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OCDE optimista no défice mas conservadora no PIB

22-11-2019 - Hugo Neutel

Organização adivinha saldo nulo em 2020, em linha com o governo. PIB desacelera. Banca, Brexit e contexto internacional podem complicar as contas.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu em alta a estimativa para o saldo orçamental deste ano e do próximo, adivinhando um excedente orçamental de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. As novas projecções alinham com as do governo, apontando para um défice de 0,1% neste ano e um saldo nulo no próximo.

A OCDE considera que o saldo orçamental deverá ser "neutro em 2020-2021", e acrescenta que o peso da dívida pública no PIB deverá continuar a cair: na óptica de Maastricht (a que conta para Bruxelas), será de 119,3 % neste ano, 117,1 % no próximo (números ligeiramente acima dos projectados por Mário Centeno) e 114,3 % em 2021.

A instituição liderada por Ángel Gurría adivinha a "continuação de uma política orçamental prudente", sublinhando que a melhoria da eficiência nos gastos públicos é importante para a constituição de folgas que permitam enfrentar "choques não antecipados"e o "impacto fiscal do envelhecimento da população".

Crescimento abranda em 2021

Os peritos da instituição adivinham um abrandamento do crescimento económico para 1,7% em 2021. O valor está em linha com as projecções do Conselho das Finanças Públicas e da Comissão Europeia, e acima dos 1,5% previstos pelo FMI. Para este ano os peritos acreditam numa subida de 1,9% enquanto para 2020 estimam um aumento de 1,8%. A OCDE aponta a procura interna como principal motor desse crescimento, mas afirma que o aumento dos rendimentos vai perder fulgor, com consequências no Produto Interno Bruto.

Apesar da conjuntura externa, as exportações vão aumentar 2,7% em 2019, 1,1 em 2020 e 2,2 em 2021, sustentadas por ganhos de competitividade apoiados em custos salariais modestos. Os fundos europeus, acredita a instituição, vão fazer crescer o investimento. O desemprego vai continuar a cair, ainda que de forma ligeira.

Os principais riscos para a economia portuguesa estão numa possível deterioração das perspectivas de crescimento da União Europeia, na incerteza associada ao Brexit, que pode afectar o comércio externo e o turismo, e no sector bancário, que continua vulnerável a choques devido ao nível elevado de crédito mal parado (Non-Performing Loans ou NPL). Os economistas da OCDE admitem no entanto que os bancos fizeram progressos significativos no fortalecimento dos balanços e na redução do crédito em risco, permitindo o crescimento dos empréstimos e do consumo.

Os factores que podem beneficiar o PIB nacional são uma melhoria do desempenho do mercado laboral e da competitividade das exportações.

No lado das empresas, a organização sublinha que "depois de um período de desalavancagem [redução da dependência de crédito], e aumento da rentabilidade, as companhias estão a investir, graças a taxas de juro baixas".

A OCDE deixa também recomendações, sublinhando que é "crucial melhorar a eficiência da justiça e reduzir os processos em atraso", e diminuir as "barreiras regulatórias no sector dos serviços e nas "indústrias de rede" (áreas assentes em redes físicas ou virtuais, como as telecomunicações ou a energia).

Portugal, escreve a organização, "também precisa de aumentar competências profissionais", destacando que "os níveis de educação continuam a melhorar, mas a fatia de trabalhadores de baixas habilitações ainda é elevado". "Aumentar a qualidade da educação e da formação em escolas profissionais ajudaria a alinhar as competências às necessidades das empresas e ajudaria a promover um crescimento inclusivo", conclui.

Crescimento mais baixo desde a crise financeira global

No plano internacional, a OCDE reviu em baixa o crescimento mundial, acreditando agora que nos próximos anos o PIB planetário vai aumentar em torno dos 3% (em vez dos 3,5% estimados nas últimas projecções, feitas há um ano). O valor é, sublinha a organização, o mais baixo desde a crise financeira global.

Espanha, principal parceiro comercial português, vai crescer 1,6% em 2020 e em 2021.

A Alemanha, motor da economia europeia, vai ter evoluções muito modestas, de 0,4 e 0,9%. No conjunto da zona euro a subida será de 1,2% em 2021. Nesse ano, a economia dos Estados Unidos vai abrandar para 2%. A China vai crescer 5,5%, o Japão 0,7%.

A OCDE aponta o dedo às tensões comerciais, escrevendo que desde o início da crise o proteccionismo já levou à implementação de mais de 1500 restrições ao comércio internacional, e à falta de estratégia política no combate a problemas que já se tornaram estruturais, como a digitalização e o combate às alterações climáticas, explicando que os fenómenos naturais extremos podem ter consequências económicas graves.

Fonte: TSF

 

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