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Que património cultural do Irão está na mira dos EUA?

10-01-2020 - Diogo Camilo

Donald Trump anunciou que EUA tinham na mira 52 locais "muito importantes" para a cultura do Irão caso este pensasse numa retaliação. Mas será que os Estados Unidos têm permissão para destruir a herança cultural de um país através de conflitos armados?

Depois do ataque aéreo dos Estados Unidos, em Bagdade, que resultou na morte do comandante da força de elite do Irão Al-Quds, o general Qassem Soleimani, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou que os EUA tinham na sua mira 52 locais "muito importantes" para o Irão e para a cultura iraniana caso o país asiático pensasse numa retaliação.

Trump não identificou possíveis alvos mas explicou o número, que surge em referência aos 52 norte-americanos mantidos reféns no Irão por 444 dias, entre 1979 e 1981, após militantes islâmicos tomarem a embaixada americana em Teerão como forma de apoio à Revolução Iraniana.

"Eles estão autorizados a torturarem e a mutilarem os nossos. Eles têm permissão para usarem bombas nas estradas e explodirem com os nossos. E nós não podemos tocar nos locais culturais deles? Isso não funciona desta maneira", referiu o presidente dos EUA este domingo.

"Eles estão autorizados a torturarem e a mutilarem os nossos. Eles têm permissão para usarem bombas nas estradas e explodirem com os nossos. E nós não podemos tocar nos locais culturais deles? Isso não funciona desta maneira", referiu o presidente dos EUA este domingo.

Mas será que é assim? Será que os Estados Unidos têm permissão para destruir a herança cultural de um país em conflitos armados? Não, e foram os próprios EUA que acordaram tal pressuposto, na Convenção da UNESCO de 1954, há mais de 65 anos.

Na ressaca da Segunda Guerra Mundial, Irão e Estados Unidos foram dois dos Estados a ratificarem o acordo para a Protecção de Propriedade Cultural em Conflitos Armados. Numa segunda convenção, em 1972, comprometeram-se ainda a "não tomar medidas deliberadas que possam prejudicar directa ou indirectamente o património cultural e natural" noutros Estados subscritores da convenção.

Esta segunda-feira, a directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, recordou também uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, adoptada por unanimidade em 2017, que condena actos de destruição em casos de conflito armado.

Em Dezembro de 2018, os EUA oficializaram a sua saída da UNESCO, referindo um "enviesamento anti-Israel" na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Ainda assim, norte-americanos mantêm-se como Estado observador na organização ligada à ONU.

Que patrimónios do Irão podem estar em perigo?

O Irão é, actualmente, a casa de 24 locais de Património Mundial da UNESCO – 23 deles culturais e outro natural. Os primeiros a conheceram tal distinção, em 1979, foram a Praça de Naqsh-e Jahan, em Isfahan, (uma das maiores praças do mundo), Persépolis, capital do Primeiro Império Persa e construída em 500 a.C., e Tchogha Zanbil, um complexo de ruínas da cidade sagrada do Reino de Elam, situado no actual sudoeste do Irão.

Nos últimos 17 anos, mais 20 locais foram considerados Património Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e a mais recente distinção, anunciada em Agosto do ano passado, foi de Património Natural para ecorregião das Florestas Mistas Hircanianas do Cáspio, que cobrem cerca de 55 mil quilómetros quadrados entre Irão e Azerbeijão.

Além destes, o Irão tentou também colocar mais 55 locais, todos eles recusados. Os mais recentes exemplos aconteceram em 2017, quando o país asiático indicou, entre outros, o mausoléu do fundador da República Islâmica do Irão, o Aiatolá Ruhollah Khomeini, conhecido como Complexo Sagrado Imam Reza, em Teerão. De acordo com o New York Times, o local guardou, no passado, mísseis terra-ar iranianos.

À Euronews, Oona Hathaway, antigo membro do Departamento de Defesa dos EUA, as ameaças do presidente norte-americano representam uma "clara promessa de crime de guerra". No entanto, os locais apontados pelos Estados Unidos podem tornar-se legítimos "alvos militares" se o seu propósito tiver sido alterado, indica o Comité Internacional da Cruz Vermelha.

Fonte: Sabado.pt

 

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