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SEF descobre rota de marroquinos. GNR e Marinha reforçam vigilância

09-10-2020 - Valentina Marcelino

A investigação do SEF conseguiu reconstituir o trajeto dos 96 migrantes que já desembarcaram em Portugal, todos de El Jadida. GNR e Marinha estão a colaborar.

Está confirmada a nova rota de imigração ilegal a partir de Marrocos para Portugal. A informação, sustentada pela investigação do SEF, foi partilhada há cerca de duas semanas com a GNR e a Marinha, que estão a colaborar neste processo, a pedido daquele serviço de segurança.

SEF, GNR e Marinha têm trabalhado em conjunto para prevenir novos desembarques, contando com um realinhamento da vigilância

Desde essa altura que SEF, GNR e Marinha têm trabalhado em conjunto para prevenir novos desembarques, contando com um realinhamento da vigilância costeira, por parte da GNR, e do mar, com os navios da Marinha.

Fontes desta task force inédita revelaram ao DN que os investigadores do SEF apresentaram mapas e vídeos, filmados por alguns dos migrantes, que possibilitaram fazer uma reconstituição muito completa do trajeto feito desde Marrocos.

"Está confirmado que todas as seis embarcações que conseguiram chegar à costa portuguesa, no Algarve, partiram do mesmo ponto geográfico, El Jadida, na costa atlântica de Marrocos, e tinham como destino Portugal. Confirmou-se também que o trajeto é feito diretamente, apenas numa embarcação, e estima-se que demore entre 40 e 50 horas", sublinha uma dessas fontes que acompanham a investigação.

Rota reconstituída com vídeos

Para o próximo dia 7 de outubro está marcada uma nova reunião tripartida desta equipa especial, onde é esperado que os responsáveis pela investigação do SEF entreguem toda a documentação e imagens já recolhidas para que a GNR e a Marinha possam dar também os seus contributos.

SEF descobre rota de marroquinos. GNR e Marinha reforçam vigilância

O SEF contou aos militares como conseguiu fazer a reconstituição da rota - cerca de 700 km em linha reta - seguida desde El Jadida, a antiga Mazagão portuguesa, até ao Algarve.

As filmagens feitas durante a viagem, através dos telemóveis, por alguns dos migrantes, foram analisadas à lupa. "Sempre que era observado algum ponto de referência, na costa ou no mar, como, por exemplo, navios ou outras embarcações, foi feito o cruzamento de dados e com isso confirmou-se a exata localização por onde estavam a passar", explica outro responsável que acompanha a task force.

Também as inquirições feitas até ao momento aos migrantes permitiram aos investigadores não ficarem margem para dúvidas em relação à existência desta rota, em particular que a rede de imigração ilegal teve como base a antiga cidade histórica portuguesa.

Governo tem negado rota

Conforme o DN apurou, esta investigação foi recolher também alguns elementos de um processo mais antigo, antes de ter chegado a primeira lancha em dezembro passado. Nesse processo foram averiguadas suspeitas da entrada ilegal de migrantes marroquinos em Portugal através de barcos de pesca. Mas não se chegou a conclusões.

A conclusão desta investigação do SEF terá sido dada a conhecer ao governo apenas há poucos dias, já depois da chegada do último barco com 28 migrantes, no passado dia 15 de setembro, e depois da reunião da task force do SEF, da GNR e da Marinha.

Vários membros do governo tem negado esta probabilidade, mesmo depois de terem havido desembarques.

Mas já havia várias indicações e alertas. Até aqui, vários membros do governo têm negado esta probabilidade, mesmo depois de ter havido desembarques.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, tem sido o mais contundente. Em junho, quando já tinham chegado à costa portuguesa 48 imigrantes, Cabrita sublinhava que Portugal "não deve cair no ridículo" ao considerar que existe uma rede de imigração ilegal para o Algarve.

"Não dramatizo aquilo que vejo ser muito discutido, nós não devemos cair no ridículo, devemos antecipar e ter rigor na investigação", disse Eduardo Cabrita na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Para o titular da pasta da Segurança Interna, tendo em conta o número de migrantes que tinham já desembarcado, "devemos ter alguma dimensão do ridículo quando compararmos com aquilo que são 7500 chegadas a Espanha desde janeiro, mesmo com uma redução significativa de chegadas verificadas neste ano".

Nessa mesma altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, considerou também que "não se pode falar de uma rota" de migração para o Algarve e sublinhou a importância de criar canais legais de migração, que Portugal está a negociar com Marrocos.

