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Ponte de Baltimore caiu em 20 segundos. Pode acontecer o mesmo com as de Portugal?

29-03-2024 - Zap

Das 20 pessoas desaparecidas, apenas duas foram resgatadas com vida e seis trabalhadores já foram dados como mortos. E se o desastre acontecesse nas pontes lisboetas ou portuenses?

Os seis trabalhadores desaparecidos na sequência da queda de uma ponte em Baltimore, nos EUA, foram dados como mortos, tendo as buscas sido suspensas até quarta-feira, de acordo com as autoridades.

De acordo com o superintendente da polícia do estado do Maryland, o coronel Roland L. Butler Jr., a missão de busca e salvamento estava a transformar-se numa missão de busca e recuperação. Os mergulhadores deverão regressar ao local pelas 06:00 locais (10:00 em Lisboa), esperando-se melhoria face às condições noturnas, noticia a Associated Press (AP).

Tudo aconteceu por volta das 01h30 locais (05:30 em Lisboa), quando o navio cargueiro “Dali” embateu num pilar da ponte Francis Scott Key, fazendo-a desmoronar e submergir no rio, juntamente com vários veículos.

O acidente deixou pelo menos 20 pessoas desaparecidas, sendo que, até ao momento, apenas duas foram resgatadas com vida, de acordo com um porta-voz do corpo de bombeiros locais.

Navio passou nas inspecções (mas tinha problemas)

Singapura disse esta quarta-feira que o navio responsável pelo desabamento da ponte tinha a documentação em ordem e passou duas inspeções em junho e setembro.

A Autoridade Marítima e Portuária de Singapura disse que o MV Dali, com bandeira de Singapura desde 2016, foi classificado como “ClassNK” e tinha certificados válidos que cobriam “a integridade estrutural do navio e a funcionalidade do seu equipamento”, de acordo com um comunicado.

Na vistoria de junho, o navio porta-contentores tinha um monitor de pressão de bancas avariado, mas foi reparado, estando prevista uma nova avaliação da embarcação em junho deste ano.

A Autoridade Portuária de Singapura afirmou na terça-feira estar em contacto com a Guarda Costeira dos EUA para “prestar a assistência necessária”, indicando que vai também abrir uma investigação própria sobre o acidente.

O Synergy Group de Singapura, que opera o Dali, confirmou também na terça-feira que nenhum dos 22 membros da tripulação do navio ficou ferido e disse estar a trabalhar com as autoridades para determinar a causa do acidente.

O bloqueio do porto de Baltimore, causado pela queda da ponte, deverá ter graves consequências económicas para a região. O Presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu reconstruir a ponte o mais rapidamente possível.

O porto de Baltimore é o nono maior porto dos EUA em termos de valor e carga estrangeira movimentada. Emprega mais de 15 mil pessoas diretamente e quase 140 mil de forma indireta.

O embate

O navio estava a sair do porto quando algo errado aconteceu. De repente, as luzes em todo o navio de 300 metros apagaram-se. navio começou a desviar-se para a direita.

A “causa exata” da colisão do navio com um dos pilares da ponte Francis Scott Key, na cidade norte-americana no leste dos EUA, ainda não tinha sido determinada.

Antes da colisão, a tripulação do navio porta-contentores emitiu um aviso de que estava à deriva, permitindo às autoridades cortar o tráfego na ponte e evitar uma tragédia maior.

Depois de procurar sobreviventes nas águas, a Guarda Costeira dos EUA indicou que, tendo em conta a hora e a temperatura, considerava que os seis desaparecidos estavam mortos.

Foram precisos apenas 20 segundos para a estrutura colapsar. Mas como é que a ponte caiu tão rápido?

Aço pode dobrar como papel

Olhando para as imagens do desastre, o especialista em pontes e assessor especialista da Instituição de Engenheiros Civis do Reino Unido David Knight confessa ao Wired que “é uma tragédia horrível e algo que esperas nunca ver”, mas que, no entanto, não está surpreendido.

As grandes estruturas de aço podem parecer imponentes, mas o material é relativamente leve para o tamanho que enverga. Quando empurrado com força suficiente, pode dobrar como papel, explica o especialista.

Neste caso, a ponte era contínua, sem juntas. “Quando se retira um suporte, há muito pouca robustez,” diz Knight. “Arrastará para baixo, como vimos, todos os três vãos”, explica.

Ora, boa parte das grandes pontes portuguesas — como a Ponte de Dom Luís I, a Ponte 25 de Abril, a Ponte Vasco da Gama ou a Ponte Maria Pia — são feitas de aço.

E se fossem as pontes portuguesas?

Pode não se lembrar, mas um navio já embateu, em 2021, na icónica ponte lisboeta — e o resultado foi muito diferente.

A ligação entre Lisboa e a Margem Sul ficou apenas lascada, sem danos estuturais.

Tanto 25 de Abril como Vasco da Gama “são pontes em betão”, lembra à CNN Portugal Carlos Mineiro Aires, presidente do Conselho Superior de Obras Públicas. “São pilares em betão que estão dimensionados para sofrer choques e resistir a situações destas”, diz o antigo bastonário da Ordem dos Engenheiros.

São salvas pela altura, profundidade e dimensão dos pilares. No caso da “resistente” 25 de Abril, acredita que se o barco norte-americano embatesse como embateu em Baltimore, afundaria e a construção permaneceria intocável.

Já no Porto, famoso pelas pontes metálicas, a situação é “mais delicada”.

Olhando para a Ponte D. Luís I tem uma estrutura “muito mais frágil, mais antiga e mais baixa” — o que também aponta para uma “fundação muito mais precária”.

E o que segura as lisboetas — a força dos pilares — não está presente na água envolta da ponte que liga as margens do rio Douro entre Porto e Vila Nova de Gaia. Imaginar este cenário hipotético torna-se um pouco difícil, porque as pontes portuenses estão apoiadas nas margens: “é outra conceção”, imagina o especialista José Paulo Costa.

Além disso, lá não passam navios com altura superior aos tabuleiros, o que afasta um cenário igualmente desastroso.

ZAP // Lusa

 

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