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Domingo 7 de Junho de 2020  
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Restaurantes e cafés preparados, os clientes é que não aparecem

22-05-2020 - Céu Neves

Restaurantes e cafés abriram nesta segunda-feira, com todas as regras de higiene e distanciamento social. Faltam os clientes, sobretudo para quem tem comércio junto a espaços empresarias. O take away ajuda, mas não chega….

Restaurantes, pastelarias, cafés e snack-bares com metade da lotação habitual, mesas mais distanciadas e muitas a ocupar a rua, desinfectante à porta, funcionários com máscaras, ementas plastificadas ou digitalizadas. Assim se prepararam para reabrir as portas esta segunda-feira (18 de Maio), o primeiro dia após o encerramento obrigatório, a 19 de Março. Mas são poucos os clientes que aparecem e, esses, são sobretudo os residentes. Estes estabelecimentos vivem das empresas que estão perto de si, mas cujos funcionários ainda não voltaram aos escritórios.

É o panorama dos espaços de comidas e bebidas na freguesia de São Domingos de Benfica, junto às estradas da Luz e das Laranjeiras. Uma zona residencial que tem vindo a acolher empresas, desde logo, nas Torres de Lisboa e nas imediações da Loja do Cidadão. O que levou não só ao aumento de clientes nos restaurantes e cafés do bairro como ao surgimento de novos espaços, substituindo outro comércio local, como mercearias e drogarias.

A restauração e estabelecimentos similares encerraram ainda antes de estar em vigor o Estado de Emergência. Alguns foram, entretanto, abrindo para servir refeições em take away, mas com um volume de negócio muito aquém do que registavam antes da pandemia. Os funcionários das empresas que aqui se instalaram desapareceram e não voltaram esta semana. Estão em teletrabalho ou em lay-off, o que fez com que a restauração que reabriu continuasse praticamente vazia.

"Estamos vazios, a facturação caiu mais de 80 % nestes dois meses. Faltam pessoas e funcionários da Loja do Cidadão [ainda não há data para a reabertura destes espaços], mas também quem trabalha nos escritórios que abriram em função da Loja do Cidadão", lamenta Egídio Cossenzo, proprietário da pastelaria Templários, que também fornece refeições.

Encerraram as portas a 19 de Março, reabriram a 21 de Abril com take awaye é esse serviço que está a funcionar melhor na reabertura total ao público. Ainda assim, não compensa as despesas. Egídio Cossenzo é proprietário há dois anos desta pastelaria, que tem 25 anos, os últimos dos quais em grande crescimento, segundo garante.

Abriram primeiro com take away

Tem uma sala grande onde cabiam 46 mesas e, agora, está reduzida a 20 mesas individuais., sem clientes. Apenas duas pessoas estão na pequena esplanada e algumas pessoas que vêm comprar refeições para levar.

Egídio tem nove funcionários, que saíram esta semana do lay-off, mas tem muitas incertezas se conseguirá manter todos, tanto mais que ainda não recebeu apoios. "Umas vezes, acredito que vai dar tudo certo; outras que vai correr mal e piorar a partir de Julho, quando as pessoas voltarem a pagar a renda, água e luz, além das parcelas da dívida do que deixaram para trás", justifica.

Outro restaurante antigo, A Courense, há 48 anos na Estrada da Luz., reabriu há duas semanas com comida para fora, que as pessoas compram directamente ou os funcionários entregam, sem custos. Têm facturado 20 a 25 % do que faziam antes da covid-19.

Esta semana, os clientes puderam entrar para a sala interior, pequena e reduzida a 1 8 lugares, metade dos que tinham, como manda a lei, e com novas regras de higiene, nomeadamente os talheres embalados. Manuel Brandão, o proprietário, está desanimado. "Muito fraco, muitos dos nossos clientes trabalham nas Torres [de Lisboa] e ainda não voltaram. No sábado tivemos mais gente, mas a clientela é completamente diferente, é constituída sobretudo por famílias."

