora da ONU", seja suspenso do Conselho de Segurança por um determinado período de tempo.

Dirigindo-se de forma presencial ao Conselho de Segurança pela primeira vez, Zelensky defendeu que estas reformas poderiam fazer com que a ONU como um todo saísse do atual "beco sem saída em matéria de agressão", isto apesar de a Assembleia Geral ter reconhecido - por uma esmagadora maioria - que a Rússia é o agressor neste conflito.

Esta situação fez com que "a humanidade já não depositasse as suas esperanças na ONU quando se trata de defender as fronteiras soberanas das nações".

A guerra mostrou que existem "574 razões" para empreender esta reforma, o mesmo número de dias que dura a invasão russa.

Além destas propostas, Zelensky juntou-se ao apelo cada vez mais difundido para reformar a composição do Conselho de Segurança para melhor refletir a representação do mundo e citou especificamente a necessidade de a Alemanha, a Índia, o Japão, o mundo árabe e a América Latina terem um assento.

Ao contrário de terça-feira, quando discursou perante a Assembleia Geral, Zelensky optou hoje por falar na sua língua e teve de esperar mais de 20 minutos para que a presidência do Conselho resolvesse os protestos russos por razões processuais, como aconteceu nas outras ocasiões em que o Conselho convidou Zelensky a intervir por videoconferência.

Havia expectativa de ouvir os supostos detalhes que prometeu dar sobre a sua Fórmula de Paz, mas no final reiterou apenas que a retirada completa da Rússia do território ucraniano (incluindo também unidades militares e mercenários) e a "restauração total" da soberania ucraniana, também sobre o Mar Negro, poderá levar à "cessação das hostilidades".

Por último, o líder ucraniano disse estar disposto a realizar "dez conferências de conselheiros de acordo com os dez pontos da Fórmula da Paz" e posteriormente realizar uma cimeira de "todas as nações do mundo" para levar a cabo o seu plano.

O ministro dos Negócio Estrangeiro da Rússia, Serguei Lavrov, manteve-se ausente enquanto Zelensky falava, assento que foi ocupado por Vasily Nebenzya, o embaixador do país na ONU.

A ONU "é capaz de mais", considerou o chefe de Estado ucraniano. "Estou confiante de que a Carta das Nações Unidas pode realmente funcionar em prol da paz e da segurança a nível mundial". Mas para que tal aconteça, defendeu, é necessário um "processo viável de reforma da ONU". "E não deve ser apenas uma questão de representação aqui no Conselho de Segurança, o uso do poder de veto", acrescentou.

Zelensky deixou o Conselho de Segurança da ONU, antes da intervenção do ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov.

O Conselho de Segurança, encarregado de garantir a paz e a segurança internacionais, realizou mais de 50 reuniões sobre a Ucrânia -- quase sempre controversas, com muitas trocas acesas de palavras - mas nenhuma decisão concreta. Isto deve-se ao veto certo da Rússia a qualquer resolução do Conselho que critique aquilo a que chama a sua "operação militar especial".

De acordo com informações divulgadas pela ONU, inscreveram-se para discursar na reunião de hoje 62 líderes ou representantes estatais, além do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

 

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