"Julgo que ainda não se pode falar de uma rota. Temos registo nos últimos seis meses, de 46 pessoas, por aí, que aportaram ao Algarve em pequenas embarcações inseguras, e portanto isso não é uma dimensão que nos deva fazer falar de rotas", disse Augusto Santos Silva.

Esta posição foi secundada mais recentemente, no passado dia 15, depois de terem desembarcado mais 28 migrantes, pela secretária de Estado para a Integração e as Migrações. "Ainda é precipitado falar em rota, principalmente se compararmos com Espanha e outros países onde têm chegado", declarou Cláudia Pereira.

A "surpresa" em Marrocos

Do lado de Marrocos, esta rota terá sido recebida com "muita surpresa", nas palavras do embaixador daquele país em Portugal. Em declarações na passada semana ao DN, Othmane Bahnini revelou que foi "com muita surpresa" que viu as notícias do primeiro desembarque em dezembro, a que se seguiram outros cinco, em janeiro, junho (dois), julho e setembro.

"Tinha havido um único caso, em 2007, de um barco com 23 marroquinos que se dirigia a Espanha, por engano, mas nos últimos 13 anos nunca mais tinha havido nada. Foi com muita surpresa que vimos a notícia de que se tratava de marroquinos, com a particularidade de serem de El Jadida, a antiga Mazagão portuguesa", afiançou.

O embaixador, que não quis assumir a existência da "rota", para não contrariar a posição do Estado português, preferiu destacar as medidas que foram, entretanto, tomadas pelo seu governo, para impedir e prevenir que mais marroquinos "arrisquem a sua vida" para chegar a Portugal clandestinamente "nas mãos de redes criminosas".

Conta que, "logo depois do primeiro desembarque em dezembro, de imediato foi aberta uma investigação no local, onde se presumia ser a origem daquelas pessoas".

Mais 58 prontos para embarcar

E assinala: "Desmantelámos uma célula que tinha estado envolvida na vinda de migrantes para Portugal."

Revela que, "em junho, foram detidas três pessoas e abortada uma operação que envolvia 23 candidatos a embarcar, entre os quais uma mulher", e "no passado dia 10 de agosto prendemos mais duas pessoas, que estavam a preparar o embarque de outros 35 migrantes e, dias depois, prendemos mais três traficantes".

Bahnini sublinha que Marrocos "reagiu de imediato no terreno". "É nossa responsabilidade controlar as fronteiras e proteger o espaço da União Europeia e estamos empenhados a todos os níveis. Em 2019, reduzimos em 65% o número de migrantes que tentam chegar à UE, por via marítima, e abortámos 74 mil operações. É um grande trabalho que Marrocos faz diariamente", garante.

Os alertas oportunos das secretas

Os serviços de informações portugueses começaram a alertar as autoridades e o governo português, logo desde o primeiro desembarque em dezembro, para a possibilidade de instalação de uma nova rota de imigração ilegal, por via marítima, a partir do norte de África, aviso esse reforçado no último Relatório Anual de Segurança Interna.

"Portugal continua a servir como um ponto de acesso subsidiário ao espaço europeu, sendo expectável um aumento da imigração ilegal com reflexos diretos no nosso país. É encarado como especialmente preocupante para a segurança interna o aumento dos fluxos migratórios registados na rota do Mediterrâneo Ocidental face a anos anteriores", escreveu o Serviço de Informações de Segurança (SIS).

Conforme o DN noticiou, este novo fenómeno de imigração ilegal esgotou todas as capacidades de alojamento do SEF, e a maior parte destes migrantes marroquinos foram instalados em cadeias e no quartel de Tavira, de onde fugiram 17 nesta semana, estando ainda por capturar dois deles.

Do total de 97 migrantes que desembarcaram no Algarve desde dezembro, pelo menos 37 estão desaparecidos.

É esta a lista:

11 de dezembro de 2019

Oito cidadãos marroquinos desembarcaram em Monte Gordo. Desconhece-se o paradeiro.

29 de janeiro de 2020

Onze cidadãos marroquinos desembarcaram em Olhão. Desconhece-se o paradeiro.

6 de junho de 2020

Sete cidadãos marroquinos foram detetados junto à ilha da Culatra.

15 de junho de 2020

Vinte e dois cidadãos marroquinos foram detetados junto a Vale do Lobo. Nove foram libertados e estão em paradeiro incerto.

21 de julho de 2020

Vinte e um cidadãos marroquinos foram detetados também em Vale de Lobo. Estão na cadeia do Linhó.

15 de setembro de 2020

Vinte e um cidadãos marroquinos foram detetados também em Vale de Lobo. Estão na cadeia do Linhó.

Fonte: DN.pt

 

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