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Guerra comercial. China impõe taxas sobre dezenas de produtos dos Estados Unidos

06-04-2018 - Andreia Martins

Em retaliação contra o aumento de taxas alfandegárias nos produtos importados da China pelos Estados Unidos, Pequim revelou esta quarta-feira uma lista de mais de uma centena de produtos norte-americanos que poderão sofrer um aumento de tarifas na ordem dos 25 por cento. De um lado e do outro, as taxas são ainda hipotéticas, mas já estão a movimentar os mercados, sobretudo a potencial taxa sobre as importações de soja.

De acordo com a Bloomberg, a China está a "atingir os Estados Unidos onde mais os magoa". A agência financeira destaca que Pequim é o principal importador de soja, elemento central para a agricultura e para a cadeia alimentar a nível global, bem como para a alimentação animal e humana.

No ano passado, só a venda de soja para o mercado chinês rendeu mais de 14 mil milhões de dólares à economia norte-americana.  

Mas estas taxas estendem-se a outros produtos: desde trigo, milho, algodão, tabaco ou carne bovina, bem como veículos elétricos, aviação ou material de guerra.  

No total, são 106 produtos norte-americanos que poderão ser afetados pelas novas tarifas de 25 por cento, segundo revelou esta quarta-feira o Ministério chinês do Comércio. Em 2017, essas importações valeram 50 milhões de dólares à economia norte-americana.

Muitos agricultores norte-americanos dependem da venda de soja e de outros produtos para a China, pelo que a medida poderá ter grande impacto no primeiro sector do país. O jornal  The Guardian  destaca que os Estados onde a agricultura é predominante serão os mais afetados, precisamente aqueles que foram decisivos na eleição de Donald Trump, que apertou o gatilho desta guerra comercial.  

A imposição de taxas não é imediata e só acontecerá caso Washginton avance com as tarifas anunciadas sobre as exportações chinesas. Essas tarifas só poderão entrar em vigor depois de 11 de maio, após o período de apreciação pública.  

Esta foi a resposta de Pequim com base na reciprocidade, depois de os Estados Unidos terem ameaçado a imposição de tarifas de 25 por cento num total de 1.300 produtos que são importados da China, nos mais variados sectores. A lista, conhecida esta terça-feira, inclui desde material de guerra a espelhos, vacinas ou aparelhos de audição.  

No entanto, o mercado mais afetado é o tecnológico, incluindo sectores como a aeronáutica, tecnologias de informação e comunicação e ainda robótica, sectores em que a China tem procurado afirmar-se a nível internacional. No total, as exportações para os Estados Unidos nos mercados agora visados resultaram no ano passado num lucro de 50 milhões de dólares.

Em conferência de imprensa, realizada esta quarta-feira, um dos responsáveis do Ministério chinês das Finanças, Zhu Guangyao, esclareceu que Pequim “não quer uma guerra comercial” e que tal situação traria perdas quer para os Estados Unidos, quer para a China.  

“A cooperação é a única escolha para os dois países”, disse ainda o responsável, assegurando que as autoridades chinesas querem resolver os problemas com os norte-americanos de forma “construtiva”.  
China intervém pela OMC

Também esta quarta-feira, a China anunciou que vai recorrer junto da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a “Section 301” da investigação realizada por Washington sobre a apropriação da propriedade intelectual.  

Foi com base nesta seção, criada pelo U.S. Trade Act em 1974 - que permite ao Presidente norte-americano a adoção de medidas contra práticas ou governos que prejudiquem a economia dos Estados Unidos - que Donald Trump avançou com as taxas alfandegárias sobre as importações chinesas.  

He Weiwen, membro do  Center for China and Globalization, refere ao jornal estatal chinês Global Times que as taxas previstas pela administração Trump violam as regras do comércio internacional.  

De acordo com o especialista, as sanções “unilaterais” de Washington baseiam-se em “regras e leis domésticas” e, destaca que, de acordo com a Organização Mundial do Comércio, nenhum membro pode retaliar contra outros de forma unilateral com base na perceção própria que os seus interesses estão a ser prejudicados.  

“Segundo estas regras, o processo da China contra os Estados Unidos pela Organização Mundial do Comércio é como apanhar um ladrão que está a roubar em plena rua”, refere o especialista chinês.

Fonte: RTP

 

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