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Itália dividida por populistas, sem governo à vista e sob pressão da EU

09-03-2018 - Patrícia Viegas

Movimento 5 Estrelas e Liga reclamam direito a governar após eleições de domingo. Presidente italiano ouve partidos a partir do dia 23 de março.

O cenário volta a repetir-se. Depois de Espanha e da Alemanha, a Itália ameaça tornar-se agora o próximo país europeu sem conseguir formar um governo estável por falta de maioria absoluta de um partido ou coligação nas eleições. O voto de domingo deu uma vitória às formações populistas italianas Movimento 5 Estrelas e Liga, voltando a pôr em evidência a crise do bipartidarismo na União Europeia. E a sublinhar, mais do que nunca, a divisão entre o Norte e o Sul em Itália. O presidente Sergio Mattarella será o fiel da balança que, depois da Constituição do novo Parlamento italiano, no dia 23, irá ouvir os líderes de todos os partidos para perceber se há condições para empossar um novo executivo. Mas tanto o 5 Estrelas como a Liga já reclamaram, para si, o direito a governar. A disputa adivinha-se atribulada. E a solução da situação complicada.

"Temos a responsabilidade de dar um governo" a Itália, afirmou ontem Luigi di Maio, líder do Movimento 5 Estrelas. O partido eurocético foi aquele que, sozinho, mais votos conseguiu para a câmara dos Deputados e para o Senado. "Somos uma força política que representa todo o país, o que não se pode dizer das outras formações e, inevitavelmente, isso projeta-nos na direção do governo do país", disse o jovem líder em conferência de imprensa em Roma. Apesar de o 5 Estrelas ter sido visivelmente mais votado no Sul de Itália. Luigi di Maio não fechou portas e indicou que a sua formação populista está "aberta a negociação com todas as forças políticas".

No rescaldo das eleições, quando ainda se contavam votos, também o líder da Liga, Matteo Salvini, reivindicou para a coligação de direita que partilha com outros partidos "o direito a governar". E se possível consigo na liderança. Dentro dessa coligação, a Liga ficou à frente do Força Itália de Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro, que tinha escolhido para chefe do governo o atual presidente do Parlamento Europeu Antonio Tajani. Salvini tinha aceitado, em princípio, mas agora foi ambíguo, dizendo apenas que "os acordos entre amigos se mantêm claros".

Sublinhando que "a Liga saiu vencedora dentro da coligação [que inclui ainda os partidos Irmãos de Itália e Quarto Polo] e será o guia do centro-direita", Salvini concluiu que os italianos "decidiram recuperar o país e libertá-lo da precariedade, insegurança, de [Matteo] Renzi, de Bruxelas, dos juros da dívida e das embarcações com imigrantes". Embora a aliança de centro-direita tenha ganho sobretudo no Norte de Itália. Os quatro partidos são os que têm mais votos mas sem conseguir atingir a maioria absoluta. Criticando o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker e o euro - embora excluindo um referendo - o político populista de direita disse sobre a sua alegada rivalidade com Berlusconi que caberá ao presidente italiano encarregar de formar governo "quem tem os números mais próximos da realidade". Recorde-se que Berlusconi está inabilitado de ocupar cargos públicos até pelo menos 2019.

Enquanto se aguardava pelo anúncio dos resultados oficiais, Renzi, ex-primeiro-ministro, candidato do Partido Democrático, demitiu-se da liderança desta formação de centro-esquerda. Nas eleições de domingo, o partido teve quase tantos votos como a Liga e a sua coligação de centro-esquerda, com outros partidos pequenos, ficou em terceiro lugar, atrás da aliança de centro-direita e do Movimento 5 Estrelas. "Nunca formaremos alianças com forças antissistema", declarou Renzi, em conferência de imprensa. Os resultados do PD e Força Itália e a ascensão da Liga e 5 Estrelas são vistos como o fim do bipartidarismo, sendo que há muito que Itália se acostumou a ser considerada como um país ingovernável (em 70 anos teve 67 governos). As coisas também não correram da melhor forma ao ex-juiz Pietro Grasso, dissidente do PD e líder do Livres e Iguais, que ficou aquém do resultado esperado.

Numa primeira reação, a Comissão Europeia recusou-se a comentar o desfecho eleitoral, pedindo apenas um governo estável. "Confiamos na capacidade do presidente [Sergio] Mattarella para facilitar a formação de um governo estável em Itália", disse o porta-voz de Juncker, Margatis Schinas, na conferência de imprensa diária. Nas declarações que fez ontem, o líder da Liga agradeceu a Juncker pelas críticas que lhe fez. "Quanto mais ele falava mais votos ganhava", afirmou Matteo Salvini.

Mas se da instituição de Bruxelas o tom foi de cautela, dos governos europeus foi mais de pressão. O presidente francês atribuiu a vitória populista à pressão migratória. "Itália sofre hoje inegavelmente (...) num contexto de uma forte pressão migratória", situação na qual o país "vive há meses e meses", frisou Emmanuel Macron. Da Alemanha, país que só este domingo (cinco meses após as eleições) conseguiu ver viabilizado um executivo de grande coligação CDU/CSU/SPD, a chanceler Angela Merkel pediu um "governo estável" em Itália. "Para o bem de Itália e da Europa", frisou o porta-voz da chanceler. Em Portugal o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse apenas esperar que o futuro governo de Itália "respeite os valores e os compromissos europeus porque a UE precisa de Itália".

Fonte: DN

 

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