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Coronavírus: há cinco vacinas a serem desenvolvidas, mas ninguém sabe quando estarão disponíveis

20-03-2020 - Diogo Barreto

Dezenas de laboratórios estão a estudar uma vacina para conter a epidemia e algumas já vão em estado avançado. Mas será a vacina vai chegar a toda a gente e quando?

Seria a barreira mais eficaz para travar a pandemia do coronavírus e por isso centenas de cientistas pelo mundo começaram a trabalhar na procura de uma vacina que ajude a conter o avanço do coronavírus Covid-19. No total, cerca de 35 empresas e instituições académicas estão a estudar hipóteses que possam originar uma vacina e pelo menos quatro já criaram uma vacina que está atualmente a ser testada em animais de laboratório. Os primeiros testes em humanos devem então começar a ser feitos em abril, mas as vacinas podem só chegar daqui a 18 meses ou, nos melhores dos casos, no outono.

O vírus, que teve o seu epicentro na China, começou rapidamente a ser rastreado por cientistas chineses que conseguiram isolar o material genético do Sars-CoV-2, o vírus que transmite o Covid-19. A China, que detetou o primeiro caso em novembro, partilhou a informação sobre o RNA do vírus logo em janeiro de 2020, permitindo a grupos de especialistas pelo mundo fora a poderem ercriar o vírus nos laboratórios e perceber como este se insere no organismo humano e afeta a saúde humana.

O diretor do centro de investigação Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (Cepi), em Oslo, na Noruega, explicou a vários meios de comunicação nos últimos dias que os laboratórios trabalham há vários anos com a hipótese de um vírus causar uma pandemia como a que foi agora decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A verdade é que as previsões eram de que seria uma espécie de gripe a causar essa pandemia, não um coronavírus, no entanto, os cientistas começaram a preparar agentes patogénicos para combater essa possibilidade de surto.

As novas vacinas estão a ser desenvolvidas baseadas nos estudos feitos aquando das anteriores epidemias de coronavírus, como o Sars de 2002-2004 e a Mers de 2012. Os estudos para enfrentar este tipo de coronavíorus acabaram por ser guardados na gaveta quando os surtos terminaram. Mas foram agora recuperados para combater este novo coronavírus que se alastrou ao mundo inteiro. Os cientistas depositam particular esperança nos estudos feitos para o Sars, já que o Sars-CoV-2 partilha entre 80% e 90% do código genético daquele vírus.

Até ao momento há cinco vacinas em estado avançado de desenvolvimento. Uma delas já foi mesmo testada em humanos, segundo o Instituto Nacional de Saúde norte-americano. "A fase 1 do ensaio clínico para avaliar uma vacina em investigação projetada para a doença de coronavírus 2019 (COVID-19) começou no Instituto de Pesquisa em Saúde Kaiser Permanente Washington em Seattle", disse o Instituto, que financia este projeto, em comunicado, avançando ainda que os especialistas administraram uma vacina ao primeiro de 45 voluntários, todos adultos saudáveis, com idades entre os 18 e os 55 anos, que participarão nesta investigação, nas próximas seis semanas.

Uma empresa norte-americana chamada Novavax afirma já ter testado as vacinas contra o Sars-CoV-2 em animais e já está pronta para começar testes em humanos que devem ter o seu início ainda na primavera. Também a Moderna Therapeutics utilizou os estudos que havia realizado anteriormente aquando do Mers para desenvolver um protótipo que pode começar a ser testado em abril.

A "vacina" criada pela Moderna Therapeutics demorou 52 dias a ser criada desde que foi descodificada a sequência genética do Covid-19. Os primeiros exemplos desta vacina estão já a ser testados pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA.

Outra empresa a desenvolver vacinas é a alemã CureVec que foi mesmo aliciada por Donald Trump, o presidente dos EUA, a vender a sua investigação para que os americanos pudessem ter o monopólio mundial da vacina que cure o Covid-19. A União Europeia (UE) já disponibilizou até 80 milhões de euros à CureVac, uma empresa de Tübingen, na Alemanha. Ursula von der Leyen afirma esperar que, "com este apoio, seja possível haver uma vacina no mercado talvez até ao outono".

Também esta terça-feira à noite a China anunciou que tem um protótipo de vacina a ser estudado e que foi desenvolvido pela Academia Militar de Ciências. A equipa de investigação foi liderada pela epidemiologista Chen Wei, garantindo as autoridades que respeitou "as exigências internacionais e os regulamentos locais". Deste modo, garantem também, é possível avançar "com uma produção a grande escala, segura e efetiva". Além disso, foi também revelado que várias instituições chinesas vão avançar, em abril, com vários ensaios clínicos para comprovar mais vacinas que estão a ser desenvolvidas. Uma delas baseia em vetores virais da gripe e está na fase de testes em animais.

Surge assim um dos principais problemas do momento: quem terá acesso à vacina?

Quem terá acesso à vacina?

