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Web Summit estava a vender camisolas por mais de 700 euros. Já esgotaram

08-11-2019 - Gonçalo Teles

Não têm um chip NFC, não medem a pulsação em tempo real nem mudam de cor sozinhas, mas estas camisolas tradicionais irlandesas custam várias centenas de euros na Web Summit, em Lisboa.

Web Summit é um espaço de inovação e tecnologia por definição, mas é também numa antiga tradição irlandesa que encontra um ponto de comércio. Entre as reduzidas peças de merchandising encontradas na loja online da cimeira tecnológica há duas camisolas de lã que saltam à vista... pelo preço. E já está tudo esgotado.

Por 780 euros ou 850 euros é possível encomendar uma sweater Aran de cor azul (a mais barata) ou preta (a mais cara). Paddy Cosgrave, o fundador da Web Summit, surge em fotografias no palco central e serve de modelo para apresentar ambas as camisolas.

É na descrição dos produtos que começa a encontrar-se a aparente justificação para os preços elevados. A camisola mais "barata" faz parte de uma edição especial de apenas 50 peças numeradas e, segundo a página, é feita à mão por artesãs do Condado de Donegal, na República da Irlanda.

Já a peça de roupa mais cara introduz novas variáveis, embora nenhuma seja tecnologia de ponta. A página do produto explica que esta é uma camisola que pretende celebrar as raízes irlandesas da Web Summit e, por isso, é feita de lã preta cosida com um ponto à mão - blackberry - que não é reprodutível com recurso a máquinas, na costa noroeste da República da Irlanda.

De seguida, fica o aviso à navegação: por implicar mais de 40 horas de trabalho, estas camisolas podem levar até cinco semanas a estarem prontas a enviar. Os mais novos também não ficam esquecidos - é possível encomendar uma camisola de criança, com um a seis anos, por 240 euros. Não há nada de tecnológico em qualquer das camisolas.

De onde surgiu a camisola Aran?

Aran é um pequeno arquipélago da República da Irlanda que vivia sobretudo da pesca nos anos 1950. Obrigados a enfrentar o mar e as suas temperaturas geladas, os pescadores precisavam de roupa quente e resistente para levar os barcos a bom porto.

Assim, as mulheres que ficavam em terra começaram a fazer-lhes camisolas de lã com pontos intrincados feitos à mão que levavam três a seis semanas a estarem prontas. A popularidade entre os pescadores chamou a atenção da restante população, que quis começar a vestir o mesmo tipo de camisolas.

A ideia não era, no entanto, totalmente original. A mais de 600 quilómetros na direção sudoeste, já na ilha de Guernsey - também muito dependente da pesca - se faziam camisolas Gansa, que eram tradicionalmente azul-escuras e bastante mais simples. Com o passar do tempo, os pontos usados ficaram mais complexos e os artesãos da Irlanda e da Escócia começaram a adotar formas diferentes de as produzir.

O ponto específico destas camisolas tem, tal como todos os outros, um significado: simboliza a abundância da natureza, mas também a Santíssima Trindade, embora as interpretações religiosas possam variar.

O interesse comercial acabou por surgir e o resto é história. Uma simples pesquisa online permite encontrar camisolas destas originais, vendidas na Irlanda, por preços que não ultrapassam os 300 euros, menos de metade do que a Web Summit cobra por uma das duas camisolas que vende. E os portes de envio não explicam tudo.

Fonte: TSF

 

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