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Brexit. Estudo da CIP antevê quebra de até 26% nas exportações

02-11-2018 - RTP

Um estudo promovido pela Confederação Empresarial de Portugal, a divulgar esta quarta-feira, prevê que a saída do Reino Unido da União Europeia conduza a um recuo de 15 a 26 por cento nas exportações portuguesas. O turismo e a indústria automóvel são domínios que deverão sofrer impactos de relevo.

O cenário imediato traçado neste trabalho comissionado pela CIP à Ernst & Young - Augusto Mateus & Associados (EY-AM&A) passa por “reduções de exportações portuguesas para o Reino Unido entre -1,1% e -4,5%, reduções de fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE) dirigidos a Portugal entre -0,5% e -1,9% e reduções de remessas de emigrantes entre -0,8% a -3,2%”. Números que “podem fazer-se repercutir na economia portuguesa, decorrentes da contração prevista para a economia britânica no horizonte do período de transição”.

A “médio-longo prazo”, prossegue o estudo, cujo conteúdo é sintetizado pela agência Lusa, “a alteração do quadro de relacionamento entre o Reino Unido e a UE encerra um risco forte para as exportações de bens e serviços portuguesas, que pode resultar em reduções potenciais das exportações globais entre cerca de 15% e 26%, dependendo do tipo de relacionamento comercial futuro que vier a ser estabelecido”.

“Resulta claro um sinal de que os efeitos podem ser muito significativos, tendo em conta que o Reino Unido é o quarto mercado de destino das exportações portuguesas de bens e o primeiro das exportações de serviços”, escrevem os relatores.

Na rota das ondas de choque do Brexit, ainda segundo o estudo promovido pela Confederação Empresarial de Portugal, estão diferentes sectores, entre os quais a indústria automóvel.

“São identificados como produtos com maior grau de risco associado ao Brexit produtos informáticos, eletrónicos e óticos, equipamento elétrico e veículos automóveis, reboques e semirreboques”, estima o documento. 

Bens sujeitos a menor risco serão os produtos alimentares, bebidas, produtos da indústria do tabaco, produtos têxteis, artigos de vestuário, couro e produtos afins, papel e cartão e seus artigos, produtos farmacêuticos e preparações farmacêuticas de base, artigos de borracha e de matérias plásticas, outros produtos minerais não metálicos, metais de base, produtos metálicos transformados, máquinas e equipamentos e mobiliário.

“Quebra de poder de compra é ameaça”

Quanto ao turismo, o estudo recorda o peso do mercado britânico neste sector em Portugal.

“Em 2016, passaram por Portugal cerca de dois milhões de hóspedes britânicos que despenderam mais de 9,5 milhões de noites. De facto, a larga maioria dos turistas europeus que chegaram a Portugal em 2016 eram ingleses, representando 21% dos hóspedes e 28% das dormidas em estabelecimentos hoteleiros, tendo crescido a um ritmo médio anual desde 2010 de cerca de 10%/ano em ambos os casos”, escrevem os autores. 

“A quebra do poder de compra dos ingleses é, por isso, uma ameaça, dado o impacto na dinâmica turística nacional que tem beneficiado a economia portuguesa e que tem contribuído para que o turismo tenha vindo a assumir uma importância crescente, representando, em 2016, 7,1% do VAB (Valor Acrescentado Bruto) total, com uma taxa de variação face ao ano anterior de 9,9%”.

Por outro lado, “os serviços de transporte assumem-se como grupos em que Portugal apresenta uma especialização das suas exportações quando comparado com o perfil europeu, enquanto os serviços financeiros são os que mais apostam no mercado britânico, sendo este o destino de 41,1% dos movimentos deste grupo”.

Por regiões

O estudo faz ainda a distribuição regional dos impactos do Brexit: a “nível dos bens são o Alto Minho, Cávado, Ave e Tâmega e Sousa, seguindo-se as regiões de Terras de Trás os Montes, Área Metropolitana do Porto e Beiras e Serra da Estrela”. 

Relativamente aos serviços, “a Área Metropolitana de Lisboa, Algarve e Madeira são as regiões com maior exposição ao risco. A Área Metropolitana do Porto e a Região de Coimbra surgem também sinalizadas pelo exercício realizado”. 

O documento faz, por outro lado, referência a janelas de oportunidade para o tecido empresarial português. 

“Potenciar esse papel de parceiro de Portugal pode permitir, por um lado, explorar oportunidades de empresas portuguesas substituírem, enquanto fornecedores do Reino Unido, produtores localizados em outros países da UE, potenciando a integração de Portugal em cadeias de valor ancoradas no Reino Unido”. 

“Os impactos potenciais estimados ao nível dos produtos indicam que atividades como as alimentares e as químicas ou farmacêuticas comportam produtos em que parecem existir oportunidades efetivas de Portugal substituir outros países enquanto fornecedor do Reino Unido que, exploradas com sucesso, podem permitir uma difusão transversal das experiências”, indica-se no trabalho, que aponta ainda potenciais vantagens para os serviços financeiros.

c/ Lusa

 

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