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Espanha. Iglésias pressiona Sánchez para Governo de coligação

03-05-2019 - Graça Andrade Ramos

O PSOE quer governar sozinho com apoios pontuais, mas o Unidas Podemos, de Pablo Iglésias, está a exigir uma coligação, para alegadamente garantir a estabilidade. Para já, qualquer acordo definitivo terá de esperar provavelmente pelas eleições europeias de 26 de maio.

O processo anuncia-se prolongado - ambos os líderes o admitiram - e irá marcar o arranque do novo Executivo, possivelmente ao longo do verão.

A longo prazo, ganhará quem conseguir aguentar melhor a pressão.

Nas primeiras reuniões, o líder do Podemos já fez saber ao socialista que, ao contrário dos últimos 10 meses, o apoio do seu partido não está garantido e só existirá se integrar o Governo.

"Só aceitamos um cenário: que haja um Governo de coligação", afirmou Iglésias.

Sánchez também já deu sinais de não cedência, pois sente que a fórmula recente de colaboração institucional - uma geringonça em tudo menos no nome - deu bom resultado. O único compromisso que admite é rechar o seu Executivo de ministros alinhados à esquerda.

Sob este aspeto, as eleições jogaram a favor de Sánchez, que reforçou a sua força parlamentar, ao contrário de Iglésias, que perdeu quase metade dos seus deputados e 1.3 milhões de votos. O seu grande trunfo é ser a chave para uma governação tranquila.

As duas forças atravessam o melhor momento da sua história, tendo nos últimos 10 meses acordado várias medidas de fundo, sem problemas e de forma discreta, incluindo um pacto de Pressupostos com dezenas de medidas, algo inimaginável há uns anos.

O acordo ficou na gaveta porque os independentistas o recusaram, mas apontou um caminho de acordo que abre caminho a um acordo político "à portuguesa".

No caso de um Governo de coligação ambos os partidos têm interesses opostos, razão pela qual as negociações se anunciam demoradas, embora discretas, até se alcançar uma solução.

Apelo à oposição

Em entrevista ao El Mundo esta terça-feira, o presidente dos empresários espanhóis pediu ao Partido Popular e ao Cidadãos, que se abstenham na votação de Sánchez como líder de um Governo minoritário.

António Garamendi recordou que isso mesmo fez o PSOE há anos, com Mariano Rajoy.

A abstenção do PP e do Cidadãos iria evitar que os socialistas ficassem encurralados pelos apoios do Unidas Podemos e dos partidos independentistas, argumenta.

"Não digo que tenham de dar a abstenção de mão beijada, mas seria bom que resultasse de acordos de interesse geral, para que o país enfrente a desaceleração económica", acrescentou o empresário, que assegura estar em contacto com "grandes, médias e pequenas empresas, que necessitam do mesmo: moderação e estabilidade".

Só que, o apelo dos patrões aos políticos poderá virar-se contra eles.

Pressupostos na mesa

Os jornais espanhóis já começaram a especular sobre a direção a tomar pelo novo chefe do Executivo e acreditam que, respaldado por um número confortável de deputados, e se chegar a acordo com Iglésias, Sanchez irá recuperar o seu projeto conjunto dos Pressupostos.

Como estratégias para 2019, este inclui a subida de impostos às grandes fortunas, aos rendimentos acima dos 130 mil euros, além de impostos sobre grandes grupos económicos a partir de uma base de 15 por cento, que para bancos e petrolíferas será de 18 por cento.

O imposto sobre o gasóleo também subiria, para ir equiparando a carga fiscal deste à da gasolina, assim com as taxas sobre tecnologias e serviços informáticos.

As Finanças espanholas calcularam que, com este agravamento fiscal, iriam arrecadar mais de 4.900 milhões de euros. Se vierem a ser implementados, estes Pressupostos já terão perdido contudo pelo menos seis meses de rendimentos, relativamente a este ano, pelo que estas contas terão de ser revistas.

Os resultados eleitorais permitem entretanto ao Executivo de Sánchez enviar a Bruxelas ainda esta terça-feira, o Programa de Estabilidade de Espanha.

O texto, redigido ainda antes das eleições, prevê um deficit de cerca de dois por cento do PIB, antecipando uma revisão do objetivo.

"É o cenário atual", garante fonte do ministério das Finanças ao diário ABC.

Fonte: RTP

 

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