Edição online semanal
 
Sexta-feira 20 de Setembro de 2019  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

Partículas ultra finas causadas por aviões afectam qualidade do ar perto do aeroporto de Lisboa

06-09-2019 - Lusa

A qualidade do ar na zona do aeroporto de Lisboa é fortemente afectada por partículas ultra finas emitidas pelos aviões, que podem pôr em risco a saúde, indica um estudo hoje divulgado.

O estudo, da investigadora Margarida Lopes, publicado na revista científica "Atmospheric Pollution Research", foi desenvolvido no departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e no Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade.

Em declarações à agência Lusa, a responsável explicou que o estudo foi o primeiro feito sobre partículas ultrafinas em Portugal, e alertou que as partículas ultra finas, segundo as mais recentes evidências, são mais tóxicas do que outras partículas a que os seres humanos são sujeitos.

"São bastantes prejudiciais para os pulmões, mas não só, porque passam para a corrente sanguínea e daí chegam a qualquer parte do corpo", disse Margarida Lopes à Lusa, explicando os estudos sobre as partículas ultra finas, que também existem na natureza, mas não são prejudiciais, só começaram nas últimas duas décadas.

De acordo com os resultados da investigação, disse, as partículas afectam as pessoas na área do aeroporto de Lisboa, mas não da mesma forma, porque o vento dispersa as partículas, o que evita que sejam sempre os mesmos receptores a recebê-las.

"Junto do aeroporto é muito mau", assegurou a responsável, explicando que também há grandes concentrações na zona do Campo Grande e grandes concentrações à passagem dos aviões, na rota de aterragem. E há estudos internacionais, disse, que indicam que nas salas de espera dos aeroportos a concentração de partículas ultra finas é "horrível".

Segundo uma síntese da investigação a que a Lusa teve acesso, as amostragens para o estudo decorreram entre julho de 2017 e maio de 2018, e as partículas ultra finas são 18 a 26 vezes mais elevadas em áreas influenciadas por movimentos aéreos.

"Há uma relação clara entre os movimentos aéreos e os níveis de partículas ultra finas, a influencia estende-se de forma significativa a zonas como as Amoreiras", diz-se no documento.

As partículas ultra finas (700 vezes menores do que um fio de cabelo) não são monitorizadas e não têm um valor limite estabelecido por lei. Entram no corpo pela via respiratória, mas também dérmica e por ingestão e podem até danificar proteínas intracelulares, lê-se no estudo, no qual se alerta ainda que as partículas têm sido associadas também a doenças neurológicas e "problemas no desenvolvimento fetal e cognitivo das crianças".

E diz-se ainda que medições feitas nas Amoreiras, na rota de aterragem dos aviões, indicaram um aumento dos valores médios de partículas ultra finas durante o período de voos cerca de 16 vezes superior aos momentos em que não passam aviões.

"O estudo efectuado permite concluir que pessoas que trabalham, vivem ou passam uma quantidade considerável de tempo perto do aeroporto, estão expostas a elevadas concentrações" de partículas ultra finas "com "uma magnitude que constitui à partida um risco considerável para a sua saúde".

 

Voltar 


Subscreva a nossa News Letter
CONTACTOS
COLABORADORES
 
Eduardo Milheiro
Cordenador
Marta Milheiro
   
© O Notícias de Almeirim : All rights reserved - Site optimizado para 1024x768 e Internet Explorer 5.0 ou superior e Google Chrome