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Livre em ambiguidade no que toca ao envio de armas somente para surfar o mediatismo

07-06-2024 - AbrilAbril

Francisco Paupério fez hoje questão de puxar pela proposta do Livre para dificultar o envio de armas a Israel, enquanto o seu partido apoia o envio de armas para a Ucrânia, impedindo assim uma solução de paz e promovendo a morte de inocentes.

Não é novidade: o discurso do Livre varia consoante o que cai melhor na imprensa. Desta vez foi o envio de armas para Israel. Francisco Paupério, cabeça de lista do Livre às eleições para o Parlamento Europeu, veio hoje a público dizer que «o Livre propôs também na Assembleia da República que armas que vão para Israel não entrem nos portos portugueses».

No alto da sua moral, o candidato do Livre disse ainda: «vamos ver se os outros partidos têm coragem política para aceitar este projeto de resolução proposto pelo Livre, não por outro partido político», lançando assim um desafio às restantes forças políticas. 

Uma vez que Francisco Paupério puxou pela acção nacional do seu partido, abriu a porta ao escrutínio da tanto sobre a Palestina, como sobre questões militaristas e de envio de armas para países terceiros. Tal exercício de memória só demonstra que sobre todas estas questões o curto período de vida do Livre tem sido sinuoso. 

Começando precisamente pela Assembleia da República, local trazido à baila por Francisco Paupério, a  22 de novembro de 2019 foi apresentado pelo PCP um voto de condenação sobre uma agressão israelita a Gaza e sobre a declaração da Administração Trump sobre os colonatos israelitas. O Livre, então representado por Joacine Katar Moreira, absteve-se na condenação. 

Já sobre armamento, o Livre é também contraditório. Ainda este ano, mais precisamente a 27 de Fevereiro, o porta-voz do partido que tem Francisco Paupério como cabeça de lista, em declarações aos jornalistas em Braga, a propósito das declarações do Presidente francês sobre a eventual presença futura de tropas terrestres na Ucrânia, disse que a Ucrânia «tem de ser apoiada» para vencer a guerra com a Rússia e defendeu a criação de uma comunidade de defesa europeia que faça investimentos comuns. 

Para Rui Tavares, esses elementos essenciais para se «vencer» uma guerra «pode afastar de nós esse espectro de uma guerra na Europa, para onde serão enviados jovens europeus. É isso que nós queremos evitar e é por isso que a Ucrânia tem de ser apoiada», disse. 

Já sobre armamento, o porta-voz do Livre disse ainda que a União Europeia «é uma boa central de compras», podendo «comprar mais barato por atacado para distribuir pelos países». Recorde-se que a Alemanha está neste momento a enviar armas para Israel. 

Parece haver dois pesos e duas medidas no partido de Francisco Paupério. Por um lado na Ucrânia, o envio de armas serve alegadamente para ajudar a vencer uma guerra, sendo que o que está a colocar é a lógica «até ao último Ucrâniano» e a recusa de uma solução com base no diálogo. Por outro, ao contrário do passado, parece não fechar os olhos relativamente a Israel. Em ambos os casos, as posições parecem ser definidas mediante interesses midiáticos e, por isso mesmo, pouco humanistas.

 

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