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Tancos. Azeredo admite que apagou todas as mensagens antes de sair do Ministério

04-10-2019 - Lusa

O antigo ministro da Defesa Azeredo Lopes reiterou nada saber sobre a “encenação” na recuperação das armas de Tancos, admitindo ainda que apagou as mensagens de todos os telemóveis antes de deixar o Ministério.

As declarações do antigo governante fazem parte do interrogatório de 4 de junho, a que a SIC Notícias e o Expresso tiveram a acesso. Foi neste mesmo dia, recorde-se, que Azeredo Lopes foi constituído arguido no processo de Tancos.

Durante o interrogatório, no Tribunal de Instrução criminal (TIC), em Lisboa, Azeredo Lopes reiterou nada saber sobre a “encenação” e disse que não se lembra de ter visto o memorando da Polícia Judicial Militar (PJM) sobre a encenação das armas de Tancos enviado pelo chefe de gabinete por WhatsApp para o seu telemóvel, conta o semanário.

O antigo governante admite que possa ter apagado a mensagem, uma vez que apagou os registos de todos os telemóveis antes de deixar o Ministério da Defesa.

“Tinha por hábito todas as semanas apagar tudo. Foi o conselho que me deram por razões de segurança. Antes de sair do ministério,  apaguei os telemóveis todos“.

Azeredo Lopes insistiu nada saber sobre o caso, dizendo que apenas teve consciência de um clima de conflito entre a Polícia Judiciária (PJ) e a PJM.

“A construção que é feita contra mim põe-me como um enorme protagonista e uma espécie de mandante. É a construção de alguém que tem quase um orgulho clubístico na PJM. Estou a sorrir porque me causa surpresa a tese de que eu sabia de qualquer coisa antes da descoberta”, afirmou ao juiz de instrução João Bártolo.

“O sr. Coronel Vieira [então número dois da PJM] manifestamente  não se conformava com a atribuição da investigação à PJ. Essa convicção dominou-o completamente. A certa altura tornou-se uma  obsessão”, acrescentou.

O antigo ministro estendeu ainda críticas à atuação do major Vasco Brazão, inspetor da PJM no âmbito do processo de Tancos. “As suas declarações mostram que é alguém que está perturbado, é um mitómano, não está bom da cabeça”.

“Fui  enganado de forma sistemática“, afirmou, confessando que, na época, não se certificou em como os militares da PJM tinham sabido do local onde se encontrava o arsenal. Achou que tinha sido através de uma denúncia anónima. Agora, sabe que se tratou de “uma operação criminosa”.

No decorrer do interrogatório, Azeredo Lopes admitiu mesmo que, até à data dos factos, não sabia o que era um paiol. “É bom ter presente. E digo isto sem ironia. Eu não fazia a mínima ideia do que era um paiol”, afirmou.

O antigo ministro  responderá por quatro crimes: abuso de poder, denegação de justiça, prevaricação e favorecimento pessoal. De acordo coma a acusação do Ministério Público, Azeredo Lopes não só o antigo ministro soube de toda a operação para a “recuperação” das armas furtadas, como também utilizou a situação para tirar louros políticos.

Joana Marques Vidal é testemunha

A ex-procuradora-geral da República, o ex-chefe de gabinete do ministro da Defesa e o antigo chefe da Casa Militar do Presidente da República estão entre as testemunhas do Ministério Público para o julgamento do processo de Tancos.

Segundo a acusação do processo, a ex-procuradora-geral da República Joana Marques Vidal foi responsável pela  atribuição da investigação  do furto e da encenação da recuperação das armas dos paióis de Tancos à PJ, contra a vontade do então diretor da PJM, Luís Vieira, arguido acusado no processo.

A antiga Procuradora Geral da REpública disse, a 19 de março, na comissão de inquérito ao caso de Tancos, que a PJM atuou de forma ilegal no processo que levou ao “achamento” do material militar furtado, em 2017. A PJM “fez diligências” e prosseguiu uma “investigação criminal quando não tinha competência para isso”, pois “estava entregue à PJ [Polícia Judiciária]”, afirmou na comissão de inquérito.

Joana Marques Vidal relatou que, no dia em que se soube do reaparecimento de parte do material furtado, tentou  por diversas vezes contactar o então diretor  desta polícia, Luís Vieira, assim como Amadeu Guerra, à data diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), outra das testemunhas arroladas.

Entre as 112 testemunhas, o Ministério Público quer também chamar a depor António Martins Pereira, ex-chefe de gabinete de do antigo ministro da Defesa Azeredo Lopes, e o ex-chefe de Estado Maior General das Forças Armadas Artur Monteiro e ainda Rovisco Duarte, na altura Chefe Estado Maior do Exército.

O caso do roubo nos paióis de Tancos  conta com 25 arguidos . O furto de material de guerra foi divulgado pelo Exército a 29 de junho de 2017. Quatro meses depois, a PJM revelou o aparecimento do material furtado, na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, em colaboração de elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

 

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