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Juncker, o doutor acompanhado do padrinho Marcelo

03-11-2017 - Paula Sofia Luz

O presidente da Comissão Europeia é desde ontem doutor honoris causa pela universidade de Coimbra. Presidente da República e primeiro-ministro fizeram parte do cortejo.

"É bom estar aqui, numa universidade que caminha ao ritmo da Europa, que abre os seus braços a todos os que vêm de fora". Foi assim que Jean-Claude Junker saudou todos os estudantes e doutores que enchiam a sala das condecorações, na universidade de Coimbra, ontem de manhã, para assistir à cerimónia de onde saiu doutor honoris causa.

Pontual, o presidente da Comissão Europeia cumpriu quase à risca todas as horas do protocolo, que só quebrou à chegada, em amena brincadeira com o seu comissário Carlos Moedas. Depois pisou as capas negras dos universitários e seguiu em direção à faculdade de Direito. Foi aí que se trajou a rigor, com a anuência de Marcelo Rebelo de Sousa, o apresentante (ou padrinho) do doutoramento. "Fica-lhe bem! Agora vamos tirar uma fotografia". A palavra mágica do Presidente da República haveria de ser repetida vezes sem conta dentro e fora da universidade, para gáudio de Junker. Ao cortejo juntou-se também o primeiro-ministro António Costa. Com o dever de bons anfitriães, Marcelo e Costa protagonizaram ao longo da manhã momentos de conversa e boa disposição para jornalista ver.

O chefe do Governo acabou por ficar durante todo o dia com Juncker, enquanto Marcelo seguiu outra agenda, a visitar os feridos dos incêndios de outubro. E nesse meio tempo o presidente da comissão europeia já era doutor, depois de receber as insígnias da universidade de Coimbra, e de ouvir o elogio da sua figura por Fernando Alves Correia, professor catedrático da Faculdade de Direito, escolhido entre os pares para elogiar Juncker. E enfatizar "a genial entidade jurídico-institucional que é a União Europeia". E lembrar o Tratado de Lisboa, de que resultou "a criação de uma união cada vez mais estreita entre os povos da Europa, em que as decisões serão tomadas de uma forma tão aberta quanto possível e ao nível mais próximo possível dos cidadãos". Nessa altura, Alves Correia não podia adivinhar que o cumprimento - ou não - de um dos artigos do Tratado haveria de estar em destaque no debate da tarde, no Teatro Gil Vicente. Concentrou-se então na figura e no percurso do advogado e político Jean-Claude Juncker, ex-primeiro-ministro do Luxemburgo, de onde saiu para suceder na presidência da Comissão Europeia ao português Durão Barroso. No momento em que Portugal se libertava da ditadura, em 1974, Juncker aderia ao Partido Popular Cristão-Social (CSV), a que chegou a presidir, nos anos 90. Agora, aos 63 anos, continua um europeísta convicto.

Marcelo, o padrinho

A sala dos capelos rejubilava com um daqueles momentos tão ao gosto da universidade de Coimbra. Mas faltava ainda ouvir o "elogio do apresentante [Marcelo Rebelo de Sousa], a cargo de outro professor catedrático, Jorge Coutinho de Abreu.

E esse foi talvez o mais emblemático discurso do dia, embrulhado na poesia de Miguel Torga, José Mário Branco, ou José Gomes Ferreira. Valeu-se, por exemplo de "Inquietação" para caracterizar o desempenho de Marcelo, que "aparece em todo o lado, nos lugares de festa e de tragédia, nas escolas e nas fábricas, em manifestações científicas, culturais, políticas e cívicas, beija e abraça, conversa, incentiva e anima, ri e emociona-se. Sem parar, sem descanso, militantemente".

Já cá fora, o padrinho do doutor Juncker haveria de testar tudo de novo, distribuindo abraços e beijos às funcionárias da universidade, selfies com os estudantes. "Celinho, és cá da malta!" gritou-lhe ao longe um caloiro. "Agora estudem, que estão aí os exames", respondeu Marcelo.

A tarde foi dedicada à visita de Juncker à Associação Académica de Coimbra. Já sem Marcelo ao lado mas com António Costa, o presidente europeu teve ainda tempo de ouvir o Orfeão Académico de Coimbra e de receber (ele e toda a sua equipa) uma camisola personalizada da Briosa. Dali a comitiva seguiu para o Teatro Gil Vicente, apinhado de estudantes e professores, prontos a participar num debate sobre "o futuro da Europa".

E aí foi Costa quem ligou os pontos, contando a história de quando, em 2007, a Europa preparava a abertura do espaço Shengen aos países de leste, e se confrontou com o atraso, por parte de uma empresa alemã, do sistema de informação que o iria permitir. "Encontrámos a solução em Coimbra, na Critical Sftware (empresa de que foi fundador o atual reitor da universidade, João Gabriel Silva)", contou o primeiro-ministro, certo de esse é um exemplo da diversidade de é feita a Europa. O tempo foi curto para as muitas perguntas que os jovens queriam fazer a Costa, ao comissário Carlos Moedas e sobretudo a Juncker. Mas houve espaço para ouvir Mohamed, um estudante sírio, símbolo de um dos maiores desafios que a Europa tem pela frente: o acolhimento aos refugiados.

Fonte: DN

 

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