Balanços só no fim da crise sanitária. "O dia de hoje não é representativo de nada, E estamos no meio do mês que, por natureza, é uma fase sempre complicada. Penso que as coisas vão melhorar a partir de 1 de Junho, para já, não", acrescenta, apesar de tudo, optimista em relação ao futuro, para que possa manter os cinco funcionários.

Os poucos clientes que almoçaram esta segunda-feira ficaram na esplanada, que agora tem a lotação de verão, aliás o dia facilitou a tomada de refeições na rua. Serviram e vão continuar a servir take away e refeições, algumas das quais levaram neste início da semana a empresas, cujos funcionários não podem fazer teletrabalho, como a rádio TSF.

Nuno Vivas é bancário, nunca deixou de se deslocar para a entidade bancária. Cliente habitual do restaurante, esteve muitos dias sem a sua comida, passou a levar o almoço para o emprego nas últimas duas semanas. Voltou a sentar-se à mesa. "Normalmente, almoço na sala interior, hoje resolvi aproveitar o bom tempo", diz, acrescentando: "Não pudemos estar enclausurados o resto da vida. Há que voltar à normalidade e com as devidas precauções. Tenho esperança que isso aconteça, até há bastante informação sobre o problema de saúde e os cuidados a ter."

Mais residentes à mesa

Maria Laura Costa, Dulce Roque, Maria do Carmo Shirly e Adélia Carreira residem no bairro, todas com idades consideradas de risco perante esta nova doença. Trocam galhardetes, brincam, celebram o primeiro dia do retomar do café na esplanada do Tamoyo, uma pastelaria histórica. Reabriram a 3 de Abril com take away, serviço que já tinham mas que cresceu durante o Estado de Emergência. Com isso, recuperaram 30 % da facturação habitual, explica Carlos Alves, o dono vai fazer cinco anos.

"Nunca fechamos, agora reduzimos o número de mesas. Pensávamos que a afluência fosse maior, mas tem de ser um dia de cada vez, vai levar o seu tempo a voltar à normalidade, temos de ter paciência", diz Carlos Alves. Isto, apesar de ser o estabelecimento na zona com mais clientes à hora de almoço.

"Vi beber o meu cafezinho e comer uma bolacha húngara, a minha preferida, tinha tantas saudades. E também das minhas vizinhas e amigas, o meu filho mais velho - tenho mais três - tem 48 anos e já nasceu aqui. Só vi os meus netos uma vez e foi da rua", revela a Maria Laura, professora reformada do ensino secundário.

Partilha a mesa com a Dulce que contou os dias em que não saiu de casa. "Trinta e oito dias sem por o pé na rua, venho sempre aqui beber o meu cafezinho, às vezes almoço, mas hoje como em casa. Faziam-me falta estes momentos."

A Adélia tem saído algumas vezes, para fazer umas compras e sem nunca se poder sentar a uma mesa. A Maria do Carmo bebe um café e leva o bolo de aniversário, que já tinha encomendado, para o marido, que faz anos a 18 de Maio, 82 agora.

Mesmo ao lado, o Stop Benfica enchia à hora do almoço e com as mesas muito próximas. Luís Barros, proprietário há três anos, revela que estavam numa fase de crescimento. "Temos de aprender a viver com esta situação, não tenho grandes perspectivas para os próximos 15 dias, só quando as pessoas voltarem ao escritório é que irá melhorar. E, também, depende das medidas que se seguirem e que não devem ser transmitidas à última da hora, como tem acontecido."

Luís Barros mostra que reduziram a ocupação para menos de metade, os funcionários têm máscaras, quem está junto à comida acrescenta uma viseira, as ementas estão coladas nas paredes e, se alguém pedir uma para a mesa, esta será desinfectada. Estão, ainda, afixadas as orientações da Direcção Geral de Saúde sobre os cuidados a ter com a covid-19. O secador de mãos está desactivado e as toalhas de pano foram substituídas por papel. São oito os funcionários, que estiveram em lay-off até o espaço reabrir, há três semanas, só com take away. O que possibilitou recuperar um terço da facturação.

