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Autarca de Mação “foi um verdadeiro comentador televisivo”. Atitude de Cabrita “é indigna”

26-07-2019 - Lusa

O incêndio de Mação, em Castelo Branco, que deflagrou no passado sábado e foi esta terça-feira dominado, continua a ser o mote para a troca de acusações entre o autarca local e membros do Governo.

Depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter recordado que os autarcas são os primeiros responsáveis pela proteção civil nos concelhos, agora foi a vez do Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que acusou o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, de agir como “um verdadeiro comentador televisivo”, em vez de acionar o Plano Municipal de Emergência.

“A Câmara da Sertã e a Câmara de Vila de Rei ativaram imediatamente os planos municipais de emergência, prestaram todo o apoio logístico àquilo que foram as operações de uma operação de Proteção Civil de grande dimensão, que envolveu mais de mil operacionais”, começou por explicar o governante, que falava em entrevista à RTP.

“O senhor presidente da Câmara de Mação, com quem estive hoje [esta terça-feira] à tarde, vejo com desgosto   que – aquilo que julgava ser uma perturbação motivada pela tensão da ocorrência que estava a passar-se no seu concelho – optou por não promover a ativação do Plano Municipal de Emergência, não dar qualquer cooperação ao esforço de Proteção Civil e ser  verdadeiramente um comentador televisivo “, lamentou.

Confrontado com as críticas dos autarcas sobre a alegada falta de meios destacados para a região, Eduardo Cabrita afirmou que os presidentes de câmara “são parceiros fundamentais e são os primeiros responsáveis da Proteção Civil nos seus municípios”, tal como tinha já afirmando o primeiro-ministro.

O presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, considerou o comentário de Eduardo Cabrita como uma ofensa de caráter, afirmando que a sua  atitude é indigna  de um membro do Governo. “Não é forma de um membro do Governo tratar de uma forma ofensiva um presidente de Câmara. Posso discutir e discordar de ações que são tomadas, mas não entro no campo da ofensa e da ofensa de caráter”, afirmou em declarações à RTP.

“E o que o senhor ministro fez é indigno de um membro do Governo porque ofendeu o meu caráter ao vir dizer que eu me preocupei mais em ser comentador televisivo do que em proteger os cidadãos deste concelho”.

E concluiu: “ É uma vergonha   que um membro do Governo perca tempo, perca tempo a ofender em termos pessoais, repito, ofender em termos pessoais o concelho que mais ardeu no país, onde as pessoas estão a sofrer e o senhor ministro em vez de ter uma palavra de solidariedade para estas pessoas, o senhor ministro prefere ofender em termos pessoais o presidente da Câmara. É lamentável que isto aconteça”.

À TSF, Vasco Estrela revelou ainda que foi com “total surpresa” que recebeu as palavras de Eduardo Cabrita. “Nunca pensei que o ministro vivesse tão mal com opiniões divergentes. E que quando confrontado com críticas claras e objetivas e factuais reagisse dessa maneira”.

“Lamento que tenha estado comigo às 15 horas e  não tenha tido a coragem  de dizer olhos nos olhos aquilo que foi dizer para a televisão. É com muita surpresa que vejo estas declarações”, sublinhou o autarca de Mação.

Ardeu a área de Lisboa em Vila de Rei e Mação

O incêndio nos concelhos de Vila de Rei e Mação consumiu mais de 9.500 hectares de florestais, cerca de metade da área ardida deste ano, segundo o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS).

O EFFIS, do Centro de Investigação Comum da Comissão Europeia, que apresenta as áreas ardidas cartografadas em imagens de satélite, indica que o incêndio que deflagrou no sábado em Vila de Rei e que se propagou ao concelho de Mação, já em Santarém, consumiu 9.631 hectares, aproximadamente a  área da cidade de Lisboa .

Este fogo foi esta quarta-feira dado como dominado, mas mantêm-se no terreno os mais de 1000 operacionais e oito meios aéreos. Os dados do EFFIS mostram também que os incêndios florestais consumiram este ano 18.606 hectares de floresta, enquanto que a média da aérea ardida entre 2008 e 2018 foi de 24.622.

Os dados provisórios, disponíveis no site do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), indicam que, entre 1 de janeiro e o dia de hoje, ocorreram 6.091 incêndios rurais, que provocaram 11.602 hectares de área ardida.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera,  mais de duas dezenas  de concelhos dos distritos de Portalegre, Castelo Branco, Santarém, Coimbra, Viseu e Bragança apresentam esta quarta-feira um risco máximo de incêndio.

O IPMA colocou também vários concelhos de todos os distritos (18) de Portugal continental em risco muito elevado e elevado de incêndio.

 

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