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Acordo secreto de Merkel deixou Maria Luís e Schäuble a protestar sozinhos

16-06-2017 - Lusa

A chanceler alemã Angela Merkel acertou com a Grécia os termos de um novo acordo, para a resolução da crise no país, que deixou o seu ministro das Finanças Wolfgang Schäuble, apoiado pela então ministra portuguesa Maria Luís Albuquerque e pelo espanhol Luis de Guindos, a protestar sozinho.

Esta é uma das revelações feita por Yanis Varoufakis, o ex-ministro das Finanças da Grécia, no livro “Adults In The Room: My Battle With Europe’s Deep Establishment”.

O Público transcreve uma parte da obra na qual o economista grego relata como o Governo de que fez parte chegou a um acordo secreto com Angela Merkel, em 2015, para alterar os termos do memorando assinado com a Troika, quando a Grécia estava à beira da falência e num impasse negocial com a União Europeia.

Esse acordo terá sido alcançado directamente entre Alexis Tsipras, então recém-eleito primeiro-ministro grego, e Angela Merkel, sem o conhecimento do ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble.

Varoufakis conta como alinhavou os novos termos, com o intuito da extensão do prazo de financiamento à Grécia, e como recebeu, através de “canais reservados”, o sim de Merkel.

O ex-ministro das Finanças grego conta então como Maria Luís Albuquerque, a ministra das Finanças portuguesa da altura, e o ministro espanhol Luis de Guindos, foram as únicas vozes a juntar-se a Schäuble na oposição ao acordo consolidado por Merkel com a Grécia.

Varoufakis relata ainda que o então ministro francês das Finanças, Emmanuel Macron, e actual Presidente de França, também teria tido conhecimento prévio do entendimento, depois de almoçar com Merkel que lhe terá indicado ter dado “instruções directas a Dijsselbloem para acabar com a saga grega”.

“A claque de apoio do dr. Schäuble”

“Em todas as reuniões do Eurogrupo, logo que se abria o período de intervenções dos ministros, ocorria o mesmo ritual. Primeiro, a claque de apoio do dr. Schäuble, constituída por ministros das Finanças dos países do Leste, competiria entre si para ver que é mais pro-Schäuble que o próprio Schäuble. Depois, os ministros dos países submetidos a resgates como a Irlanda, a Espanha, Portugal e Chipre – os prisioneiros-modelo de Schäuble – acrescentariam a sua bagatela Schäuble-compatível imediatamente antes de, por fim, Wolfgang, o próprio, vir a terreiro para finalizar com alguns retoques a narrativa que controlava desde o início”, escreve Varoufakis, citado pelo Público.

Nessa fatídica reunião de 20 de Fevereiro, a reunião do Eurogrupo decorreu de forma bem diferente, com um “silêncio constrangedor” a marcar o momento do anúncio do acordo.

Varoufakis nota que, com receio de Schäuble, “ninguém defendeu” o acordo, “mas também não se atreveram a criticá-lo”, até porque Christine Lagarde, do FMI, e Mario Draghi, do BCE, também o apoiaram.

Mas Schäuble não se ficou e opôs-se aos novos termos – Varoufakis diz que perdeu “a conta ao número de intervenções dele – mas devem ter sido mais de vinte”, diz.

E “os únicos ministros que o apoiaram foram a portuguesa [Maria Luís Albuquerque] e o meu vizinho do lado, o ministro espanhol Luis de Guindos, que falou mais de dez vezes – seguramente reflectindo o medo do seu Governo por qualquer êxito do Syriza [o partido de Tsipras] que pudesse suscitar apoio para o Podemos nas eleições que se avizinhavam em Espanha”, sustenta Varoufakis.

Esse acordo de 20 de Fevereiro acabou por não ser suficiente para a Grécia recuperar o bom rumo e Tsipras acabou por ter que ceder às exigências da Troika, deixando “cair” Varoufakis do Governo.

O ex-ministro assume que estava preparado para uma “vingança” de Schäuble, mas refere que “não fazia ideia é que a faca seria desembainhada dentro do [seu] ministério”.

O ministro alemão é uma das figuras centrais do livro de Varoufakis e há um detalhe especialmente curioso, relativo a uma conversa que decorreu no gabinete de Schäuble, em Berlim.

Varoufakis conta como, por um lado, Schäuble lhe dizia para assinar o memorando, para que a Grécia saísse temporariamente do Euro, mas como, por outro, assumia que se estivesse no lugar dele, “como patriota” não o assinaria. “É mau para o seu povo”, terá assumido o político alemão.

 

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