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Irão. Trump deve dar "primeiro passo" na negociação e levantar sanções

30-08-2019 - RTP

A abertura para uma solução diplomática à crise entre Teerão e Washington ameaça fechar-se, depois de o Presidente iraniano, Hassan Rohani, ter pedido aos Estados Unidos para darem "o primeiro passo, levantando todas as sanções" contra o seu país.

É a "primeira etapa", afirmou Rohani, num discurso transmitido pela televisão estatal do Irão. "Deve levantar todas as sanções ilegais, injustas e desleais, contra a nação iraniana", acrescentou, dirigindo-se especificamente ao Presidente norte-americano, Donald Trump.

As sanções, incluindo a proibição de comércio de petróleo em todo o mundo, foram restabelecidas pela Administração Trump, depois desta decidir retirar do acordo internacional sobre o programa nuclear do Irão, assinado em Viena de Áustria em 2015, pelo seu antecessor Barack Obama.

Donald Trump admitiu esta segunda-feira, no final da cimeira do G7 em Biarritz, França, estar disposto a reunir-se com Rohani, caso as "circunstâncias" para tal estejam reunidas. O Presidente norte-americano sublinhou ainda que é "realista" assumir que esse encontro possa acontecer em breve, deixando contudo o aviso de uma "resposta violenta" caso o Irão não cumpra.

"Tenho um bom pressentimento. (…) Eles não podem fazer aquilo que disseram que fariam, porque se o fizerem vão ter uma resposta muito violenta. Por isso, acho que vão portar-se bem. Acho que vão querer que nos encontremos para resolvermos a situação. Estão a sofrer bastante", afirmou o Presidente norte-americano, em referência ao resultado das sanções sobre o povo do Irão. 

A fatwa

Na sua declaração, Rohani manteve que a "chave de uma mudança positiva" está nas mãos de Washington, pois "o Irão já deixou de lado o que mais inquieta os Estados Unidos: a produção de uma bomba atómica", garantiu.

"Se, honestamente, é a sua única preocupação, esta já está excluída", por um édito - uma fatwa - emitido pelo guia supremo do Irão, o ayatola Ali Khamenei, sublinhou Rohani. "Por isso, dê o primeiro passo", acrescentou o Presidente iraniano.

Donald Trump acredita que o Irão recebeu milhares de milhões de dólares em ajudas, sem cumprir um único dos objetivos impostos no acordo nuclear de 2015.

A tensão entre os dois países tem escalado sucessivamente desde maio, ameaçando mesmo a navegação nas águas internacionais do Golfo de Ormuz, junto às costas do Irão.

Em resposta às sanções, Teerão renunciou ao cumprimento dos compromissos assumidos em 2015, e em julho voltou a enriquecer urânio acima do estabelecido.

Rohani prometeu prosseguir esta estratégia, até que os seus interesses sejam acautelados.

"Se os nossos interesses não forem garantidos, iremos continuar a reduzir os nossos esforços sob o acordo de 2015", alertou o Presidente iraniano.

"Teerão nunca quis armas nucleares", garantiu ainda Rohani, repetindo o estribilho apresentado ao longo de anos de negociações com as principais potências mundiais.

"Alguns progressos"

Segunda-feira, no final da reunião em Biarritz, os líderes do G7 pareceram ter alcançado um entendimento sobre a crise iraniana, que dividiu França, Alemanha, Reino Unido, Rússia e China, como signatárias do acordo, dos Estados Unidos, que exigem um entendimento mais abrangente e duradouro.

"Nada ficou definido e as coisas continuam muito frágeis, mas foram iniciadas discussões técnicas com alguns progressos reais", revelou o anfitrião da cimeira, o Presidente francês Emmanuel Macron, na conferência final do G7.

"Há duas coisas que são muito importantes para nós: o Irão não pode ter armas nucleares e não pode ameaçar a estabilidade regional", acrescentou.

Horas antes, também ao lado de Donald Trump, a chanceler alemã, Angela Merkel, considerou que sobre a temática estão a "avançar lentamente" e reiterou que a posição de Berlim continua a ser a de evitar, pela via política, que o Irão alcance as armas nucleares.

"Não sabemos qual vai ser o desfecho, quais são as possibilidades. Mas a nossa vontade é total e isso já é um grande passo. Todos temos grande interesse numa solução pacífica, mas não vai ser fácil", acrescentou Angela Merkel.

Trump e Rohani são ambos aguardados em setembro em Nova Iorque, para a reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas. Especula-se que o encontro entre os líderes poderá ter lugar numa reunião bilateral.

A acontecer, seria uma reunião inédita em mais de 40 anos de história, uma vez que os representantes de ambos os países nunca se encontraram, desde a Revolução Islâmica de 1979.

 

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