Daniel Oliveira, carpinteiro é o primeiro cliente para o almoço. É carpinteiro, veio de Braga para fazer remodelar um apartamento, o que o manterá 15 dias na cidade. Já conhecia o restaurante/snack bar, de outros trabalhos. "Conheci isto há dois anos e gostei, agora voltei, também é o que está mais perto do apartamento onde estou a fazer as obras."

Teresa Carvalho abriu A Luz Ideal há seis anos, com dois pratos do dia ao almoço, um dos quais vegetariano, sumos naturais e bolos. Fechou uma semana em Março, para reabrir em take away, facturando numa semana o que costumava facturar num dia.

O espaço é muito pequeno, meia dúzia de mesas, mas neste primeiro dia de reabertura total, não serviu refeições na sala. Aproveitou o espaço de jardim em frente para instalar mesas, o que até se revelou simpático. A Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica informou-os os empresários da restauração que poderiam usar os passeios e espaços envolventes.

"Tivemos a esplanada há uns anos, e, agora, reabrimos, vamos ver como funciona. O take away não tem sido muito entusiasmante. Esperamos que isto retome ou arranjar outras formas de funcionar, como fazer entregas. Não vai ser fácil", diz a Teresa. O espaço abre só durante a semana e apenas com a Teresa, os três funcionários estão em lay-off.

Joana Lopes, está reformada de direcção de uma multinacional informática. Vive sozinha e almoça sempre fora, ao jantar faz refeições ligeiras. "Comecei a vir aqui buscar take away, era dos poucos sítios que estava aberto na altura. Hoje vim almoçar e este jardinzinho, com este tempo, é muito agradável. Tem 81 anos e, durante estes dois meses, viu os filhos duas vezes, recentemente.

A Adega do Silva é outro dos restaurantes carismáticos da zona, abriu há 20 anos, com uma ementa diversificada e de origem bem portuguesa. Nuno Ambrósio não se queixava do negócio, feito de muitos clientes habituais. "Num dia normal, se fizesse 100 almoços já era pouco, agora, tenho um cliente", lamenta.

Isto já perto das 13:30. E o cliente é um comercial, da Sapata, queijos de Reguengos de Monsaraz. "Tenho andado na rua mais para as pessoas não se esquecerem de nós. Os meus clientes são restaurantes e lojas de bairro, talhos, mercearias, minimercados, mas as encomendas agora têm pouco significado. Fazia a volta de segunda a sexta-feira, agora só trabalho as manhãs de quarta e terça-feira, o resto estou em lay-off ", conta Rui Santos.

A Adega do Silva tem um espaço interior e uma sala aberta, que esta segunda-feira continuaram vazios. "Fechámos no dia 19 de março e ainda tivemos muitas pessoas nesse dia, os últimos anos foram excelentes, sempre trabalhámos bem. As coisas complicaram um pouco com a crise financeira de 2008, agora não consigo perceber o que vai acontecer. Penso que as coisas melhorem quando acabar o teletrabalho, até lá não, isto ao almoço. Ao jantar e sábado funcionámos mais com famílias, vamos ver o que vai acontecer", diz Nuno Ambrósio. É ele e mais sete funcionários.

É, também, o proprietário da Sandwich Caffe, que tal como o nome indica faz sandes, tostas, pastéis, bolos, além de refeições que são confeccionadas na Adega do Silva. Esta segunda-feira, foram poucas as pessoas que entraram para os almoços ligeiros. Isabel Alface e Vítor Lima pouco tiveram que fazer. Comenta o Vítor. "Veio uma pessoa ou outra. Pensamos que vai melhorar à medida que o desconfinamento abrir."

Fonte: DN.pt

 

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