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Sócrates ataca Costa. É “insuportável” assistir aos ataques às maiorias absolutas de “má memória”

06-09-2019 - Lusa

José Sócrates considera “insuportável” assistir ao que diz serem os ataques que o primeiro-ministro, António Costa, faz à história do PS e aos anteriores governos socialistas.

O ex-primeiro-ministro não gostou de ouvir o que Costa disse nas entrelinhas numa entrevista e riposta sem pudor. No centro da divisão está uma frase em que o atual primeiro-ministro se refere à “má memória” que os portugueses têm das maiorias absolutas, “diabolizando” a maioria absoluta que o próprio Sócrates conseguiu em 2005 – a primeira e única do PS até hoje. A declaração foi proferida por Costa numa entrevista à  TVI  – e Sócrates não gostou.

Num artigo de opinião publicado este sábado no  Expresso , o antigo primeiro-ministro acusa a atual direção do Partido Socialista de  trabalhar para desmerecer uma maioria parlamentar. “Nunca pensei que as coisas chegassem a este ponto. Nunca me ocorreu vir a encontrar-me na desconfortável situação de ter que recordar a alguém que o governo que agora maldiz foi, afinal, um governo no qual participou”, refere Sócrates.

“Também nunca imaginei que alguém pudesse conceber como estratégia para ter maioria absoluta,  desacreditá-la enquanto solução política“, escreve ex-primeiro-ministro.

“No fundo, o que parece querer dizer é que todas elas são horríveis – com exceção daquela que ele próprio obterá e que se diferenciará das outras justamente por ter sido obtida escondendo essa ambição e até negando esse propósito. É talvez a isto que chamam estratégia”, acrescenta.

José Sócrates não esquece a obra que deixou feita , fazendo um balanço dos feitos que alcançou enquanto esteve em São Bento. Sócrates recorda-lhe os principais feitos do seu Executivo como, entre outras, o fim défice excessivo, o “maior crescimento económico verificado nesses anos difíceis (2007), a “prioridade política” dada às “energias renováveis”, a “reforma da segurança social”, o “saldo positivo” da “balança tecnológica” e a vitória “nas eleições de 2009, já no meio da maior crise económica mundial”.

Por fim, o ex-secretário-geral socialista sublinha que nunca esperou que a direção do PS o “atacasse de forma tão injusta”. Sócrates diz ainda que quem lidera o partido ensaia agora “um segundo andamento, a  diabolização dos seus próprios governos“, conclui.

 

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