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Bastonário dos médicos muito preocupado com o desaparecimento de medicamentos

15-03-2019 - Filipe Santa-Bárbara e Gonçalo Teles

Miguel Guimarães critica a postura da ministra da Saúde, que classificou o desaparecimento dos medicamentos como "coincidências".

O bastonário da Ordem dos Médicos está muito preocupado com o desaparecimento de dois medicamentos - um antirretroviral e um potente analgésico - numa só semana.

Esta terça-feira, a ministra da Saúde considerou que estes desaparecimentos não passam de uma mera coincidência. À TSF, Miguel Guimarães diz que este é um caso preocupante e que deveria merecer mais atenção por parte do Executivo.

Estes desaparecimentos de dois medicamentos são preocupantes para Miguel Guimarães, que explica que "o antirretroviral é utilizado para tratar doentes com VIH/sida, tem efeitos colaterais potentes se utilizado indevidamente e é um medicamento que pode ter um valor super inflacionado no mercado negro. É uma situação muito preocupante."

Já o segundo medicamento "é o Fentanil, um complemento para a anestesia de doentes que também é usado, em circunstâncias muito específicas, como um analgésico muito potente. É um medicamento que, se for usado de forma inadequada pode ter consequências dramáticas."

Por estas razões, o desaparecimento destes dois medicamentos causa "muita preocupação" a Miguel Guimarães, que acredita que os fármacos terão sido "roubados com um objetivo" e que, por isso, deve ser motivo de "investigação profunda" por parte das autoridades.

Medicamentos indisponíveis

À TSF, Miguel Guimarães falou ainda sobre o caso do hidrocortisol, um medicamento que não está disponível nas farmácias. É um fármaco indicado para tratar insuficiência suprarrenal que, realça o bastonário, é muito importante e não tem substituto.

"É muito importante para doentes com problemas ao nível da glândula suprarrenal, nomeadamente insuficiência. Não é um medicamento que tenha propriamente um substituto com a mesma capacidade e, portanto, é uma situação grave que tem de ser rapidamente resolvida. Não sendo uma doença muito frequente, existem certamente centenas ou milhares de casos de pessoas que precisam deste tipo de medicação. Para elas é fundamental", reforçou.

A questão dos medicamentos indisponíveis nas farmácias é algo que tem vindo a acontecer com maior frequência. O bastonário da Ordem dos Médicos dá o exemplo de um fármaco para a disfunção erétil que é considerado como o último reduto e que não está, também, disponível no mercado.

"Ainda hoje tive um doente meu, que tem problemas a nível sexual, a dizer que não conseguia comprar um medicamento que lhe tinha sido prescrito, que é o alprostadil - nome comercial Caverject - só existe este. Não o encontra em farmácia nenhuma e dizem-lhe que já deixou de vir para Portugal. Esse é um medicamento extraordinariamente importante porque serve, não só para acoplar a um exame chamado ecodoppler e fazer o diagnóstico de uma disfunção erétil, como serve para tratar os casos mais graves", explica Miguel Guimarães.

"Este tipo de situações vai acontecendo com vários medicamentos e nós temos de estar atentos. Quem lida com os medicamentos são os clínicos e quem precisa deles são os doentes. Há medicamentos que, de facto, não são fáceis de substituir. Este é mais um que não tem propriamente um substituto porque é aquele que se utiliza quando falham todos os comprimidos utilizados na disfunção erétil. É o último reduto do tratamento não-invasivo", alertou.

Fonte: TSF

 

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