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Segunda-feira 20 de Maio de 2019  
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Atrasos em exames deixaram vários doentes com cancro sem tratamento. Pelo menos um morreu

10-05-2019 - Zap

Vários doentes oncológicos nos hospitais de Faro e Portimão não receberam tratamento devido a uma burocracia financeira. A acusação foi feita por Cristóvão Norte, deputado do PSD.

Os casos aconteceram entre dezembro de 2018 e março de 2019 e, segundo o deputado social-democrata   Cristóvão Norte , deveram-se ao facto de o IPO de Lisboa ter exigido garantias de pagamentos das análises médicas aos   hospitais de Faro e de Portimão .

“Sabemos que há cinco casos em Portimão e um número não estimado de casos em Faro. Houve   mais do que uma pessoa que veio a falecer   sem conhecer o resultado das análises”, disse Norte em declarações à Rádio Renascença.

É estritamente necessário fazer análises para que seja aplicada uma terapia dirigida. No entanto, alguns doentes oncológicos destas unidades hospitalares nunca conheceram os resultados dos seus exames.

No período de três meses referido pelo deputado houve 26 análises que foram enviadas para o   IPO de Lisboa , ficando sem se saber qual a quantidade que não obteve resposta ou que essa resposta foi tardia.

O deputado social-democrata explica que o problema será relacionado com problemas financeiros. Isto porque quando um hospital pretende que seja feita uma determinada análise, emite um termo de responsabilidade. Contudo, sem as verbas necessárias, isso não é possível.

“Segundo aquilo que foi possível apurar, o   IPO rejeitou a realização atempada   das análises, pois não tinha sido emitido o termo de responsabilidade”, contou Cristóvão Norte à Renascença.

Agora, a abertura de um inquérito pode estar a caminho. O deputado vai participar à Procuradoria-Geral de República as “ provas contundentes ” que tem conhecimento.

Ainda no mês passado, o deputado do PSD, Ricardo Baptista Leite, alertou que há doentes com cancro a esperarem o dobro do tempo máximo por cirurgias prioritárias. “

“No caso de doenças oncológicas, 35 unidades ultrapassam os tempos máximos de resposta garantida para cirurgias prioritárias, quatro das quais com atrasos no tempo de resposta igual ou superior a esse tempo máximo de 45 dias”, disse o social-democrata.

Segundo dados da PORDATA, com o passar dos anos, o cancro tem matado cada vez mais pessoas. Em 2017, representou   um quarto das mortes causadas por doenças   em Portugal. Um valor 2,7 vezes superior comparando com 1960 (9,3%).

ZAP

 

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