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Dezassete anos depois, mais de mil vítimas continuam por identificar

14-09-2018 - Maria Miguel Cabo

Ataque às Torres Gémeas deixou quase 3 mil mortos, mas cerca de 1.100 continuam por identificar apesar dos avanços da genética forense.

Scott Johnson tinha 26 anos e era analista financeiro nas Torres Gémeas em setembro de 2011. Durante 17 anos fez parte da lista de vítimas por identificar, mas os avanços científicos permitiram que fosse finalmente identificado em julho, através de um fragmento de osso.

Johnson tornou-se na 1.642ª vítima a ser formalmente identificada, o que significa que, entre as 2.753 pessoas que perderam a vida nos ataques ao World Trade Center, 1.111 continuam por identificar.

Quase 2 décadas após a tragédia, os avanços tecnológicos e científicos de extração e análise de ADN são cada vez mais uma esperança para os familiares das vítimas que nunca chegaram a ser identificadas.

Maria João Porto, diretora Serviço de Genética e Biologia Forenses do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, explica que a evolução da genética forense nos últimos anos tem permitido métodos de extração de ADN cada vez mais apurados.

"A genética forense, de uma maneira geral, resolve cada vez um maior número de casos, de amostras cada vez mais reduzidas, muito degradadas e, de facto, hoje em dia conseguem-se resultados em amostras que há uns anos atrás não era possível resolver. As amostras dão um rendimento cada vez maior, com maior grau de pureza, o que depois vai facilitar a identificação genética."

A especialista reconhece que muito deste progresso aconteceu precisamente devido aos desafios suscitados pelo atentado terrorista.

"A genética forense evoluiu muito devido ao 11 de setembro e devido à dificuldade de identificação dessas amostras. Houve necessidade das casas comerciais começarem a dar resposta e a produzirem ferramentas que nos têm possibilitado identificar com uma maior facilidade."

Extrair ADN e criar um perfil é apenas uma parte do desafio, a outra é comparar os resultados com as amostras fornecidas pelas famílias das vitimas (retiradas, por exemplo, de escovas de cabelo e lâminas de barbear) para conseguir uma identificação positiva.

Apesar dos avanços notórios da ciência nos últimos 17 anos, Eugénia Cunha, antropóloga forense e Diretora do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, lembra que há vários fatores que continuam a dificultar o processo e que a identificação total das vitimas poderá nunca acontecer.

"A temperatura, a humidade, o pH, tudo isso faz com que o ADN se degrade. Ou seja, é no microambiente onde aconteceu a decomposição que há uma conjuntura de fatores que coexistem e que levam à degradação do ADN; e, repare, se o fragmento é muito pequeno a probabilidade de lá encontrarmos ADN também é mais reduzida."

Ate hoje, o Instituto de Medicina legal de Nova Iorque continua a trabalhar em quase 22 mil restos mortais recolhidos após o ataque e que ainda não foram associados a qualquer uma das vitimas. Apesar da dificuldade, o trabalho continua, à espera dos avanços da ciência.

"Quando eu comecei nem sequer se colocava a hipótese de extrair ADN de um osso. A primeira vez que isso foi conseguido foi em 1997. Hoje já se faz extração de ADN de ossos muito antigos. O recorde do mundo é um osso com 400 mil anos. Isso era impensável, a tecnologia está de facto a avançar imenso. É por isso que eu digo sempre que é bom guardar as evidências porque daqui a meia dúzia de anos aquilo que não era possível pode já ser possível.

Em Nova Iorque, 17 anos depois do ataque, ainda se trabalha todos os dias para identificar as vítimas.

Fonte: TSF

 

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