No passado domingo o mundo ficou abismado com a notícia de que o presidente dos EUA, Donald Trump tentou comprar o direito exclusivo à vacina contra coronavírus que está a ser desenvolvida nos laboratórios alemães. De acordo com uma investigação do Welt am Sonntag, o presidente norte-americano tinha tentado aliciar os laboratórios alemães a transferirem as suas investigações para os EUA e dar exclusividade àquele país.

O governo alemão respondeu dizendo não quer que a investigação da vacina seja transferida para os EUA, insistindo que nenhum país deve ter o monopólio de qualquer vacina, seja esta ou qualquer outra.

O laboratório em questão é o da empresa CureVac que, em colaboração com o Instituto Paul Ehrlich para Vacinas e Medicamentos Biomédicos, está a trabalhar na elaboração de uma possível vacina para combater o novo coronavírus.

O governo alemão está "muito interessado em que se desenvolvam vacinas e princípios ativos contra o novo coronavírus também na Alemanha e na Europa", confirmou um porta-voz do Ministério da Saúde germânico ao Welt an Sonntag.

Por norma as vacinas chegam primeiro aos países que têm maior capacidade de enfrentar vírus pois são também os países que as desenvolvem. Basta lembrar o que aconteceu em 2009 durante a crise da Gripe A em que as nações mais ricas compraram grande parte das vacinas à medida que estas foram sendo desenvolvidas. Mas a verdade é que até ao momento se tem notado um fenómeno peculiar com este Covid-19. Os países em via desenvolvimento têm sido menos afetados, sendo os principais focos de infeção a China, a Europa e os EUA, havendo relativamente poucos casos detetados em África ou na América Latina, por enquanto.

Quanto tempo pode demorar a vacina a chegar?

As vacinas, como maior parte dos medicamentos mundiais necessitam de ser submetidas a um longo processo de investigação para o desenvolvimento. Mas numa fase posterior são os testes que demoram a ser desenvolvidos.

Os medicamentos são primeiro testados em animais (por exemplo em ratos de laboratório) e só depois podem começar os testes em humanos. Por norma estes testes em humanos estão divididos em três fases:

Uma primeira em que se testam umas poucas dezenas de indivíduos voluntários e que não estejam infetados. Porquê sem estarem infetados? Para perceber se a vacina tem efeitos secundários adversos;

Uma segunda fase são testadas já centenas de indivíduos infetados. O objetivo é perceber se a vacina tem de facto efeito sobre a doença. Se a resposta do organismo for positiva na grande maioria dos casos poderá ser possível entrar na última fase em que o produto é administrado em milhares de pessoas.

Estes testes nunca são inócuos e há sempre pessoas a morrer durante a sua duração. Por isso é necessário ter muito cuidado no desenvolvimento destas vacinas. E é também por isso que maior parte das vacinas chegam a demorar mais de uma década a estar prontas a serem administradas de forma generalizada. Mas a verdade é que estamos numa situação inédita. Mesmo assim, um professor ouvido pelo jornal britânico The Guardian, revela que não se pode esperar que haja uma vacina pronta em menos de 18 meses.

Apesar desta previsão pessimista, a Comissão Europeia disse, esta terça-feira, esperar que a potencial vacina para o novo coronavírus que está a ser criada por um laboratório alemão esteja no mercado até ao outono, podendo "salvar vidas dentro e fora da Europa".

"Estamos [Comissão Europeia] a acelerar a investigação. Ontem [segunda-feira] falei com os gestores de uma empresa inovadora que está a trabalhar numa tecnologia promissora para desenvolver uma vacina contra o coronavírus", indica a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, através de um vídeo publicado na rede social Twitter.

Outros métodos que não a vacina

Ao mesmo tempo que estão a ser desenvolvidas várias vacinas, está a ser testado pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA um medicamento anti-viral chamada Remdesivir que está a ter sucesso em pacientes infetados com o novo coronavírus. O especialista em doenças infecciosas do Centro Médico Davis da Universidade da Califórnia, George Thompson, fazia parte da equipa que administrou Remdesivir a uma norte-americana infetada com coronavírus no passado dia 26 de fevereiro.

Cerca de 36 horas após ser internada, e os médicos acreditarem que a paciente não iria resistir, a mulher foi submetida a tratamentos com remdesivir. Um dia depois, a infetada acabou por reduzir a carga viral e a sua condição de saúde melhorou. O Remdesivir começou também a ser aplicado a infetados no cruzeiro Diamond Princess.

Os números deste coronavírus

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 189 mil pessoas, das quais mais de 7.800 morreram.

Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 81 mil recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 146 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Os países mais afetados depois da China são a Itália, com 2.503 mortes para 31.506 casos, o Irão, com 988 mortes (16.169 casos), a Espanha, com 491 mortes (11.178 casos) e a França com 148 mortes (6.633 casos).

Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou terça-feira o número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

Fonte: Sábado.pt

 

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