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Queixas contra CTT disparam desde a sua privatização

26-07-2019 - AbrilAbril

A degradação do serviço público postal evidencia-se desde a preparação da sua privatização com milhares de despedimentos e centenas de estações encerradas. Em 2019, o cenário de agravamento prossegue.

Desde o início do ano foram feitas junto do Portal da Queixa 3778 reclamações (à hora e data em que se escreve o artigo), em razão de problemas com os serviços prestados.

A degradação do serviço público prestado e das condições de trabalho nos CTT, cinco anos após a primeira fase de privatização da empresa, são evidentes. Os Correios são assim a instituição que mais reclamações recebe no portal do consumidor.

Como hoje informa o  Jornal de Notícias , só entre 17 de Junho e 17 de Julho deste ano «deram entrada 936 queixas, uma subida de 34% face às 699 registadas no mesmo período 2018».

Pese embora a empresa avançar com a justificação de que o período de férias traduz-se em alguns «constragimentos», desde 2015 – ano subsequente à privatização dos CTT – que se verifica um aumento exponencial de queixas, o que evidencia a falta de meios, em particular humanos, para dar resposta às necessidades.

É a própria DECO que diz que, «a partir de 2015, o total de reclamações começou a subir, e não mais parou. Entre aquele ano e o seguinte, o aumento foi de cerca de duas mil, mais concretamente de 6890 para 8934. Até 2018, chegou às 16 077 reclamações, soma que inclui as registadas no livro de reclamações físico e electrónico, e as recebidas directamente na Anacom sobre os CTT» –conforme consta no gráfico da Defesa do Consumidor.

Recorde-se que em 2011, PS, PSD e CDS-PP assinaram o acordo com a troika onde constava a privatização dos CTT, que viria a ser concretizada em duas fases, em 2013 e 2014, desferindo desse modo um golpe junto de uma das empresas públicas mais lucrativa. Só nos sete anos anteriores à privatização (entre 2007 e 2013) apresentou, em média, lucros superiores a 50 milhões de euros.

A degradação do serviço público postal evidencia-se desde a preparação da privatização, pela qual se impôs a saída de quase três mil trabalhadores, o encerramento de mais de 300 estações e 85 centros de distribuição postal e o fim de mais de 1500 giros – caminho que foi prosseguido pela administração nos anos subsequentes.

 

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